Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FGV 2023
- Código
- fg064554
- Banca
- FGV
- Órgão
- FHEMIG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Medicina Intensiva Pediátrica
- ADelirium.
- BFraqueza muscular.
- CBroncoespasmo.
- DTosse.
- EHipofosfatemia.
GabaritoD — Tosse.
Gabarito: letra D. A tosse é um mecanismo de proteção das vias aéreas e um fator essencial para o sucesso da extubação, não uma causa de falha — as demais alternativas (delirium, fraqueza muscular, broncoespasmo e hipofosfatemia) são causas reconhecidas de falha de extubação. A questão cobra o conhecimento dos fatores que predispõem à falência da extubação, conforme discutido na literatura de ventilação mecânica e medicina intensiva.
A extubação orotraqueal é o processo de retirada do tubo endotraqueal após o paciente ter tolerado o teste de ventilação espontânea. A falha de extubação ocorre quando o paciente não consegue manter a ventilação adequada ou proteger as vias aéreas após a retirada do tubo, necessitando de reintubação. Os mecanismos envolvidos são complexos e envolvem o equilíbrio entre a demanda ventilatória, a capacidade dos músculos respiratórios e a integridade das vias aéreas superiores.
A falência da extubação pode ocorrer por dois mecanismos principais: (1) incapacidade de satisfazer as demandas ventilatórias, relacionada a alterações na mecânica respiratória, fraqueza muscular ou aumento da carga; e (2) incapacidade de proteger as vias aéreas superiores e manipular secreções, relacionada a disfunção neurológica, tosse ineficaz ou obstrução de vias aéreas. A tosse efetiva é um dos critérios mais importantes para o sucesso da extubação, pois permite a eliminação de secreções e a manutenção da perviedade das vias aéreas.
Entre as causas de falha de extubação, destacam-se: delirium (que compromete a coordenação e a proteção das vias aéreas), fraqueza muscular (que reduz a capacidade de gerar fluxo expiratório e tosse eficaz), broncoespasmo (que aumenta a resistência das vias aéreas e o trabalho respiratório) e hipofosfatemia (que compromete a função muscular respiratória). A tosse, por sua vez, é um mecanismo protetor e sua presença é desejável — a ausência ou ineficácia da tosse é que predispõe à falha.
A banca explora a confusão entre a tosse como sintoma/fator de risco e a tosse como mecanismo protetor. O candidato pode ser induzido a pensar que a tosse, por ser um esforço, poderia causar falha — mas na verdade é o oposto: a tosse ineficaz ou ausente é que é um fator de risco. A tosse efetiva é um pré-requisito para a extubação segura.
O delirium é uma causa reconhecida de falha de extubação. O delirium compromete o nível de consciência, a coordenação motora e a capacidade de proteger as vias aéreas, aumentando o risco de aspiração e de falha na manutenção da perviedade das vias aéreas. Pacientes com delirium frequentemente apresentam agitação, o que pode levar à extubação acidental ou à necessidade de reintubação. O delirium é um dos critérios de falência do teste de ventilação espontânea, conforme a Tabela 2 do material de apoio, que lista "alteração do nível de consciência" e "agitação ou sonolência" como critérios de falência.
A fraqueza muscular é uma causa clássica de falha de extubação. A fraqueza dos músculos respiratórios, incluindo o diafragma, reduz a capacidade de gerar pressão inspiratória e fluxo expiratório, comprometendo a ventilação e a tosse. A fraqueza muscular pode ser decorrente de polineuropatia/miopatia do doente crítico, desnutrição, uso de corticosteroides ou distúrbios eletrolíticos. A Tabela 3 do material de apoio lista a "polineuropatia/miopatia" e a "atrofia muscular" como fatores determinantes da falência do desmame, e a fraqueza muscular é um dos principais mecanismos de falha.
O broncoespasmo é uma causa de falha de extubação. O broncoespasmo aumenta a resistência das vias aéreas, elevando o trabalho respiratório e a carga imposta aos músculos respiratórios. Isso pode levar ao desequilíbrio entre a demanda e a capacidade ventilatória, resultando em falha. A Tabela 3 do material de apoio lista o "broncoespasmo" como um fator de carga imposta aos músculos respiratórios na falência do desmame. Além disso, o broncoespasmo pode causar hiperinsuflação dinâmica (auto-PEEP), aumentando ainda mais o trabalho respiratório.
A tosse é um mecanismo de proteção das vias aéreas e um fator essencial para o sucesso da extubação, não uma causa de falha. A presença de tosse efetiva é um dos critérios avaliados antes da extubação, pois permite a eliminação de secreções e a manutenção da perviedade das vias aéreas. O material de apoio afirma que "a capacidade de proteger as vias aéreas, eliminar secreções e a presença de tosse efetiva são vitais para o sucesso da extubação". A ausência ou ineficácia da tosse é que é um fator de risco para falha, mas a tosse em si não é uma causa de falha. A banca explora a confusão entre a tosse como sintoma e a tosse como mecanismo protetor.
A hipofosfatemia é uma causa de falha de extubação. O fosfato é essencial para a função muscular, incluindo o diafragma. A hipofosfatemia compromete a contratilidade muscular, levando à fraqueza muscular respiratória e à redução da capacidade de gerar pressão inspiratória e tosse eficaz. A Tabela 3 do material de apoio lista os "distúrbios hidreletrolíticos (hipopotassemia, hipomagnesemia, hipofosfatemia, hipocalcemia)" como fatores que afetam a força dos músculos respiratórios na falência do desmame. A correção da hipofosfatemia é uma medida importante no manejo do paciente em desmame.
Gabarito: letra D — a tosse é um mecanismo protetor e não uma causa de falha de extubação.
Link permanente: /questoes/fg064554