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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FGV 2023

MedicinaMedicina Intensiva
Código
fg064539
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina Intensiva
Paciente de 70 anos, sexo feminino, com diagnóstico de pielonefrite complicada, evoluindo com choque séptico. No momento, encontra-se na UTI em estado grave, febril, intubada sob ventilação mecânica, sedada e recebendo noradrenalina à vazão de 0,6mcg/kg/min visando a garantir adequada estabilidade hemodinâmica. Sobre esse caso, analise as afirmativas a seguir.


I. Paciente tem indicação de receber hidrocortisona em dose de estresse, na dose de 200mg/dia.

II. Deve-se realizar um ecocardiograma à beira-leito para essa paciente, de forma a definir, por exemplo, se paciente teria indicação de expansão volêmica ou de associação de inotrópico ou segundo vasopressor.

III. Visando à melhora hemodinâmica, paciente deve ter febre corrigida, preferencialmente por métodos físicos.


Está correto o que se afirma em
  1. AI, apenas.
  2. BI e II, apenas.
  3. CI e III, apenas.
  4. DII e III, apenas.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — I, II e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Choque séptico: manejo hemodinâmico e suporte com corticosteroides

Gabarito: letra E. As três afirmativas estão corretas: há indicação de hidrocortisona em dose de estresse (200 mg/dia) no choque séptico refratário; o ecocardiograma à beira-leito é ferramenta essencial para guiar a decisão entre expansão volêmica, inotrópico ou segundo vasopressor; e a correção da febre, preferencialmente por métodos físicos, é recomendada para reduzir o consumo de oxigênio e a demanda cardiovascular. A base é o manejo do choque séptico conforme as diretrizes de sepse (Surviving Sepsis Campaign e Instituto Latino Americano de Sepse).

O choque séptico é uma forma de choque distributivo caracterizado por hipotensão persistente que exige vasopressores para manter pressão arterial média ≥ 65 mmHg e lactato > 2 mmol/L, mesmo após ressuscitação volêmica adequada. A fisiopatologia envolve vasoplegia, disfunção endotelial, hipovolemia relativa e, em muitos casos, disfunção miocárdica associada — o que torna o manejo hemodinâmico dinâmico e individualizado. A paciente do caso, em uso de noradrenalina a 0,6 mcg/kg/min, está acima do limiar de 0,25–0,5 mcg/kg/min a partir do qual se considera a adição de vasopressina, e apresenta choque refratário, cenário em que a corticoterapia em dose de estresse é recomendada.

A hidrocortisona em dose de estresse (200 mg/dia, ou 50 mg a cada 6 horas) é indicada no choque séptico refratário, ou seja, quando não se consegue manter a pressão arterial alvo apesar de ressuscitação volêmica adequada e uso de vasopressores. Os estudos ADRENAL e APROCCHSS (2018) mostraram benefícios como resolução mais rápida do choque e, no APROCCHSS, redução de mortalidade em pacientes mais graves. As metanálises recentes apontam redução mínima de mortalidade, mas melhora na resolução do choque e menor tempo de internação em UTI. A dose recomendada é exatamente 200 mg/dia, e não há benefício em doses maiores (pulsoterapia).

O ecocardiograma à beira-leito é recomendado na avaliação inicial do choque séptico para identificar disfunção miocárdica, avaliar volemia (por exemplo, diâmetro e colapsabilidade da veia cava inferior) e guiar a decisão terapêutica: se o paciente tem baixo débito cardíaco, associa-se inotrópico (como dobutamina); se há vasoplegia persistente, pode-se adicionar um segundo vasopressor (como vasopressina). Essa avaliação dinâmica é fundamental, pois a resposta à expansão volêmica depende da pré-carga e da contratilidade, que variam entre os pacientes.

A febre aumenta o consumo de oxigênio e a demanda cardiovascular, o que pode ser deletério em um paciente com choque séptico e reserva limitada. A correção da febre, preferencialmente por métodos físicos (como compressas frias e cobertores térmicos), é recomendada como parte do suporte, evitando-se o uso rotineiro de antipiréticos que podem mascarar a resposta ao tratamento ou causar efeitos adversos. O controle da temperatura é uma medida de suporte que visa reduzir o estresse metabólico e melhorar a hemodinâmica.

A pegadinha desta questão está em cada afirmativa parecer "exagerada" ou "controversa" isoladamente, mas todas estão alinhadas com as recomendações atuais para o choque séptico refratário. O candidato pode hesitar na afirmativa I (por achar que corticoides são controversos) ou na III (por achar que a febre não deve ser tratada), mas no contexto de choque refratário com noradrenalina em dose elevada, todas as medidas são indicadas. O critério decisivo é o reconhecimento do choque séptico refratário e a aplicação das diretrizes de suporte avançado.

  1. 1Ressuscitação volêmica
  2. 2Vasopressores (noradrenalina)
  3. 3Refratário (>0,25–0,5 mcg/kg/min)
  4. 4[+] Hidrocortisona 200 mg/dia
  5. 5[+] Ecocardiograma à beira-leito
  6. 6[+] Controle da febre (métodos físicos)
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Item I — ✅ Correto

A paciente tem choque séptico refratário (noradrenalina a 0,6 mcg/kg/min, acima do limiar de 0,25–0,5 mcg/kg/min), o que indica o uso de hidrocortisona em dose de estresse. A dose recomendada é 200 mg/dia (ou 50 mg a cada 6 horas), conforme as diretrizes do Instituto Latino Americano de Sepse e da Surviving Sepsis Campaign. O uso é individualizado, mas claramente indicado neste cenário de refratariedade.

Item II — ✅ Correto

O ecocardiograma à beira-leito é recomendado na avaliação do choque séptico para avaliar a função ventricular, a volemia e guiar a decisão entre expansão volêmica, associação de inotrópico (se baixo débito) ou segundo vasopressor (se vasoplegia persistente). É uma ferramenta dinâmica e essencial no manejo hemodinâmico do paciente crítico.

Item III — ✅ Correto

A correção da febre, preferencialmente por métodos físicos, é recomendada no choque séptico para reduzir o consumo de oxigênio e a demanda cardiovascular. A hipertermia aumenta o metabolismo e o trabalho cardíaco, o que pode ser prejudicial em um paciente com reserva limitada. Métodos físicos são preferidos por evitar efeitos adversos de antipiréticos e por serem mais controláveis.

Conclusão: Todos os itens estão corretos, portanto a alternativa é a letra E.

Gabarito: letra E

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