Paciente do sexo feminino, de 16 anos, é trazida à sala de emergência por familiares após apresentar crise convulsiva tônico-clônico generalizada.Paciente sabidamente epiléptica, sem outras comorbidades. Prescritos fenitoína e fenobarbital em regime ambulatorial pelo neurologista que a acompanha. Paciente chega ao prontosocorro já em pós-ictal. Nega quaisquer outros sintomas, exceto pela crise, que foi única e de curta duração.Nesse caso, assinale a opção que indica o exame que mais provavelmente diagnosticará a causa do escape convulsivo.
ATomografia computadorizada de crânio.
BDosagens de nível sérico de fenitoína e de fenobarbital.
CBioquímica, celularidade e culturas de líquido cefalorraquidiano.
DGlicemia capilar.
EToxicológico completo.
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GabaritoB — Dosagens de nível sérico de fenitoína e de fenobarbital.
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Crise convulsiva em paciente epiléptica: investigação do escape convulsivo
Gabarito: letra B. Em paciente com epilepsia conhecida, em uso regular de fenitoína e fenobarbital, que apresenta nova crise tônico-clônica generalizada, a causa mais provável do escape convulsivo é a subdosagem dos anticonvulsivantes — e o exame que confirma essa hipótese é a dosagem do nível sérico dessas medicações. A lógica é direta: a paciente já tem o diagnóstico de epilepsia e não relata sintomas novos; a crise isolada, em contexto de tratamento medicamentoso, aponta primeiro para falha terapêutica (níveis subterapêuticos), antes de se aventar causas estruturais, metabólicas ou infecciosas.
O raciocínio clínico na emergência diante de uma crise convulsiva depende fundamentalmente do contexto do paciente. Quando se trata de uma primeira crise (paciente sem diagnóstico prévio de epilepsia), a investigação é ampla: glicemia capilar, eletrólitos, hemograma, função renal e hepática, gasometria, neuroimagem (TC de crânio) e, em situações específicas, punção lombar e toxicologia. O objetivo é identificar uma causa aguda e potencialmente tratável — uma crise provocada por distúrbio metabólico, infeccioso, tóxico ou estrutural.
Já no paciente com epilepsia conhecida e em uso de medicação anticrises, a principal hipótese para um novo episódio é a não adesão ao tratamento ou níveis séricos subterapêuticos dos fármacos. É o que a literatura de emergências neurológicas destaca: a dosagem sérica de anticonvulsivantes é apropriada justamente quando há suspeita de subdosagem ou intoxicação. No caso apresentado, a paciente é sabidamente epiléptica, sem outras comorbidades, chega em pós-ictal, nega outros sintomas e teve crise única e curta — o cenário clássico de escape por falha terapêutica.
A distinção que importa aqui é entre a investigação da primeira crise e a investigação do escape convulsivo em epiléptico conhecido. Na primeira, a TC de crânio, a glicemia e o líquor têm papel central na busca de lesão aguda ou causa metabólica/infecciosa. No segundo, esses exames perdem prioridade diante da alta probabilidade de níveis inadequados da medicação. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que aplica o protocolo de "primeira crise" ao paciente epiléptico em tratamento tende a escolher a TC ou a glicemia, quando o passo mais racional e específico é verificar a concentração sérica dos fármacos que ele já usa.
Guarde o critério decisivo: paciente epiléptico em uso de anticonvulsivante + nova crise = dosar nível sérico da medicação em primeiro lugar. É essa fronteira que separa a alternativa correta das demais.
Crise convulsiva na emergência
1Primeira crise (sem epilepsia)
Glicemia capilar
Eletrólitos
TC de crânio
Líquor (se suspeita)
2Escape em epiléptico conhecido
Dosar nível sérico do anticonvulsivante
Causa mais provável: subdosagem
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A tomografia computadorizada de crânio é exame fundamental na investigação de primeira crise epiléptica, para afastar lesão estrutural aguda (hemorragia, tumor, AVC). Porém, a paciente já tem epilepsia diagnosticada, sem sinais de trauma, déficit neurológico focal ou outra suspeita de lesão aguda. A crise foi única, curta e a paciente está em pós-ictal, sem outros sintomas. Nesse contexto, a TC não é o exame que "mais provavelmente diagnosticará a causa do escape convulsivo" — a causa mais provável é farmacológica, não estrutural.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dosagem sérica de fenitoína e fenobarbital é o exame que investiga diretamente a hipótese mais provável: níveis subterapêuticos dos anticonvulsivantes, seja por não adesão, interação medicamentosa, alteração farmacocinética ou dose inadequada. Em paciente epiléptico conhecido que apresenta nova crise, a falha terapêutica é a causa mais comum de escape convulsivo, e a dosagem sérica confirma ou afasta essa suspeita de forma objetiva. É o raciocínio mais específico e direcionado ao caso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A análise do líquido cefalorraquidiano (bioquímica, celularidade e culturas) é indicada quando há suspeita de infecção do sistema nervoso central (meningite, encefalite) como causa da crise. A paciente nega febre, rigidez de nuca, cefaleia ou qualquer outro sintoma — não há elementos clínicos que justifiquem punção lombar neste momento. A crise única e curta, em epiléptica conhecida, não levanta a hipótese infecciosa como mais provável.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A glicemia capilar é um exame rápido e importante na emergência para afastar hipoglicemia ou hiperglicemia extrema como causa de crise provocada. Porém, a paciente é epiléptica conhecida, sem diabetes ou outras comorbidades, e nega outros sintomas. Embora a glicemia deva ser verificada em todo paciente com crise (é parte da avaliação inicial), ela não é o exame que "mais provavelmente diagnosticará a causa do escape convulsivo" — a hipótese farmacológica é muito mais forte neste cenário.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O toxicológico completo pesquisa drogas de abuso ou intoxicações que possam ter provocado a crise. A paciente nega uso de substâncias e não há relato de exposição a tóxicos. Embora a intoxicação por drogas seja causa de crise provocada, não há qualquer indício clínico ou epidemiológico que a torne a hipótese mais provável. A dosagem dos anticonvulsivantes que ela já usa é o exame com maior probabilidade de elucidar o caso.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato aplicar o protocolo de "primeira crise epiléptica" a uma paciente com epilepsia já diagnosticada e em tratamento. A TC de crânio, a glicemia e o líquor são exames da investigação inicial de primeira crise — mas aqui o cenário é outro: o escape convulsivo em epiléptico conhecido aponta primeiro para falha terapêutica. A palavra-chave é "sabidamente epiléptica" + "prescritos fenitoína e fenobarbital": isso redireciona o raciocínio para a dosagem sérica.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, separe mentalmente os dois cenários: primeira crise (investigação ampla: glicemia, eletrólitos, TC, líquor se suspeita) vs. crise em epiléptico em uso de anticonvulsivante (priorizar nível sérico da medicação). Essa distinção resolve a questão e evita cair no distrator da TC.