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Questão de Medicina — Mastologia — FGV 2023

MedicinaMastologia
Código
fg064513
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Mastologia
Paciente de 43 anos de idade, sexo feminino, branca, com queixa de dor progressiva na região lateral superior da mama direita, com aparecimento de cordão fino e duro longitudinal intracutâneo, retraindo parcialmente a pele.Ao exame físico, havia presença de cordão fibroso subcutâneo tracionando a pele, de sentido longitudinal radial, dicotomizado nas proximidades da aréola. A mamografia demonstrou segmento vascular mais calibroso, ectasiado, longitudinal, no quadrante superior externo e a ultrassonografia não evidenciou alterações.De acordo com esse quadro, a melhor conduta é
  1. Afazer exérese cirúrgica da lesão.
  2. Biniciar anticoagulante com controle clínico.
  3. Cfazer calor local e uso de anti-inflamatórios.
  4. Diniciar antibióticos de amplo espectro.
  5. Efazer radioterapia na mama direita.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — fazer calor local e uso de anti-inflamatórios.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tromboflebite superficial da mama (Doença de Mondor)

Gabarito: letra C. O quadro descrito — cordão fibroso subcutâneo longitudinal, doloroso, com retração cutânea, na região lateral superior da mama, com mamografia mostrando segmento vascular ectasiado e ultrassonografia sem alterações — é a apresentação clássica da tromboflebite superficial da mama, também conhecida como doença de Mondor. A conduta é conservadora, com calor local e uso de anti-inflamatórios, sendo a alternativa C a correta.

A doença de Mondor é uma tromboflebite superficial que acomete as veias da parede torácica anterior e da mama, mais comumente a veia toracoepigástrica. O quadro clínico é característico: dor progressiva, aparecimento de um cordão fino, duro e longitudinal, que pode ser palpado sob a pele e que, ao tracioná-la, provoca um sulco ou retração cutânea. O cordão costuma ter trajeto radial em direção à aréola e pode se dicotomizar. A mamografia pode demonstrar o vaso ectasiado, mas a ultrassonografia geralmente não evidencia alterações significativas, pois o vaso é superficial.

A etiologia é variada e inclui traumatismo local, cirurgias prévias, esforço físico, infecções e, em alguns casos, associação com neoplasias, embora na maioria das vezes seja idiopática. O diagnóstico é essencialmente clínico, e os exames de imagem servem para afastar outras causas de nódulo ou massa mamária, como o câncer de mama.

O tratamento é conservador e sintomático. A base é a aplicação de calor local, que ajuda a aliviar a dor e a acelerar a resolução do processo inflamatório, associada ao uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) para controle da dor e da inflamação. A doença é autolimitada e o cordão tende a regredir espontaneamente em algumas semanas. Não há indicação de anticoagulação, antibióticos, exérese cirúrgica ou radioterapia, que são condutas inadequadas para essa condição.

A principal distinção que a banca explora é entre a tromboflebite superficial (doença de Mondor) e outras causas de dor e massa mamária, como mastite infecciosa, abscesso, carcinoma inflamatório ou trombose venosa profunda. A presença do cordão fibroso longitudinal com retração cutânea é o sinal patognomônico da doença de Mondor, e a ausência de sinais flogísticos intensos (como eritema e febre) e de alterações ultrassonográficas ajuda a diferenciá-la de processos infecciosos ou neoplásicos.

A pegadinha da questão está em induzir o candidato a pensar em um processo infeccioso (mastite) ou neoplásico (câncer de mama), que exigiriam antibióticos ou cirurgia, quando na verdade se trata de uma condição benigna e autolimitada, cuja conduta é clínica e conservadora. O reconhecimento do sinal clínico do cordão fibroso é o ponto-chave para acertar a questão.

Doença de Mondor
  • 1Tromboflebite superficial da mama
  • 2Quadro clínico
    • Cordão fibroso longitudinal
    • Retração cutânea
    • Dor progressiva
  • 3Diagnóstico
    • Essencialmente clínico
    • Mamografia: vaso ectasiado
    • USG: sem alterações
  • 4Tratamento
    • Calor local
    • Anti-inflamatórios (AINEs)
    • Anticoagulante
    • Antibióticos
    • Exérese cirúrgica
    • Radioterapia
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A exérese cirúrgica da lesão não é indicada na doença de Mondor. O tratamento é conservador, e a cirurgia é reservada para casos raros de persistência dos sintomas ou para diagnóstico diferencial com outras lesões, mas não é a primeira conduta. A lesão é uma tromboflebite superficial, benigna e autolimitada, que regride espontaneamente com medidas sintomáticas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A anticoagulação não é indicada na tromboflebite superficial da mama. Diferentemente da trombose venosa profunda, a tromboflebite superficial é um processo localizado e de baixo risco de complicações tromboembólicas, não havendo necessidade de anticoagulantes sistêmicos. O tratamento é local e sintomático.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta correta é o tratamento conservador com calor local e uso de anti-inflamatórios. O calor local ajuda a aliviar a dor e a acelerar a resolução do processo inflamatório, enquanto os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) controlam a dor e a inflamação. Essa é a conduta padrão para a doença de Mondor, que é uma condição benigna e autolimitada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O uso de antibióticos de amplo espectro não é indicado, pois não se trata de um processo infeccioso. A doença de Mondor é uma tromboflebite, ou seja, uma inflamação da parede venosa com formação de trombo, sem componente infeccioso. A ausência de sinais de infecção (febre, eritema intenso, secreção purulenta) e a ultrassonografia sem alterações reforçam o diagnóstico não infeccioso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A radioterapia na mama direita é totalmente inadequada para o tratamento da doença de Mondor. A radioterapia é utilizada no tratamento do câncer de mama, e não há nenhuma indicação para essa condição benigna. A realização de radioterapia seria um erro grave, com efeitos colaterais desnecessários.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato ao apresentar a doença de Mondor com um quadro de mastite infecciosa ou neoplasia mamária. O sinal clínico do cordão fibroso longitudinal com retração cutânea é o diferencial. Lembre-se: cordão fibroso + dor + ausência de sinais infecciosos = tromboflebite superficial, e o tratamento é conservador com calor local e anti-inflamatórios.

PEGA ESSA DICA!

Na hora da prova, ao se deparar com um cordão fibroso subcutâneo na mama, pense imediatamente em doença de Mondor. O tratamento é sempre conservador. Fique atento aos sinais de alarme que indicariam outras condições, como febre, eritema intenso, secreção purulenta (mastite/abscesso) ou nódulo irregular (neoplasia).

Gabarito: letra C

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