Crise febril simples: conduta na emergência
Gabarito: letra A. O lactente de 1 ano e 8 meses apresenta crise febril simples (CFS): crise tônico-clônica generalizada, com duração < 15 minutos, em vigência de febre, em criança entre 6 meses e 5 anos, sem déficits neurológicos prévios. Após 30 minutos, desperta em BEG, ativo, reativo, com exame neurológico normal. Nesse cenário, a conduta é alta com orientações, sem necessidade de exames complementares, punção lombar ou internação.
A crise febril é o transtorno convulsivo mais comum da infância, afetando 2% a 5% das crianças. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história e no exame físico. A crise febril simples é definida como uma crise tônico-clônica generalizada, isolada, com duração inferior a 15 minutos, que ocorre em criança entre 6 meses e 5 anos, durante doença febril não resultante de infecção do sistema nervoso central, sem déficits neurológicos prévios e sem crises afebris anteriores. Já a crise febril complexa é definida por duração > 15 minutos, caráter focal, recorrência em 24 horas ou anormalidades neurológicas pós-ictais (como paralisia de Todd).
A distinção entre simples e complexa é o ponto central da conduta. Na CFS, não estão recomendados exames laboratoriais de rotina, EEG ou exames de imagem. A punção lombar só é indicada na presença de sinais meníngeos, em pacientes em uso de antibióticos nos dias que antecederam a crise, ou em crianças com menos de 18 meses com sinais de deterioração clínica. Já na CFC, estão recomendados exames laboratoriais, de imagem, EEG e punção lombar, na busca de uma causa para a condição, e o tratamento será voltado para a causa encontrada.
No caso descrito, o lactente tem 1 ano e 8 meses (20 meses), ou seja, mais de 18 meses, e apresenta crise com duração de menos de 5 minutos, generalizada, em vigência de febre, com recuperação completa em 30 minutos, sem sinais meníngeos, sem uso prévio de antibióticos e sem deterioração clínica. Portanto, trata-se de uma CFS típica, e a conduta é alta com orientações aos pais sobre a benignidade do quadro, o manejo da febre e os sinais de alarme para retorno.
A banca explora a confusão entre crise febril simples e complexa, e entre as indicações de punção lombar. O candidato pode ser levado a pensar que toda crise febril exige investigação, mas a diretriz é clara: na CFS, sem sinais de alarme, não há indicação de exames complementares. A febre é causada por IVAS, e o exame físico é compatível com infecção viral de vias aéreas superiores, sem sinais de gravidade.
Guarde a fronteira entre crise febril simples e complexa, e as indicações de punção lombar: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A conduta correta é alta com orientações. O lactente apresenta crise febril simples: duração < 15 minutos, generalizada, em vigência de febre, com recuperação completa e exame neurológico normal. Não há indicação de exames complementares, punção lombar, TC ou internação. As orientações devem incluir o manejo da febre (antitérmicos, hidratação), a benignidade do quadro e os sinais de alarme para retorno (crise prolongada, focal, recorrência em 24h, sinais meníngeos, rebaixamento do nível de consciência).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A punção lombar com início de ceftriaxona até resultado da cultura do líquor é conduta para suspeita de meningite bacteriana. No caso, não há sinais meníngeos, nem deterioração clínica, nem idade < 18 meses com sinais de alarme. O lactente tem 20 meses, está em BEG, ativo e reativo, com exame neurológico normal. A conduta seria excessiva e iatrogênica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A punção lombar com decisão de antibioticoterapia a partir da análise do líquor também é conduta para suspeita de meningite. Não há indicação de punção lombar na CFS sem sinais de alarme. A criança está assintomática do ponto de vista neurológico, com recuperação completa, e o quadro é compatível com IVAS.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A coleta de hemograma e PCR com avaliação de punção lombar de acordo com o resultado não é recomendada na CFS. Os exames laboratoriais de rotina não estão indicados, pois não alteram a conduta e não predizem risco de recorrência ou epilepsia. A CFS tem prognóstico benigno, e a investigação laboratorial é desnecessária.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A TC de crânio com avaliação de punção lombar de acordo com o resultado não é indicada na CFS. Os exames de imagem não estão recomendados, pois não há suspeita de lesão estrutural ou hipertensão intracraniana. A TC expõe a criança a radiação desnecessária e não contribui para o diagnóstico ou conduta.
Gabarito: letra A