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Questão de Medicina — Nefrologia — FGV 2023

MedicinaNefrologia
Código
fg064580
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Nefrologia
Com relação ao rim esponja medular, assinale a afirmativa correta.
  1. AÉ uma condição grave, de caráter recessivo, caracterizada por cistos corticais.
  2. BEstá geralmente associada à fibrose periportal.
  3. CA alteração genética está relacionada às alterações do gen PKHD1.
  4. DGeralmente progride para doença renal crônica, a partir da 5ª década de vida.
  5. EA maioria dos pacientes é assintomática e a doença é diagnosticada com base em achados incidentais de imagem.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — A maioria dos pacientes é assintomática e a doença é diagnosticada com base em achados incidentais de imagem.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Rim em esponja medular (doença de Lenarduzzi-Cacchi-Ricci)

Gabarito: letra E. O rim em esponja medular (REM) é, na maioria dos casos, uma condição assintomática, diagnosticada incidentalmente em exames de imagem realizados por outros motivos — exatamente o que afirma a alternativa E. As demais alternativas erram ao atribuir ao REM características de outras doenças císticas renais (como a doença renal policística autossômica recessiva ou a nefronoftise), ou ao descrever uma evolução clínica que não corresponde ao seu curso tipicamente benigno.

O rim em esponja medular é um distúrbio cístico renal relativamente incomum, caracterizado por ectasia e dilatação cística dos ductos coletores medulares e papilares, o que confere ao rim um aspecto esponjoso nos exames de imagem. Diferentemente de outras doenças císticas renais de base genética bem estabelecida, o REM geralmente ocorre de forma esporádica, sem uma base genética definida, embora casos familiares tenham sido relatados. A doença é mais frequentemente diagnosticada entre 30 e 50 anos de idade, e a maioria dos pacientes permanece assintomática, sendo o achado incidental em exames de imagem (como ultrassonografia ou tomografia computadorizada) a forma mais comum de descoberta.

A evolução clínica do REM é benigna. Embora possa haver associação com defeitos de acidificação e concentração urinária, nefrocalcinose, cálculos renais e risco moderado de infecções urinárias, a progressão para doença renal crônica terminal (DRET) não é a regra. O texto de apoio é claro ao afirmar que "a evolução clínica é benigna e normalmente não está associada à DRET". Isso contrasta com outras doenças císticas, como a doença renal tubular autossômica dominante (DRTAD), que cursa com desenvolvimento de DRET entre 50 e 70 anos.

O diagnóstico do REM é feito por imagem. Historicamente, a urografia excretora era o exame de escolha, mas atualmente a urografia por tomografia computadorizada (TC) a substituiu. Os achados típicos incluem retenção do contraste nas pirâmides renais e ductos coletores císticos, com aspecto de pincel ou estriações lineares difusas. A nefrocalcinose é comum, mas não é necessária para o diagnóstico. A TC também é útil para excluir outras condições, como necrose papilar, doença renal policística autossômica dominante (DRPAD), obstrução ou pielonefrite.

A principal distinção que a questão explora é entre o REM e outras doenças císticas renais com as quais ele pode ser confundido. A doença renal policística autossômica recessiva (DRPAR), por exemplo, é uma condição grave, de herança recessiva, associada a cistos corticais e frequentemente a fibrose hepática congênita — características que não pertencem ao REM. Da mesma forma, a nefronoftise (NPHP) e a DRTAD são doenças císticas medulares com apresentação e prognóstico distintos. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que não domina as diferenças entre essas entidades tende a marcar uma alternativa que descreve outra doença.

Guarde a fronteira entre o REM (esporádico, assintomático, benigno, sem base genética definida) e as demais doenças císticas renais (genéticas, progressivas, com manifestações extrarrenais): é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Critério

Rim em Esponja Medular (REM)

Doença Renal Policística Autossômica Recessiva (DRPAR)

Doença Renal Tubular Autossômica Dominante (DRTAD)

Herança genética

Esporádico (sem base genética definida)

Autossômica recessiva

Autossômica dominante

Localização dos cistos

Medular (ductos coletores)

Cortical

Medular

Manifestações extrarrenais

Ausentes

Fibrose hepática congênita (periportal)

Ausentes

Prognóstico

Benigno (não progride para DRET)

Grave

Progressão para DRET entre 50-70 anos

Gene associado

Não identificado

PKHD1

Não especificado (na questão)

Rim em esponja medular
  • 1Características
    • Esporádico (sem gene definido)
    • Cistos medulares (ductos coletores)
    • Maioria assintomática
    • Diagnóstico incidental
    • Evolução benigna
  • 2Confusões comuns (outras doenças)
    • DRPAR (grave, recessiva, gene PKHD1)
      • Cistos corticais
      • Fibrose periportal
    • DRTAD (dominante, DRET 50-70 anos)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o REM é uma condição grave, de caráter recessivo, caracterizada por cistos corticais. Há três erros aqui: (1) o REM não é uma condição grave — sua evolução é benigna; (2) não tem caráter recessivo — ocorre de modo esporádico, sem base genética bem definida; (3) os cistos são medulares (ductos coletores medulares e papilares), não corticais. Essa descrição se aproxima muito mais da doença renal policística autossômica recessiva (DRPAR), que é grave, recessiva e cursa com cistos renais.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o REM está geralmente associada à fibrose periportal. A fibrose periportal (hepática) é uma característica da doença renal policística autossômica recessiva (DRPAR), não do REM. No REM, as manifestações são renais (ectasia de ductos coletores, nefrocalcinose, cálculos), sem associação hepática descrita. A banca troca a associação hepática de outra doença cística renal pelo REM.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a alteração genética está relacionada às alterações do gen PKHD1. O gene PKHD1 é o responsável pela doença renal policística autossômica recessiva (DRPAR). O REM, por sua vez, não tem base genética bem definida — ocorre de forma esporádica, com casos familiares raros, mas sem um gene específico identificado. A alternativa atribui ao REM a genética de outra doença cística renal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o REM geralmente progride para doença renal crônica a partir da 5ª década de vida. A evolução do REM é benigna e normalmente não está associada à doença renal crônica terminal (DRET). A progressão para DRET entre 50 e 70 anos é característica da doença renal tubular autossômica dominante (DRTAD), não do REM. A banca troca o prognóstico de outra doença cística medular pelo do REM.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a maioria dos pacientes é assintomática e a doença é diagnosticada com base em achados incidentais de imagem. É exatamente o que ocorre no REM: a maioria dos pacientes não apresenta sintomas, e o diagnóstico é feito incidentalmente em exames de imagem realizados por outros motivos. O texto de apoio confirma: "Os pacientes com REM são, em sua maioria, assintomáticos e podem ter achados incidentais nos exames de imagem".

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o rim em esponja medular e outras doenças císticas renais. As alternativas A, C e D descrevem características da doença renal policística autossômica recessiva (DRPAR) — gravidade, herança recessiva, cistos corticais, gene PKHD1, fibrose periportal — e a alternativa D descreve a evolução da doença renal tubular autossômica dominante (DRTAD). O candidato que não domina as diferenças entre essas entidades tende a marcar uma alternativa que descreve outra doença. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as doenças císticas renais na prova, monte um quadro mental com os seguintes critérios: herança genética, localização dos cistos, manifestações extrarrenais e prognóstico. O REM é esporádico, medular, sem manifestações extrarrenais e benigno; a DRPAR é recessiva, cortical, com fibrose hepática e grave; a DRTAD é dominante, medular, com DRET entre 50 e 70 anos. Essa tabela mental resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra E

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