As mucopolissacaridoses, as glicoproteinoses e as esfingolipidoses são classificadas como
Adoenças peroxissomais.
Bdoenças lisossomais.
Cdoenças mitocondriais.
Ddefeitos biossintéticos.
Edefeitos de receptores.
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GabaritoB — doenças lisossomais.
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Doenças de depósito lisossômico
Gabarito: letra B. As mucopolissacaridoses (MPS), as glicoproteinoses e as esfingolipidoses são doenças de depósito lisossômico, pois resultam da deficiência de enzimas que degradam macromoléculas no interior dos lisossomos, levando ao acúmulo desses substratos. O próprio contexto clínico confirma: a MPS I é descrita como "doença lisossômica de caráter progressivo e herança autossômica recessiva, causada pela atividade deficiente da alfa-L-iduronidase".
As doenças de depósito lisossômico (DDL) constituem um grupo de mais de 50 doenças genéticas raras, herdadas na maioria das vezes de forma autossômica recessiva, caracterizadas pela deficiência de enzimas hidrolíticas que atuam no lisossomo — a organela responsável pela digestão intracelular de macromoléculas. Quando uma dessas enzimas é deficiente ou ausente, seu substrato (glicosaminoglicanos, glicoproteínas, esfingolipídeos etc.) não é degradado e se acumula progressivamente no interior dos lisossomos, causando disfunção celular e dano multissistêmico. O acúmulo é o mecanismo fisiopatológico central: no caso da MPS I, por exemplo, ocorre "acúmulo de GAGs parcialmente degradados no interior dos lisossomos e o aumento da sua excreção na urina", com comprometimento respiratório, nervoso, musculoesquelético, gastrointestinal e cardiovascular.
A classificação das DDL baseia-se no tipo de substrato acumulado. As mucopolissacaridoses acumulam glicosaminoglicanos (GAGs), como sulfato de heparan e dermatan; as glicoproteinoses acumulam glicoproteínas (oligossacarídeos); e as esfingolipidoses acumulam esfingolipídeos (como glicocerebrosídeo na doença de Gaucher e esfingomielina na doença de Niemann-Pick). Todas compartilham o mesmo defeito de base: a deficiência de uma enzima lisossômica específica. O diagnóstico diferencial entre elas e outras doenças de armazenamento é feito por análise de GAGs e oligossacarídeos urinários, como mencionado no contexto.
A distinção crucial que a questão explora é entre o lisossomo e outras organelas/processos celulares. As doenças peroxissomais (alternativa A) decorrem de defeitos na beta-oxidação de ácidos graxos de cadeia muito longa e na biossíntese de plasmalogênios — o exemplo clássico é a adrenoleucodistrofia ligada ao X, citada no contexto como doença genética no diagnóstico diferencial de doenças desmielinizantes. As doenças mitocondriais (alternativa C) resultam de mutações no DNA mitocondrial ou nuclear que afetam a fosforilação oxidativa, como a neuropatia óptica de Leber, também mencionada no contexto. Os defeitos biossintéticos (alternativa D) e os defeitos de receptores (alternativa E) são categorias genéricas que não correspondem à fisiopatologia das DDL — embora existam doenças por defeito de receptor (como a hipercolesterolemia familiar), não é o caso das MPS, glicoproteinoses e esfingolipidoses.
A pegadinha da banca está em associar o sufixo "-ose" e o caráter de acúmulo a outras organelas, especialmente os peroxissomos, que também são organelas de degradação. O candidato que confunde lisossomo com peroxissomo erra a questão. A chave é lembrar que o lisossomo é a organela da digestão intracelular de macromoléculas, e que as doenças de depósito lisossômico são o grupo clássico de doenças por acúmulo de substrato não degradado.
Doença
Organela afetada
Substrato acumulado
Exemplo clássico
Mucopolissacaridoses (MPS)
Lisossomo
Glicosaminoglicanos (GAGs)
MPS I (deficiência de alfa-L-iduronidase)
Glicoproteinoses
Lisossomo
Glicoproteínas (oligossacarídeos)
—
Esfingolipidoses
Lisossomo
Esfingolipídeos
Doença de Gaucher, Niemann-Pick
Doenças peroxissomais
Peroxissomo
Ácidos graxos de cadeia muito longa
Adrenoleucodistrofia ligada ao X
Doenças mitocondriais
Mitocôndria
— (déficit energético)
Neuropatia óptica de Leber
Doenças de depósito lisossômico
1Mecanismo
Deficiência de enzima hidrolítica
Acúmulo de substrato no lisossomo
2Tipos (pelo substrato)
Mucopolissacaridoses → GAGs
Glicoproteinoses → glicoproteínas
Esfingolipidoses → esfingolipídeos
3Diagnóstico
GAGs e oligossacarídeos urinários
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Alternativa A — ❌ Incorreta
As doenças peroxissomais são causadas por defeitos na função dos peroxissomos, organelas responsáveis pela beta-oxidação de ácidos graxos de cadeia muito longa e pela biossíntese de plasmalogênios. O exemplo clássico é a adrenoleucodistrofia ligada ao X, citada no contexto como doença genética no diagnóstico diferencial de doenças desmielinizantes. As MPS, glicoproteinoses e esfingolipidoses não se enquadram aqui, pois o defeito enzimático é lisossômico, não peroxissomal.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
As mucopolissacaridoses, glicoproteinoses e esfingolipidoses são doenças de depósito lisossômico. O contexto confirma: a MPS I é descrita como "doença lisossômica de caráter progressivo e herança autossômica recessiva, causada pela atividade deficiente da alfa-L-iduronidase". O mecanismo é o acúmulo de substrato não degradado (GAGs, glicoproteínas, esfingolipídeos) no interior dos lisossomos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
As doenças mitocondriais resultam de mutações no DNA mitocondrial ou nuclear que afetam a fosforilação oxidativa, causando déficit energético. O exemplo clássico é a neuropatia óptica de Leber, citada no contexto. Não há relação com acúmulo de macromoléculas no lisossomo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Defeitos biossintéticos" é uma categoria genérica que se refere a erros na síntese de moléculas, não na degradação. As DDL são doenças de degradação (catabolismo), não de biossíntese (anabolismo). O defeito está na enzima que degrada, não na que sintetiza.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Defeitos de receptores" refere-se a doenças como a hipercolesterolemia familiar, em que há mutação no receptor de LDL. Nas DDL, o defeito é enzimático (na hidrolase lisossômica), não em receptores de membrana.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre lisossomo e peroxissomo — ambas são organelas de degradação, mas com funções distintas. O candidato que associa "acúmulo" a peroxissomo erra. Lembre-se: lisossomo = digestão de macromoléculas (proteínas, lipídeos, carboidratos); peroxissomo = beta-oxidação de ácidos graxos de cadeia muito longa e detoxificação de peróxido de hidrogênio.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela mental das organelas e suas doenças associadas: lisossomo → MPS, glicoproteinoses, esfingolipidoses; peroxissomo → adrenoleucodistrofia, síndrome de Zellweger; mitocôndria → doenças do DNA mitocondrial (neuropatia óptica de Leber, MELAS). Na prova, identifique a organela pelo substrato acumulado.