Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2023
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
fg064491
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Infectologia Pediátrica
Em relação às infecções maternas e amamentação, assinale a afirmativa correta.
AMães com tuberculose ativa devem ser orientadas a interromper a amamentação até completarem 2 semanas de tratamento, pois, nesse período, o Mycobacterium pode ser transmitido pelo leite materno.
BNa doença de Chagas, o parasita pode ser excretado no leite humano e a infecção aguda no lactente causa sequelas cardíaca tardias. Assim, a amamentação deverá ser contraindicada, mesmo na fase crônica a da doença.
CO vírus da hepatite C pode ser transmitido por fissuras mamárias e pelo colostro. Portanto, evitar a amamentação diminui significativamente o risco de transmissão vertical da doença.
DA infecção por HTLV contraindica o aleitamento materno, porém uma vez que amamentação esteja estabelecida, não deve ser interrompida, que já o risco de transmissão não tem relação com a duração da amamentação.
EO citomegalovírus pode ser transmitido pelo leite materno. Entretanto, a infeção materna não contraindica a amamentação de recém-nascidos a termo, devido ao caráter benigno da infecção adquirida nesses lactentes.
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GabaritoE — O citomegalovírus pode ser transmitido pelo leite materno. Entretanto, a infeção materna não contraindica a amamentação de recém-nascidos a termo, devido ao caráter benigno da infecção adquirida nesses lactentes.
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Infecções maternas e amamentação: condutas e contraindicações
Gabarito: letra E. O citomegalovírus (CMV) pode ser transmitido pelo leite materno, mas a infecção materna não contraindica a amamentação de recém-nascidos a termo, pois a infecção adquirida nesses lactentes é geralmente benigna e assintomática. A restrição se aplica apenas a recém-nascidos pré-termo de muito baixo peso (< 1.000 g e/ou idade gestacional < 30 semanas), conforme as diretrizes de aleitamento materno do Ministério da Saúde.
O tema central é a segurança do aleitamento materno diante de infecções maternas. A regra de ouro é que a maioria das infecções não contraindica a amamentação, e as exceções são pontuais e baseadas no risco real de transmissão e na gravidade da doença no lactente. A banca explora justamente o desconhecimento dessas exceções e a confusão entre transmissão pelo leite e contraindicação formal.
Vamos analisar cada infecção citada:
Tuberculose: a transmissão pelo leite materno não é uma via relevante. O risco para o recém-nascido é a transmissão respiratória (aerossóis). Por isso, a amamentação não é contraindicada, desde que a mãe não tenha mastite tuberculosa. Recomenda-se o uso de máscara cirúrgica durante a amamentação enquanto a baciloscopia do escarro for positiva. A mãe deve iniciar o tratamento, e a criança deve receber quimioprofilaxia com isoniazida.
Doença de Chagas: o parasita Trypanosoma cruzi pode ser excretado no leite humano, mas a transmissão é relevante apenas na fase aguda da doença materna ou quando há lesão mamilar com sangramento. Na fase crônica, a amamentação é permitida. A infecção aguda no lactente pode causar miocardite, mas não justifica contraindicação na fase crônica.
Hepatite C: a transmissão pelo leite materno nunca foi demonstrada. A recomendação é amamentar normalmente, com cuidado para evitar fissuras mamilares. Se houver fissuras com sangramento, suspende-se temporariamente até a cicatrização. A transmissão vertical ocorre predominantemente no parto ou periparto, não pela amamentação.
HTLV: a infecção pelo HTLV-1 contraindica o aleitamento materno, pois o vírus é transmitido pelo leite e o risco aumenta com a duração da amamentação. Uma vez estabelecida a amamentação, deve-se interrompê-la o quanto antes, pois o risco é cumulativo.
Citomegalovírus: o CMV pode ser transmitido pelo leite materno, mas a infecção em recém-nascidos a termo é geralmente benigna e assintomática. A contraindicação se aplica apenas a pré-termos com peso < 1.000 g e/ou IG < 30 semanas, nos quais a infecção pode ser grave. Para os demais, a amamentação é permitida e recomendada.
A pegadinha central é a confusão entre transmissão pelo leite e contraindicação formal. Muitas infecções podem ser transmitidas pelo leite, mas isso não significa que a amamentação seja proibida — o risco-benefício deve ser avaliado. A banca explora essa distinção em todas as alternativas.
Infecção Materna
Transmissão pelo Leite
Amamentação Contraindicada?
Conduta/Recomendação
Tuberculose
Não é via relevante (risco é respiratório)
Não (exceto mastite tuberculosa)
Usar máscara cirúrgica; quimioprofilaxia no RN
Doença de Chagas
Sim (fase aguda ou lesão mamilar)
Apenas na fase aguda
Permitida na fase crônica
Hepatite C
Nunca demonstrada
Não
Amamentar normalmente; evitar fissuras
HTLV
Sim (risco cumulativo)
Sim
Interromper o quanto antes
Citomegalovírus (CMV)
Sim
Não para RN a termo
Permitida; contraindicada apenas para pré-termo < 1.000 g/< 30 semanas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que mães com tuberculose ativa devem interromper a amamentação até completarem 2 semanas de tratamento, pois o Mycobacterium pode ser transmitido pelo leite. Erro duplo: (1) a transmissão pelo leite materno não é uma via relevante na tuberculose — o risco é respiratório; (2) a amamentação não é contraindicada, desde que a mãe não tenha mastite tuberculosa. A recomendação é usar máscara cirúrgica durante a amamentação enquanto a baciloscopia for positiva. O tratamento materno não exige interrupção da amamentação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que na doença de Chagas a amamentação deve ser contraindicada mesmo na fase crônica. Erro: a contraindicação se aplica apenas na fase aguda da doença ou quando há lesão mamilar com sangramento. Na fase crônica, a amamentação é permitida, pois o risco de transmissão é baixo. A infecção aguda no lactente pode causar miocardite, mas isso não justifica contraindicação na fase crônica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o vírus da hepatite C pode ser transmitido por fissuras mamárias e pelo colostro, e que evitar a amamentação diminui significativamente o risco de transmissão vertical. Erro: a transmissão do HCV pelo leite materno nunca foi demonstrada. A recomendação é amamentar normalmente, com cuidado para evitar fissuras. Se houver fissuras com sangramento, suspende-se temporariamente até a cicatrização. A transmissão vertical ocorre predominantemente no parto ou periparto, não pela amamentação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a infecção por HTLV contraindica o aleitamento materno, mas que uma vez estabelecida a amamentação, não deve ser interrompida, pois o risco não tem relação com a duração. Erro: o risco de transmissão do HTLV aumenta com a duração da amamentação. Portanto, uma vez estabelecida, deve-se interromper o quanto antes para reduzir o risco cumulativo. A contraindicação é formal e a interrupção é recomendada.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que o citomegalovírus pode ser transmitido pelo leite materno, mas que a infecção materna não contraindica a amamentação de recém-nascidos a termo, devido ao caráter benigno da infecção adquirida nesses lactentes. Correta: o CMV pode ser transmitido pelo leite, mas a infecção em recém-nascidos a termo é geralmente benigna e assintomática. A contraindicação se aplica apenas a pré-termos com peso < 1.000 g e/ou IG < 30 semanas, nos quais a infecção pode ser grave. Para os demais, a amamentação é permitida e recomendada.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre infecções maternas e amamentação, memorize a regra de ouro: a maioria das infecções não contraindica a amamentação. As exceções são pontuais: HIV, HTLV, doença de Chagas na fase aguda, tuberculose com mastite, e CMV em pré-termos de muito baixo peso. Para as demais, avalie o risco-benefício e as medidas de prevenção.