Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FGV 2023
Medicina›Medicina Intensiva
Código
fg064563
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina de emergência
Assinale a opção que indica o distúrbio eletrolítico que não cursa, por si só, com rebaixamento de nível de consciência.
AHiperpotassemia moderada a grave.
BHipercalcemia moderada a grave.
CAcidose metabólica grave.
DHipernatremia moderada a grave.
EHiponatremia moderada a grave.
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GabaritoA — Hiperpotassemia moderada a grave.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Distúrbios eletrolíticos e rebaixamento do nível de consciência
Gabarito: letra A. A hiperpotassemia moderada a grave, por si só, não cursa com rebaixamento do nível de consciência — sua manifestação clínica predominante é cardíaca (arritmias), e não neurológica. Os demais distúrbios listados (hipercalcemia, acidose metabólica grave, hipernatremia e hiponatremia moderadas a graves) são causas reconhecidas de encefalopatia e rebaixamento do sensório.
O rebaixamento do nível de consciência (RNC) é um sintoma inespecífico que reflete disfunção cerebral difusa ou do sistema reticular ativador ascendente. Entre as causas metabólicas, os distúrbios hidroeletrolíticos e acidobásicos ocupam lugar de destaque, pois alteram o ambiente iônico e osmótico do neurônio, comprometendo seu potencial de membrana e a neurotransmissão. A compreensão do mecanismo de cada distúrbio é essencial para responder à questão: enquanto alguns íons afetam diretamente a excitabilidade neuronal, outros exercem seus efeitos tóxicos predominantemente em outros órgãos, como o coração.
A hiperpotassemia é o exemplo clássico de distúrbio cuja toxicidade é primordialmente cardíaca. O potássio elevado despolariza a membrana celular, reduzindo a excitabilidade — no coração, isso se traduz em alterações eletrocardiográficas progressivas (ondas T apiculadas, alargamento do QRS, onda P ausente) e risco de arritmias ventriculares fatais. No sistema nervoso central, a hiperpotassemia raramente causa sintomas neurológicos diretos; quando presentes, são inespecíficos (fraqueza, parestesias) e não configuram rebaixamento do nível de consciência. Por isso, a hiperpotassemia é a resposta correta — ela "não cursa, por si só, com rebaixamento de nível de consciência".
Em contrapartida, os outros distúrbios têm efeito neurológico direto e bem documentado:
Hipercalcemia: o cálcio elevado reduz a excitabilidade neuronal e muscular, causando letargia, confusão, e em níveis muito altos, coma. O mecanismo envolve a estabilização da membrana neuronal e a interferência na transmissão sináptica.
Acidose metabólica grave: o pH baixo compromete a função enzimática e o metabolismo neuronal, levando a encefalopatia, rebaixamento do sensório e, em casos extremos, coma. A acidemia também causa vasodilatação cerebral e aumento da pressão intracraniana.
Hipernatremia: a hipertonicidade plasmática causa desidratação neuronal (encolhimento celular), podendo levar a letargia, irritabilidade, confusão e coma, especialmente quando a osmolaridade sobe rapidamente.
Hiponatremia: é a causa mais comum de encefalopatia por distúrbio eletrolítico. A hipotonicidade causa edema cerebral (inchaço celular), que se manifesta com cefaleia, náuseas, confusão, convulsões e rebaixamento do nível de consciência, podendo evoluir para herniação e morte.
A pegadinha da questão está em reconhecer que a hiperpotassemia, apesar de ser um distúrbio grave e potencialmente fatal, tem seu principal alvo no coração, não no cérebro. O candidato que associa "distúrbio eletrolítico grave" a "rebaixamento de consciência" automaticamente pode marcar a hiperpotassemia como causa, mas o conhecimento fisiopatológico correto a exclui.
Guarde a distinção: distúrbios que alteram a osmolaridade ou o pH (Na+, Ca2+, acidose) → encefalopatia; distúrbios que alteram a excitabilidade cardíaca (K+) → arritmias. É exatamente essa fronteira que separa as alternativas.
Distúrbios eletrolíticos e RNC
1Causam encefalopatia (RNC)
Hiponatremia (edema cerebral)
Hipernatremia (desidratação neuronal)
Hipercalcemia (reduz excitabilidade)
Acidose metabólica (compromete metabolismo)
2Não causam RNC
Hiperpotassemia (toxicidade cardíaca)
Arritmias
Alterações no ECG
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hiperpotassemia moderada a grave não cursa, por si só, com rebaixamento do nível de consciência. Sua toxicidade é predominantemente cardíaca: o potássio elevado despolariza a membrana celular, reduzindo a excitabilidade e levando a alterações eletrocardiográficas (ondas T apiculadas, alargamento do QRS) e arritmias ventriculares. Sintomas neurológicos, quando presentes, são inespecíficos (fraqueza, parestesias) e não incluem rebaixamento do sensório. É a única alternativa que não se associa diretamente a RNC.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A hipercalcemia moderada a grave cursa com rebaixamento do nível de consciência. O cálcio elevado reduz a excitabilidade neuronal, causando letargia, confusão mental e, em níveis muito elevados, coma. O mecanismo envolve a estabilização da membrana neuronal e a interferência na transmissão sináptica. Portanto, é uma causa reconhecida de encefalopatia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A acidose metabólica grave cursa com rebaixamento do nível de consciência. O pH baixo compromete o metabolismo neuronal e a função enzimática, levando a encefalopatia, confusão e coma. A acidemia também causa vasodilatação cerebral e aumento da pressão intracraniana, agravando o quadro neurológico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hipernatremia moderada a grave cursa com rebaixamento do nível de consciência. A hipertonicidade plasmática causa desidratação neuronal (encolhimento celular), levando a letargia, irritabilidade, confusão e coma, especialmente quando a osmolaridade sobe rapidamente. É uma causa clássica de encefalopatia metabólica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A hiponatremia moderada a grave cursa com rebaixamento do nível de consciência. É a causa mais comum de encefalopatia por distúrbio eletrolítico. A hipotonicidade causa edema cerebral (inchaço celular), manifestando-se com cefaleia, náuseas, confusão, convulsões e rebaixamento do sensório, podendo evoluir para herniação e morte.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação automática entre "distúrbio eletrolítico grave" e "rebaixamento de consciência". O candidato pode marcar a hiperpotassemia como causa, mas ela é o único distúrbio cuja toxicidade é primordialmente cardíaca, não neurológica. Lembre-se: K+ → coração; Na+, Ca2+ e pH → cérebro. Com esse raciocínio, você elimina a pegadinha de imediato 💪
PEGA ESSA DICA!
Para questões de distúrbios eletrolíticos e RNC, monte um mapa mental rápido: hiponatremia (edema cerebral), hipernatremia (desidratação neuronal), hipercalcemia (redução da excitabilidade), acidose (comprometimento metabólico) → todos causam encefalopatia. Hiperpotassemia → arritmias, não RNC. Essa distinção cai com frequência em provas de terapia intensiva e emergência.