Questão de Medicina — Mastologia — FGV 2023
- Código
- fg064503
- Banca
- FGV
- Órgão
- FHEMIG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Mastologia
- AI, apenas.
- BII, apenas.
- CI e II, apenas.
- DI e III, apenas.
- EI, II e III.
GabaritoC — I e II, apenas.
Gabarito: letra C. Estão corretos os itens I e II: dieta e atividade física são medidas de prevenção primária, e a mastectomia redutora de risco é opção para mulheres com risco elevado. O item III está incorreto, pois a terapia hormonal para a menopausa aumenta o risco de câncer de mama, não o previne — é um fator de risco, não uma medida preventiva.
A prevenção primária do câncer de mama consiste em medidas que atuam antes do surgimento da doença, reduzindo a probabilidade de sua ocorrência. Diferentemente da prevenção secundária (rastreamento e diagnóstico precoce) e da terciária (reabilitação e prevenção de recidivas), a prevenção primária visa evitar a doença ou reduzir o risco de desenvolvê-la, atuando sobre fatores modificáveis ou, em casos selecionados, sobre fatores de risco elevado.
As principais estratégias de prevenção primária dividem-se em dois grandes grupos: medidas gerais (modificação de fatores de risco comportamentais e ambientais) e medidas específicas (intervenções médicas direcionadas a mulheres de alto risco). No primeiro grupo, destacam-se a manutenção de peso adequado, a prática regular de atividade física, a dieta equilibrada (pobre em gorduras saturadas e rica em fibras, frutas e vegetais), a limitação do consumo de álcool e o incentivo ao aleitamento materno. No segundo grupo, incluem-se a mastectomia redutora de risco (profilática), a ooforectomia profilática e o uso de quimioprevenção (como tamoxifeno e inibidores de aromatase) em mulheres com risco elevado, especialmente portadoras de mutações em genes de alta penetrância como BRCA1 e BRCA2.
A mastectomia redutora de risco (também chamada de mastectomia profilática) é uma cirurgia que remove todo o tecido mamário em mulheres sem câncer, mas com risco substancialmente aumentado de desenvolvê-lo. É indicada principalmente para portadoras de mutações BRCA1/2, mulheres com história familiar fortemente positiva ou com lesões precursoras de alto risco (como carcinoma lobular in situ). Estudos demonstram redução de cerca de 90% no risco de câncer de mama após o procedimento. Trata-se, portanto, de uma medida de prevenção primária, pois atua antes do surgimento da doença.
A terapia hormonal para a menopausa (reposição hormonal com estrogênio e progesterona) é um fator de risco estabelecido para o câncer de mama, especialmente quando usada por tempo prolongado (mais de 5 anos) e em combinação estrogênio-progesterona. O risco aumenta com a duração do uso e diminui após a suspensão. Portanto, afirmar que ela é uma forma de prevenção é um erro conceitual grave: ela aumenta o risco, não o reduz. A confusão pode surgir porque a terapia hormonal alivia sintomas da menopausa e previne osteoporose, mas esses benefícios não se estendem à prevenção do câncer de mama — pelo contrário.
A banca explora exatamente essa inversão: o candidato pode associar "hormônio" a "proteção" e marcar o item III como correto. O critério decisivo é lembrar que prevenção primária exige que a medida reduza o risco de câncer de mama — e a terapia hormonal faz o oposto. Guarde essa fronteira: medidas que aumentam o risco (terapia hormonal, obesidade, sedentarismo, álcool) jamais podem ser classificadas como prevenção primária.
A dieta e a atividade física são, de fato, formas de prevenção primária do câncer de mama. Dietas ricas em gorduras saturadas, obesidade e sedentarismo são fatores de risco modificáveis; portanto, a adoção de hábitos alimentares saudáveis e a prática regular de exercícios físicos reduzem o risco de desenvolver a doença. O texto de apoio confirma: "Obesidade, sedentarismo, uso abusivo de álcool e uso indiscriminado de reposição hormonal aumentam o risco para câncer de mama". Logo, a modificação desses fatores — dieta equilibrada e atividade física — constitui prevenção primária.
A mastectomia redutora de risco é uma opção válida para mulheres com risco alto de desenvolver câncer de mama, como portadoras de mutações BRCA1/2 ou com história familiar fortemente positiva. O texto de apoio menciona que "a identificação de uma mutação de alta penetrância em um parente sem câncer de mama fornece a oportunidade de considerar o uso de estratégias preventivas". A cirurgia profilática é uma dessas estratégias, reduzindo drasticamente o risco. Trata-se de prevenção primária, pois atua antes do surgimento da doença.
A terapia hormonal para a menopausa não é prevenção do câncer de mama; pelo contrário, é um fator de risco. O texto de apoio é explícito: "uso indiscriminado de reposição hormonal aumenta o risco para câncer de mama". A reposição hormonal pode até prevenir osteoporose e aliviar sintomas vasomotores, mas aumenta o risco de câncer de mama, especialmente quando combinada (estrogênio + progesterona) e usada por tempo prolongado. A banca inverteu o sentido: apresentou um fator de risco como se fosse medida preventiva.
A banca trocou fator de risco por medida preventiva. A terapia hormonal para a menopausa é um dos fatores que aumentam o risco de câncer de mama — o candidato que associa "hormônio" a "proteção" cai no item III. Lembre-se: prevenção primária exige que a medida reduza o risco; a reposição hormonal faz o oposto.
Gabarito: letra C — corretos apenas os itens I e II.
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