Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FGV 2023
- Código
- fg064568
- Banca
- FGV
- Órgão
- FHEMIG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Medicina de emergência
- ADobutamina.
- BMilrinona.
- CLevosimendana.
- DVasopressina.
- EEpinefrina.
GabaritoD — Vasopressina.
Gabarito: letra D. A vasopressina é a única droga listada que não apresenta efeito inotrópico — ela atua como vasopressor exclusivo, promovendo vasoconstrição por meio de receptores V1, sem aumentar diretamente a contratilidade miocárdica. As demais (dobutamina, milrinona, levosimendana e epinefrina) possuem, em maior ou menor grau, ação inotrópica positiva.
O efeito inotrópico refere-se à capacidade de uma droga aumentar a força de contração do miocárdio, ou seja, melhorar a contratilidade cardíaca. Essa ação é fundamental no manejo de quadros de baixo débito cardíaco, como no choque cardiogênico e na insuficiência cardíaca descompensada. As drogas que possuem esse efeito são chamadas de inotrópicos positivos e atuam por diferentes mecanismos: agonismo de receptores beta-1 adrenérgicos (dobutamina, epinefrina), inibição da fosfodiesterase (milrinona) ou sensibilização dos miofilamentos ao cálcio (levosimendana).
Por outro lado, os vasopressores são drogas que promovem vasoconstrição, elevando a pressão arterial média (PAM) sem, necessariamente, aumentar a contratilidade. A vasopressina, também chamada de hormônio antidiurético (ADH), atua principalmente em receptores V1 localizados na musculatura lisa vascular, causando vasoconstrição. Em doses utilizadas no suporte hemodinâmico (0,01–0,04 UI/min), seu efeito é predominantemente vasopressor, sem ação inotrópica direta. É importante destacar que, embora a vasopressina possa, em algumas situações, melhorar a perfusão coronariana e indiretamente a função cardíaca, ela não é classificada como inotrópico positivo.
A distinção entre inotrópicos e vasopressores é crucial na prática clínica, especialmente no manejo do choque. Enquanto os inotrópicos são indicados para aumentar o débito cardíaco em situações de baixa contratilidade, os vasopressores são utilizados para restaurar a pressão arterial em quadros de vasodilatação ou hipotensão refratária. A escolha da droga depende do perfil hemodinâmico do paciente: se há baixo débito com pressões de enchimento elevadas, opta-se por inotrópicos; se há hipotensão com resistência vascular sistêmica baixa, opta-se por vasopressores.
A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato que não domina a diferença entre inotrópico e vasopressor pode marcar uma droga com ação mista (como a epinefrina) como a exceção, quando na verdade ela possui efeito inotrópico significativo. A vasopressina, por ser um vasopressor puro, é a resposta correta.
Droga | Efeito inotrópico | Mecanismo de ação | Classificação principal |
|---|---|---|---|
Dobutamina | Sim | Agonista beta-1 adrenérgico | Inotrópico positivo |
Milrinona | Sim | Inibidor da fosfodiesterase III | Inodilatador |
Levosimendana | Sim | Sensibilizador dos miofilamentos ao cálcio | Inodilatador |
Vasopressina | Não | Agonista de receptores V1 (vasoconstrição) | Vasopressor puro |
Epinefrina | Sim | Agonista alfa e beta-adrenérgico | Misto (inotrópico + vasopressor) |
A dobutamina é um inotrópico positivo clássico, agonista dos receptores beta-1 adrenérgicos, aumentando a contratilidade e o débito cardíaco. É amplamente utilizada no choque cardiogênico e na insuficiência cardíaca descompensada. Portanto, possui efeito inotrópico, não sendo a exceção pedida.
A milrinona é um inibidor da fosfodiesterase III, que aumenta os níveis de AMPc nos miócitos, resultando em efeito inotrópico positivo e vasodilatação (inodilatador). É utilizada em situações de baixo débito cardíaco, especialmente quando há disfunção de ventrículo direito ou hipertensão pulmonar. Possui, portanto, efeito inotrópico.
A levosimendana é um sensibilizador dos canais de cálcio, aumentando a sensibilidade dos miócitos ao cálcio e, consequentemente, a contratilidade cardíaca. Além disso, promove vasodilatação por abertura de canais de potássio ATP-sensíveis. É um inotrópico positivo, com efeito inodilatador, não sendo a exceção.
A vasopressina é um vasopressor exclusivo, atuando em receptores V1 na musculatura lisa vascular, promovendo vasoconstrição e elevação da PAM. Não possui efeito inotrópico direto — não aumenta a contratilidade miocárdica. É utilizada como adjuvante no choque séptico refratário à noradrenalina, mas não é classificada como inotrópico. Portanto, é a única droga da lista sem efeito inotrópico.
A epinefrina (adrenalina) é uma catecolamina com ação em receptores alfa e beta-adrenérgicos. Em doses baixas, predomina o efeito beta-1, conferindo propriedade inotrópica; em doses mais elevadas, o efeito alfa-1 (vasoconstritor) torna-se significativo. É a primeira escolha no choque anafilático e pode ser útil em bradicardia com hipotensão. Possui, portanto, efeito inotrópico, não sendo a exceção.
A banca explora a confusão entre inotrópico (aumenta a contratilidade) e vasopressor (aumenta a resistência vascular). O candidato pode pensar que a epinefrina, por ser um vasopressor potente, não tem efeito inotrópico — mas ela tem ambos. A vasopressina, por outro lado, é vasopressor puro, sem ação inotrópica direta. Fique atento a essa distinção!
Para resolver questões sobre drogas vasoativas, classifique cada droga em uma das categorias: inotrópico puro (dobutamina), inodilatador (milrinona, levosimendana), vasopressor puro (vasopressina, fenilefrina) ou misto (epinefrina, noradrenalina, dopamina). Essa classificação rápida ajuda a identificar a exceção em questões como esta.
Gabarito: letra D — a vasopressina é a única droga sem efeito inotrópico.
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