Um mastologista é chamado para dar um parecer em uma maternidade para avaliar um recém-nascido do sexo feminino com secreção mamária láctea.Nesse caso, assinale a opção que indica a orientação dada pelo mastologista.
ADosar a prolactina sérica do recém-nascido para pesquisar estados hiperprolactinémicos.
BRealizar ultrassonografia mamária para verificar alterações ductais e nódulos.
CFazer análise citológica da secreção para afastar causas neoplásicas.
DOrientar que isso é uma alteração fisiológica, não necessitando de exames ou tratamento.
EInvestigar a mãe para ver possibilidade de metástase intraútero de câncer de mama.
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GabaritoD — Orientar que isso é uma alteração fisiológica, não necessitando de exames ou tratamento.
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Secreção mamária no recém-nascido: fenômeno fisiológico
Gabarito: letra D. A secreção mamária láctea em recém-nascida é uma alteração fisiológica, decorrente da passagem de hormônios maternos pela placenta, que regride espontaneamente em poucos dias — não exige exames nem tratamento. A conduta correta é apenas orientar a família sobre a benignidade do quadro, conforme o manejo das alterações fisiológicas da mama descrito na literatura médica.
A secreção mamária neonatal, também chamada de "leite de bruxa" ou mastite fisiológica, ocorre porque os hormônios maternos (estrogênio e progesterona) atravessam a barreira placentária e estimulam a glândula mamária do feto. Ao nascer, com a queda abrupta desses hormônios, há um pico de prolactina que induz a secreção láctea. Esse fenômeno é observado em cerca de 5% dos recém-nascidos, independentemente do sexo, e costuma desaparecer espontaneamente por volta do 5º dia de vida, como mencionado no texto de apoio: "A maioria dos recém-nascidos apresenta aumento discreto da glândula, e alguns, uma secreção leitosa proveniente dos mamilos, que desaparece espontaneamente por volta do 5º dia de vida."
A conduta médica diante desse quadro é puramente expectante: tranquilizar os pais, explicar que se trata de um processo normal e orientar a não manipular a região (evitar ordenha ou compressão), pois isso pode causar trauma, infecção ou abscesso. Não há indicação de dosagem hormonal, exames de imagem, citologia ou qualquer intervenção. A realização de exames desnecessários, além de não ter embasamento científico, submete o recém-nascido a procedimentos invasivos e ansiedade familiar sem benefício.
A banca explora exatamente o desconhecimento dessa condição: o candidato que não domina as alterações fisiológicas da mama pode achar que a secreção indica doença (hiperprolactinemia, neoplasia ou metástase) e optar por uma alternativa de investigação. No entanto, a mastologia pediátrica é clara: na ausência de sinais de alarme (como sinais inflamatórios, massa palpável ou secreção sanguinolenta), o quadro é benigno e autolimitado. O conhecimento das variações normais da mama é essencial para evitar condutas iatrogênicas, como destacado no texto: "O desconhecimento das alterações normais de tamanho, aspecto e consistência das mamas durante a menacme, a gestação e a menopausa pode levar a procedimentos e tratamentos desnecessários."
Guarde o critério decisivo: secreção mamária neonatal isolada, sem sinais inflamatórios ou massa, é fisiológica — a conduta é orientação e observação. É exatamente esse critério que separa a alternativa correta das demais, que propõem investigações desnecessárias.
1Reconhecer quadro fisiológico
2Tranquilizar os pais
3Orientar não manipular
4Observar regressão espontânea
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Dosar a prolactina sérica do recém-nascido para pesquisar estados hiperprolactinêmicos é desnecessário. A secreção mamária neonatal é consequência da passagem de hormônios maternos e do pico fisiológico de prolactina, não indicando doença hipofisária. A dosagem de prolactina não é recomendada nesse contexto, pois o quadro é autolimitado e não há suspeita clínica de hiperprolactinemia patológica. A banca tenta confundir ao sugerir uma investigação hormonal que não se aplica ao recém-nascido.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Realizar ultrassonografia mamária para verificar alterações ductais e nódulos é um exame de imagem sem indicação na secreção mamária neonatal fisiológica. A ultrassonografia é útil na avaliação de massas ou abscessos, mas não há suspeita dessas condições no quadro descrito. A realização de exames de imagem desnecessários expõe o recém-nascido a procedimentos sem benefício e contraria a conduta expectante recomendada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Fazer análise citológica da secreção para afastar causas neoplásicas é desnecessário e não se justifica. A secreção láctea neonatal é benigna e não há risco de neoplasia nessa faixa etária. A citologia é indicada apenas em casos de secreção sanguinolenta ou suspeita de lesão, o que não ocorre no quadro fisiológico. A banca explora o medo de câncer, mas a mastologia pediátrica não recomenda essa investigação.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Orientar que isso é uma alteração fisiológica, não necessitando de exames ou tratamento, é a conduta correta. A secreção mamária neonatal é um fenômeno normal, decorrente da passagem de hormônios maternos, que regride espontaneamente em poucos dias. A orientação deve incluir a tranquilização dos pais e a recomendação de não manipular a região, evitando complicações. Essa conduta está alinhada com o manejo das alterações fisiológicas da mama descrito na literatura.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Investigar a mãe para ver possibilidade de metástase intraútero de câncer de mama é um absurdo clínico. Não há relação entre a secreção mamária neonatal e câncer de mama materno. A metástase intraútero de câncer de mama é extremamente rara e não se manifesta como secreção láctea no recém-nascido. Essa alternativa é um distrator que explora o desconhecimento sobre a fisiologia neonatal.
A regra de ouro para a prova: secreção mamária no recém-nascido, sem sinais de alarme, é fisiológica — conduta expectante, sem exames. Qualquer alternativa que proponha investigação deve ser descartada.