Em exame físico das mamas, é detectado linfonodo endurecido, de 3cm em região axilar esquerda, com mobilidade diminuída, em uma mulher de 57 anos.Foram realizados mamografia, ultrassonografia e ressonância das mamas sem evidência de lesões. A biopsia do linfonodo identificou tumor fortemente positivo para receptores de estrogênio e progesterona.Acerca desse caso, é correto afirmar que
Aestá indicada mastectomia ipsilateral à axila comprometida.
Ba radioterapia da mama sempre é desnecessária.
Cnão há necessidade de tratamento adjuvante.
Destá descartado o diagnóstico de câncer de mama.
Edeverá ser realizado esvaziamento axilar completo.
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GabaritoE — deverá ser realizado esvaziamento axilar completo.
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Câncer de mama oculto com linfonodo axilar metastático
Gabarito: letra E. Trata-se de câncer de mama oculto (carcinoma oculto da mama), em que há linfonodo axilar metastático comprovado por biópsia, sem lesão detectável na mama pelos métodos de imagem. Nesse cenário, o tratamento padrão inclui o esvaziamento axilar completo (linfadenectomia axilar), pois a axila é o sítio da doença comprovada e o controle locorregional é essencial. As demais alternativas estão incorretas: a mastectomia ipsilateral não é obrigatória (a cirurgia conservadora da mama pode ser considerada, e a conduta sobre a mama é individualizada), a radioterapia não é "sempre desnecessária" (pode ser indicada, especialmente se houver cirurgia conservadora ou fatores de risco), há sim necessidade de tratamento adjuvante (o linfonodo positivo indica doença sistêmica potencial e terapia sistêmica é mandatória) e o diagnóstico de câncer de mama não está descartado (a biópsia do linfonodo confirmou tumor compatível com origem mamária).
O caso descrito é um clássico de câncer de mama oculto: a paciente apresenta linfonodo axilar palpável, endurecido, com mobilidade diminuída (sugerindo comprometimento metastático), e os exames de imagem da mama (mamografia, ultrassonografia e ressonância) não evidenciam lesão. A biópsia do linfonodo revela tumor fortemente positivo para receptores de estrogênio e progesterona, o que é altamente sugestivo de origem mamária (carcinoma mamário metastático para linfonodo axilar). Esse cenário corresponde ao estádio clínico T0N1M0 (ou, na prática, doença localmente avançada na axila, sem tumor primário identificado).
O esvaziamento axilar completo (linfadenectomia axilar dos níveis I e II de Berg) é o tratamento padrão da axila comprometida, pois há linfonodo metastático comprovado. A biópsia de linfonodo sentinela (BLS) não é indicada nesse caso, pois a axila já está clinicamente comprometida (linfonodo palpável, endurecido, >2 cm) — a BLS é reservada para axilas clinicamente negativas. O esvaziamento axilar proporciona controle locorregional e informações prognósticas essenciais para a decisão terapêutica adjuvante.
Quanto à mama, a conduta é individualizada. Historicamente, a mastectomia total era realizada, mas atualmente a cirurgia conservadora da mama (setorectomia/quadrantectomia) com radioterapia adjuvante é uma opção válida, especialmente quando não há lesão identificável. A radioterapia da mama não é "sempre desnecessária": se a paciente for submetida a cirurgia conservadora, a radioterapia é obrigatória; mesmo após mastectomia, pode ser indicada em casos de alto risco (tumor >5 cm, margens comprometidas, ou ≥4 linfonodos positivos).
O tratamento adjuvante sistêmico é obrigatório neste caso. A presença de linfonodo axilar positivo é indicação formal de quimioterapia adjuvante (independentemente do status hormonal), seguida de hormonioterapia (tamoxifeno ou inibidor de aromatase, conforme o perfil da paciente), pois o tumor é fortemente positivo para receptores hormonais. A quimioterapia adjuvante está indicada para tumores >1 cm ou linfonodos positivos, como neste caso. A hormonioterapia é mandatória por 5 a 10 anos, dado o forte status hormonal positivo.
A alternativa D ("está descartado o diagnóstico de câncer de mama") é a mais perigosa e incorreta: a ausência de lesão na mama nos exames de imagem NÃO exclui o diagnóstico de câncer de mama. O carcinoma oculto da mama é uma apresentação bem estabelecida, em que o tumor primário pode ser pequeno demais para ser detectado pelos métodos de imagem, ou até mesmo não ser identificado na peça cirúrgica. A biópsia do linfonodo com tumor positivo para receptores hormonais é fortemente sugestiva de origem mamária, e o diagnóstico de câncer de mama oculto é o mais provável. A conduta correta é tratar como câncer de mama, com esvaziamento axilar e terapia sistêmica adjuvante.
A pegadinha central desta questão é a tentativa de fazer o candidato acreditar que, sem lesão visível na mama, não há câncer de mama — o que é falso. O linfonodo axilar metastático com perfil hormonal positivo é a chave do diagnóstico. Além disso, a alternativa A (mastectomia ipsilateral) pode parecer atraente, mas a cirurgia conservadora é uma opção válida, e a mastectomia não é obrigatória. A alternativa B (radioterapia sempre desnecessária) usa o termo "sempre", que é um sinal de alerta — a radioterapia pode ser necessária. A alternativa C (não há necessidade de tratamento adjuvante) é claramente incorreta, pois linfonodo positivo é indicação de terapia sistêmica.
Conduta
Indicação no caso
Justificativa
Esvaziamento axilar completo (linfadenectomia níveis I e II)
Indicado (gabarito)
Axila clinicamente comprometida (linfonodo >2 cm, endurecido, mobilidade diminuída) e biópsia confirmando metástase; BLS não é opção em axila positiva.
Mastectomia ipsilateral
Não obrigatória
Cirurgia conservadora da mama (setorectomia/quadrantectomia) é opção válida no carcinoma oculto; conduta individualizada.
Radioterapia da mama
Não é "sempre desnecessária"
Obrigatória se cirurgia conservadora; pode ser indicada após mastectomia em casos de alto risco (≥4 linfonodos, tumor >5 cm, margens comprometidas).
Ausência de lesão na mama não exclui carcinoma oculto; biópsia axilar com perfil hormonal positivo é sugestiva de origem mamária.
Câncer de mama oculto
1Definição
Linfonodo axilar metastático
Sem lesão na mama (imagem)
2Conduta na axila
Esvaziamento axilar completo
Biópsia sentinela contraindicada
3Conduta na mama
Cirurgia conservadora + radioterapia
Mastectomia (opção, não regra)
4Tratamento adjuvante
Quimioterapia (linfonodo positivo)
Hormonioterapia (receptores +)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A mastectomia ipsilateral à axila comprometida não é obrigatória no câncer de mama oculto. A conduta sobre a mama é individualizada: a cirurgia conservadora (setorectomia/quadrantectomia) com radioterapia adjuvante é uma opção válida, especialmente quando não há lesão identificável. A mastectomia pode ser considerada, mas não é a única opção nem a regra. O erro está em afirmar que está "indicada" de forma absoluta, quando na verdade há alternativas conservadoras.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A radioterapia da mama não é sempre desnecessária. Se a paciente for submetida a cirurgia conservadora, a radioterapia é obrigatória (para reduzir a recidiva local). Mesmo após mastectomia, a radioterapia pode ser indicada em casos de alto risco (tumor >5 cm, margens comprometidas, ou ≥4 linfonodos positivos). O termo "sempre" torna a afirmação incorreta, pois há situações em que a radioterapia é claramente necessária.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Há sim necessidade de tratamento adjuvante. A presença de linfonodo axilar positivo é indicação formal de quimioterapia adjuvante, seguida de hormonioterapia (dado o forte status hormonal positivo). O tratamento adjuvante visa eliminar micrometástases e reduzir o risco de recidiva. Afirmar que não há necessidade é um erro grave, pois o linfonodo positivo é um dos principais fatores de risco para recidiva.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O diagnóstico de câncer de mama não está descartado. A ausência de lesão na mama nos exames de imagem não exclui o diagnóstico — trata-se de carcinoma oculto da mama, uma apresentação bem estabelecida. A biópsia do linfonodo com tumor positivo para receptores hormonais é fortemente sugestiva de origem mamária. O diagnóstico de câncer de mama oculto é o mais provável, e a conduta deve ser tratar como tal.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Deverá ser realizado esvaziamento axilar completo (linfadenectomia axilar dos níveis I e II). A axila está comprometida (linfonodo palpável, endurecido, >2 cm, com mobilidade diminuída), e a biópsia confirmou metástase. Nesse cenário, a biópsia de linfonodo sentinela não é indicada (axila clinicamente positiva); o esvaziamento axilar é o tratamento padrão para controle locorregional e estadiamento. O esvaziamento axilar completo é a conduta correta e necessária.
Gabarito: letra E — esvaziamento axilar completo é a conduta indicada no câncer de mama oculto com linfonodo axilar metastático comprovado.