Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FGV 2023
Medicina›Medicina Intensiva
Código
fg064557
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina Intensiva Pediátrica
Na crise hipertensiva em crianças com coartação da aorta com dilatação, a medicação mais adequada para o tratamento é o
AInibidor da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA ).
BBloqueador de Receptor de Angiotensina (BRA).
CBloqueador de Canais de Cálcio (BCC).
DBeta-bloqueador.
ETiazídico.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — Beta-bloqueador.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Crise hipertensiva na coartação da aorta: escolha do anti-hipertensivo
Gabarito: letra D. Na crise hipertensiva em crianças com coartação da aorta, o beta-bloqueador é a medicação mais adequada, pois reduz a contratilidade miocárdica e a frequência cardíaca, diminuindo o estresse sobre a aorta proximal e o risco de dissecção. Essa escolha se baseia no princípio de que, na coartação, a hipertensão é predominantemente mediada por mecanismos neuro-humorais e pelo aumento da pós-carga, e o beta-bloqueador atua diretamente nesses mecanismos, sendo a classe preferida nesse cenário específico.
A coartação da aorta é uma cardiopatia congênita caracterizada pelo estreitamento da aorta, geralmente distal à origem da artéria subclávia esquerda. Esse estreitamento aumenta a resistência ao fluxo sanguíneo, elevando a pressão arterial nos membros superiores e reduzindo-a nos membros inferiores. Na crise hipertensiva, há uma elevação aguda e grave da pressão arterial, que pode levar a lesões de órgãos-alvo, como encefalopatia, insuficiência cardíaca e dissecção aórtica. O objetivo do tratamento é reduzir a pressão arterial de forma controlada, evitando hipoperfusão de órgãos vitais.
A escolha do anti-hipertensivo na coartação da aorta deve considerar a fisiopatologia da doença. O estreitamento aórtico aumenta a pós-carga do ventrículo esquerdo, que responde com hipertrofia e aumento da contratilidade. Na crise hipertensiva, o uso de beta-bloqueadores é preferido porque eles reduzem a contratilidade miocárdica, a frequência cardíaca e o débito cardíaco, diminuindo a força de ejeção contra a obstrução e, consequentemente, o estresse na parede aórtica proximal. Isso reduz o risco de dissecção e ruptura aórtica, complicações graves da coartação. Além disso, os beta-bloqueadores são eficazes no controle da hipertensão neurogênica, que é comum nesses pacientes.
Outras classes de anti-hipertensivos, como IECA, BRA, BCC e tiazídicos, também podem ser usadas no tratamento crônico da hipertensão na coartação, mas na crise hipertensiva aguda, o beta-bloqueador é a escolha mais adequada. Os IECA e BRA podem ser úteis, mas seu efeito é mais lento e podem causar hipotensão significativa, especialmente em pacientes com estenose crítica. Os BCC, como o nifedipino, podem causar taquicardia reflexa, que aumenta o estresse na aorta. Os tiazídicos são diuréticos de ação mais lenta e não são ideais para o controle agudo da pressão arterial.
A banca explora a confusão entre o tratamento da hipertensão essencial e o da hipertensão secundária à coartação. Na hipertensão essencial, as classes de primeira linha são IECA, BRA, BCC e tiazídicos, mas na coartação, o beta-bloqueador é preferido na crise hipertensiva. O candidato que não conhece essa especificidade pode marcar uma das outras classes, que são comuns no tratamento da hipertensão em geral.
Guarde a distinção: na crise hipertensiva da coartação da aorta, o beta-bloqueador é a medicação mais adequada, pois reduz o estresse aórtico e o risco de dissecção. Essa é a chave para resolver a questão.
Crise hipertensiva na coartação da aorta
1Fisiopatologia
Estreitamento aórtico
Aumento da pós-carga
Hiperatividade simpática
2Objetivo do tratamento
Reduzir estresse aórtico
Evitar dissecção
3Medicação mais adequada
Beta-bloqueador
Reduz contratilidade
Reduz frequência cardíaca
Reduz débito cardíaco
4Outras classes (não ideais)
IECA (efeito lento, hipotensão)
BRA (efeito lento, hipotensão)
BCC (taquicardia reflexa)
Tiazídico (ação lenta)
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
O IECA é uma classe de anti-hipertensivo que age bloqueando a conversão da angiotensina I em angiotensina II, reduzindo a vasoconstrição e a retenção de sódio. Embora seja eficaz no tratamento da hipertensão em geral, na crise hipertensiva da coartação da aorta, seu efeito é mais lento e pode causar hipotensão significativa, especialmente em pacientes com estenose crítica. Além disso, não reduz diretamente o estresse aórtico como o beta-bloqueador. Portanto, não é a medicação mais adequada nesse cenário.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O BRA bloqueia os receptores AT1 da angiotensina II, produzindo efeitos semelhantes aos do IECA. Na crise hipertensiva da coartação, o BRA também não é a primeira escolha, pois seu efeito é mais lento e pode causar hipotensão. Além disso, não há evidências de que seja superior ao beta-bloqueador na redução do estresse aórtico. Portanto, não é a medicação mais adequada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O BCC, como o nifedipino, é um vasodilatador que reduz a resistência vascular periférica. Na crise hipertensiva, o BCC pode causar taquicardia reflexa, que aumenta a frequência cardíaca e o estresse na aorta, o que é indesejável na coartação. Embora seja eficaz no controle da pressão arterial, não é a escolha mais adequada nesse cenário específico.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O beta-bloqueador é a medicação mais adequada na crise hipertensiva da coartação da aorta. Ele reduz a contratilidade miocárdica, a frequência cardíaca e o débito cardíaco, diminuindo o estresse na parede aórtica proximal e o risco de dissecção. Essa classe é preferida porque atua diretamente nos mecanismos fisiopatológicos da hipertensão na coartação, que envolvem aumento da pós-carga e hiperatividade simpática.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O tiazídico é um diurético que reduz o volume intravascular e a resistência vascular periférica. Seu efeito anti-hipertensivo é mais lento e não é adequado para o controle agudo da crise hipertensiva. Na coartação da aorta, o tiazídico não reduz diretamente o estresse aórtico e pode não ser eficaz na redução rápida da pressão arterial. Portanto, não é a medicação mais adequada.