Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FGV 2023
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
fg064489
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Infectologia Pediátrica
Assinale a opção que indica o tratamento antibiótico adequado para Infecções graves por Streptococcus pyogenes, como a síndrome do choque tóxico, com germe isolado em hemocultura.
ACefepima + Vancomicina.
BPenicilina Cristalina em monoterapia.
CClindamicina em monoterapia.
DPenicilina Cristalina + Clindamicina.
EOxacilina + Vancomicina.
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GabaritoD — Penicilina Cristalina + Clindamicina.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Síndrome do choque tóxico estreptocócico: tratamento antibiótico
Gabarito: letra D. Para infecções graves por Streptococcus pyogenes, como a síndrome do choque tóxico estreptocócico (STSS), o tratamento antibiótico de escolha é a associação de Penicilina Cristalina + Clindamicina. A penicilina é o antibiótico de escolha para o estreptococo, mas a clindamicina é adicionada por sua capacidade de suprimir a síntese de toxinas (superantígenos), que são os principais mediadores da síndrome — é essa combinação que a alternativa D espelha.
A síndrome do choque tóxico estreptocócico é uma complicação grave e rapidamente progressiva da infecção por Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A). O quadro clínico é mediado por toxinas que atuam como superantígenos, provocando uma resposta inflamatória sistêmica maciça, com febre, hipotensão, disfunção de múltiplos órgãos e, frequentemente, necessidade de suporte intensivo. O diagnóstico é clínico, mas a confirmação microbiológica, como o isolamento do germe em hemocultura (como no enunciado), reforça a necessidade de tratamento direcionado e agressivo.
O tratamento antibiótico tem dois objetivos fundamentais: (1) eliminar o patógeno e (2) neutralizar a produção de toxinas. A penicilina cristalina é o antibiótico de escolha para o S. pyogenes, pois o germe é altamente sensível a ela. No entanto, em infecções graves com alta carga bacteriana, a penicilina isolada pode ser menos eficaz devido ao chamado "efeito Eagle" — quando a bactéria está em fase estacionária de crescimento, a penicilina (que age na parede celular durante a fase de multiplicação) perde eficácia. É aqui que entra a clindamicina: ela inibe a síntese proteica bacteriana, suprimindo a produção de toxinas e superantígenos, e não depende da fase de crescimento do germe. Por isso, a associação é a conduta recomendada nas diretrizes para infecções estreptocócicas graves.
Na prática, o esquema é: Penicilina Cristalina (dose alta, geralmente 4 milhões de unidades a cada 4 horas) + Clindamicina (600–900 mg a cada 8 horas, EV). A clindamicina também tem a vantagem de boa penetração em tecidos e de atuar em bactérias em fase estacionária. Essa combinação é amplamente aceita e ensinada em infectologia, sendo a resposta esperada em provas de residência e concursos.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que a monoterapia com penicilina (alternativa B) é insuficiente para infecções graves com produção de toxinas, e que a clindamicina isolada (alternativa C) não é o tratamento de primeira linha, pois a penicilina continua sendo o agente bactericida de escolha. As alternativas com vancomicina (A e E) são direcionadas a outros patógenos, como Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), e não ao estreptococo do grupo A. A alternativa com cefepima (A) é uma cefalosporina de amplo espectro, mais usada em infecções por gram-negativos, não sendo a primeira escolha para estreptococo.
Guarde a lógica: penicilina mata a bactéria, clindamicina bloqueia a toxina — é essa dupla ação que decide a questão e que deve ser lembrada na prova.
1Penicilina Cristalina
2+ Clindamicina
3Mata a bactéria
4Bloqueia a toxina
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Cefepima + Vancomicina é um esquema de amplo espectro, mais indicado para infecções graves por gram-negativos e MRSA (como em neutropênicos ou infecções hospitalares). Não é a primeira escolha para Streptococcus pyogenes, que permanece sensível à penicilina. A vancomicina, em particular, é direcionada a gram-positivos resistentes (MRSA, enterococos resistentes), não sendo necessária para o estreptococo do grupo A.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Penicilina Cristalina em monoterapia é o tratamento de escolha para infecções estreptocócicas não complicadas, mas não é suficiente para a síndrome do choque tóxico. A alta carga bacteriana e a produção de toxinas exigem a adição de clindamicina para suprimir a síntese de superantígenos e superar o efeito Eagle. A monoterapia aqui seria insuficiente e potencialmente fatal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Clindamicina em monoterapia não é o tratamento de primeira linha. Embora a clindamicina seja essencial para bloquear a produção de toxinas, ela é bacteriostática e não substitui a ação bactericida da penicilina. O tratamento padrão é a associação, não a monoterapia com clindamicina.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Penicilina Cristalina + Clindamicina é exatamente o esquema recomendado para infecções graves por Streptococcus pyogenes, como a síndrome do choque tóxico. A penicilina elimina a bactéria (bactericida) e a clindamicina suprime a produção de toxinas (superantígenos), atacando a doença em duas frentes. Essa combinação é o padrão-ouro nas diretrizes de infectologia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Oxacilina + Vancomicina é um esquema direcionado a Staphylococcus aureus (incluindo MRSA), não ao estreptococo do grupo A. A oxacilina é uma penicilina resistente às penicilinases estafilocócicas, e a vancomicina cobre MRSA — ambos desnecessários e inadequados para S. pyogenes, que é sensível à penicilina simples.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o tratamento do estreptococo e o do estafilococo. Alternativas com vancomicina e oxacilina (A e E) parecem "fortes" para infecções graves, mas são direcionadas ao MRSA, não ao S. pyogenes. E a monoterapia com penicilina (B) parece suficiente, mas falha na síndrome do choque tóxico por não bloquear as toxinas. Lembre-se: penicilina + clindamicina é a dupla que mata a bactéria e neutraliza a toxina — é a combinação que a banca quer que você escolha.