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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FGV 2023

MedicinaMedicina Intensiva
Código
fg064545
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina Intensiva
Recentemente, alguns hospitais brasileiros viveram um surto de infecções nosocomiais pelo fungo Candida auris, que apresenta resistência a diversos antifúngicos e é de difícil erradicação.

Sobre as infecções por Candida em Terapia Intensiva, assinale a afirmativa correta.
  1. AInfecção urinária por Candida krusei deve ser tratada com micafungina.
  2. BAs equinocandinas têm ação no metabolismo do ergosterol fúngico, interferindo na síntese da membrana celular.
  3. CPacientes com candidemia estão sob risco de endocardite fúngica. O tratamento para essa condição, além da infusão de antifúngico sistêmico, é cirúrgico.
  4. DNos últimos anos, as infecções fúngicas por Candidas de espécies não-albicans vêm diminuindo.
  5. EO fluconazol é um antifúngico cuja dose não necessita de correção para a função renal.
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GabaritoC — Pacientes com candidemia estão sob risco de endocardite fúngica. O tratamento para essa condição, além da infusão de antifúngico sistêmico, é cirúrgico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Infecções por Candida em Terapia Intensiva: manejo e tratamento

Gabarito: letra C. Pacientes com candidemia estão sob risco de endocardite fúngica, e o tratamento dessa condição envolve, além do antifúngico sistêmico, abordagem cirúrgica — a alternativa correta reflete a conduta recomendada para endocardite por Candida. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre o tratamento de infecções urinárias, o mecanismo de ação das equinocandinas, a epidemiologia das espécies não-albicans e a farmacocinética do fluconazol.

As infecções por Candida são um desafio crescente em Terapia Intensiva, especialmente com a emergência de espécies resistentes como a Candida auris, citada no enunciado. A candidemia — presença de Candida no sangue — é uma das infecções de corrente sanguínea mais graves em pacientes críticos, frequentemente associada ao uso de cateteres venosos centrais, que servem como porta de entrada e como superfície para formação de biofilmes fúngicos. O manejo adequado envolve a remoção do cateter, o início precoce de antifúngico e a investigação de focos metastáticos, como a endocardite.

A endocardite fúngica é uma complicação temida da candidemia, pois o fungo adere às válvulas cardíacas e forma vegetações volumosas, com alto risco de embolização e insuficiência valvar. O tratamento combina antifúngico sistêmico prolongado com intervenção cirúrgica para ressecção das vegetações e reparo ou substituição valvar. Essa abordagem combinada é o padrão de cuidado, e é exatamente o que a alternativa C descreve.

Para entender as demais alternativas, é preciso dominar três pilares: (1) a escolha do antifúngico conforme o sítio de infecção e a espécie; (2) o mecanismo de ação das classes de antifúngicos; e (3) a farmacocinética de cada fármaco. As equinocandinas (caspofungina, micafungina, anidulafungina) são a primeira escolha para candidíase invasiva grave, mas têm pouca penetração em urina, olho e sistema nervoso central — por isso não são indicadas para infecção urinária. Os azóis (fluconazol, voriconazol) inibem a síntese do ergosterol, componente essencial da membrana celular fúngica, enquanto as equinocandinas inibem a síntese de β-glucana, componente da parede celular. O fluconazol é excretado principalmente por via renal, exigindo ajuste de dose na insuficiência renal.

A epidemiologia das espécies de Candida também mudou: as espécies não-albicans (como C. glabrata, C. krusei, C. parapsilosis) vêm aumentando sua frequência, especialmente em pacientes que receberam profilaxia com azóis, e muitas apresentam resistência intrínseca ou adquirida aos antifúngicos. Esse cenário contrasta com a afirmação da alternativa D, que diz que essas infecções vêm diminuindo.

Guarde a fronteira entre o mecanismo de ação das equinocandinas (parede celular) e dos azóis (membrana celular), e entre a penetração tecidual de cada classe: é exatamente nesses pontos que as alternativas se dividem.

Infecções por Candida em UTI
  • 1Candidemia
    • Fatores de risco
      • Cateter venoso central
      • Biofilme fúngico
    • Complicações
      • Endocardite fúngica
        • Tratamento: antifúngico + cirurgia
  • 2Antifúngicos
    • Equinocandinas
      • Ação: parede celular (β-glucana)
      • Pouca penetração urinária
    • Azóis
      • Ação: membrana (ergosterol)
      • Fluconazol: ajuste renal
  • 3Espécies
    • Albicans
    • Não-albicans
      • Vêm aumentando
      • Ex.: C. krusei, C. auris
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A infecção urinária por Candida krusei não deve ser tratada com micafungina. As equinocandinas, classe da micafungina, têm pouca penetração no trato urinário, o que as torna ineficazes para infecções urinárias. Além disso, a Candida krusei é intrinsecamente resistente ao fluconazol, mas a escolha para infecção urinária recai sobre a anfotericina B desoxicolato ou a flucitosina, que atingem concentrações adequadas na urina. O erro da alternativa está em indicar uma equinocandina para um sítio onde ela não alcança concentração terapêutica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

As equinocandinas não agem no metabolismo do ergosterol. Elas inibem a síntese de β-glucana, um polissacarídeo essencial da parede celular fúngica, levando à lise osmótica do fungo. O metabolismo do ergosterol é o alvo dos azóis (fluconazol, voriconazol) e das polienos (anfotericina B), que interferem na síntese ou se ligam ao ergosterol da membrana celular. A alternativa troca o mecanismo de ação de duas classes distintas: equinocandinas atuam na parede, azóis na membrana.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta. A candidemia é um fator de risco para endocardite fúngica, especialmente em pacientes com válvulas protéticas, dispositivos intracardíacos ou uso prolongado de cateteres. O tratamento da endocardite por Candida combina antifúngico sistêmico (equinocandina ou anfotericina B lipossomal) com abordagem cirúrgica, que consiste na ressecção das vegetações e na correção ou substituição da válvula comprometida. A cirurgia é frequentemente necessária devido ao tamanho das vegetações, ao alto risco de embolização e à dificuldade de erradicação do fungo apenas com antifúngico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

As infecções por espécies não-albicans de Candida vêm aumentando, não diminuindo. Esse aumento está associado ao uso generalizado de profilaxia com azóis, que seleciona espécies resistentes como C. glabrata e C. krusei. A Candida auris, mencionada no enunciado, é um exemplo recente de espécie não-albicans com resistência múltipla e potencial de transmissão nosocomial. A alternativa inverte a tendência epidemiológica observada nas últimas décadas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O fluconazol exige correção de dose na insuficiência renal. Sua principal via de eliminação é a renal, com excreção de aproximadamente 80% da dose inalterada na urina. Em pacientes com clearance de creatinina reduzido, a dose deve ser ajustada para evitar acúmulo e toxicidade. A alternativa está errada ao afirmar que não há necessidade de correção para a função renal.

Gabarito: letra C

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