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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2023

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg064518
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina Fetal
Uma gestante realiza ultrassonografia com 12 semanas que encontra bexiga fetal medindo 17mm no eixo craniocaudal.Nesse caso, assinale a afirmativa correta.
  1. AÉ um exame normal, não necessitando de outros cuidados.
  2. BEsse tipo de alteração acomete fetos masculinos.
  3. CSerá necessária cirurgia fetal em caso de normodramnia.
  4. DEsses achados são compatíveis com o diagnóstico de Potter II.
  5. EDeverá ser programada punção para esvaziamento vesical.
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GabaritoB — Esse tipo de alteração acomete fetos masculinos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Megabexiga fetal: diagnóstico e conduta na ultrassonografia de 12 semanas

Gabarito: letra B. A bexiga fetal medindo 17 mm no eixo craniocaudal com 12 semanas é uma megabexiga (bexiga aumentada), e essa alteração acomete predominantemente fetos masculinos — a causa mais comum é a obstrução uretral posterior, condição muito mais frequente no sexo masculino. As demais alternativas trazem condutas ou diagnósticos incorretos para esse cenário.

A megabexiga fetal é definida como um aumento do diâmetro longitudinal da bexiga, geralmente acima do percentil 95 para a idade gestacional. Na prática, considera-se megabexiga quando o diâmetro craniocaudal da bexiga é maior que 7 mm no primeiro trimestre (entre 10 e 14 semanas). Portanto, 17 mm com 12 semanas é claramente um valor aumentado, configurando a alteração.

A principal causa de megabexiga no primeiro trimestre é a obstrução do trato urinário inferior, sendo a válvula de uretra posterior a etiologia mais comum. Essa condição é quase exclusiva do sexo masculino, o que explica a afirmativa correta. Outras causas incluem a síndrome de Prune Belly (ausência de musculatura abdominal, criptorquidia e anormalidades urinárias) e, menos frequentemente, causas neurológicas ou genéticas.

O diagnóstico de megabexiga precoce é importante porque pode evoluir para dano renal irreversível (displasia renal) e oligoidrâmnio, levando à hipoplasia pulmonar. A conduta depende da gravidade, da idade gestacional e da função renal fetal. Em casos selecionados, pode-se considerar a derivação vesicoamniótica (colocação de um shunt entre a bexiga e a cavidade amniótica) para aliviar a obstrução e preservar a função renal. No entanto, essa é uma decisão complexa, avaliada caso a caso, e não é indicada rotineiramente apenas pela presença da megabexiga.

A classificação de Potter refere-se a sequências de oligoidrâmnio por diferentes causas: Potter I (displasia renal cística), Potter II (agenesia renal bilateral), Potter III (doença renal cística) e Potter IV (obstrução do trato urinário). A megabexiga por obstrução uretral se enquadraria mais como uma causa de Potter IV, não Potter II.

A punção para esvaziamento vesical (vesicocentese) não é uma conduta terapêutica padrão para megabexiga; pode ser realizada como parte da avaliação (para análise bioquímica da urina fetal) ou durante procedimentos como a derivação, mas não como tratamento isolado.

A cirurgia fetal (como a derivação vesicoamniótica) é considerada em casos de megabexiga grave com oligoidrâmnio e função renal comprometida, não em caso de normodramnia (volume de líquido amniótico normal).

Guarde a fronteira entre as causas de megabexiga e as condutas apropriadas: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o exame é normal e não necessita de cuidados. Errado: 17 mm de bexiga com 12 semanas é um valor aumentado (megabexiga), exigindo investigação e acompanhamento especializado.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. A megabexiga fetal, especialmente quando causada por obstrução uretral (válvula de uretra posterior), acomete predominantemente fetos masculinos. Essa é a associação clássica e mais frequente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que será necessária cirurgia fetal em caso de normodramnia. Errado: a cirurgia fetal (derivação vesicoamniótica) é reservada para casos graves, geralmente com oligoidrâmnio e comprometimento da função renal. Na presença de normodramnia, a conduta é expectante e de acompanhamento.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que os achados são compatíveis com Potter II. Errado: Potter II corresponde à agenesia renal bilateral, condição incompatível com a vida e que cursa com oligoidrâmnio grave e bexiga não visualizada. A megabexiga por obstrução se enquadra melhor como Potter IV.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que deverá ser programada punção para esvaziamento vesical. Errado: a vesicocentese não é uma conduta terapêutica de rotina para megabexiga. Pode ser usada como parte da avaliação ou durante procedimentos de derivação, mas não como tratamento isolado.

Gabarito: letra B

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