Questão de Medicina — Neurologia — FGV 2023
- Código
- fg064665
- Banca
- FGV
- Órgão
- FHEMIG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Neurologia Pediátrica
- Amiopática ou anserina.
- Bescarvante.
- Cespástica.
- Dparkinsoniana.
- Etalonante.
GabaritoA — miopática ou anserina.
Gabarito: letra A. A marcha descrita — hiperlordose lombar, base alargada e báscula da bacia por fraqueza proximal dos membros inferiores e cintura pélvica — é a marcha miopática ou anserina, típica de fraqueza muscular proximal. O diagnóstico sindrômico se faz pela associação dos três sinais: a fraqueza proximal leva à báscula da bacia, que por sua vez gera a hiperlordose compensatória e o alargamento da base para aumentar a estabilidade.
A marcha é um dos componentes mais informativos do exame neurológico, pois reflete a integração de sistemas motor, sensitivo, cerebelar e vestibular. Cada padrão de disbasia (alteração da marcha) aponta para uma topografia de lesão ou tipo de disfunção. A marcha anserina, também chamada de "marcha do pato", ocorre quando há fraqueza da musculatura proximal dos membros inferiores e da cintura pélvica. Para compensar a incapacidade de estabilizar a pelve durante o apoio unipodal, o paciente inclina o tronco alternadamente para cada lado, produzindo o balanço característico da bacia. A hiperlordose lombar surge como mecanismo compensatório para deslocar o centro de gravidade para trás, e a base alargada aumenta a superfície de sustentação, reduzindo o risco de quedas.
Essa fraqueza proximal é encontrada em diversas miopatias — como distrofias musculares, polimiosite, dermatomiosite e doença de Pompe — e também em condições não miopáticas que afetam a musculatura proximal, como algumas neuropatias e a gravidez. O importante é reconhecer o padrão: fraqueza proximal → báscula de bacia → marcha anserina. A tabela abaixo resume os principais tipos de marcha e suas causas, permitindo a diferenciação rápida:
Tipo de marcha | Descrição | Disfunção |
|---|---|---|
Anserina | Báscula de bacia, hiperlordose, base alargada | Fraqueza muscular proximal |
Escarvante | Pé caído, elevação do joelho para evitar tropeço | Fraqueza muscular distal (nervo fibular, ciático, raiz L5) |
Ceifante | Movimento circular do membro inferior | Espasticidade com predomínio extensor (hemiplegia) |
Em tesoura | Membros inferiores cruzam a linha média | Espasticidade com predomínio adutor |
Em bloco | Rigidez, passos curtos, perda do balanço dos braços | Rigidez extrapiramidal (parkinsonismo) |
Talonante | Pé bate forte no chão, dificuldade de controlar o movimento | Alteração da propriocepção (tabes dorsalis) |
Atáxica | Cambaleante, incoordenada, ziguezague | Ataxia cerebelar ou sensorial |
A pegadinha desta questão está em confundir a marcha anserina com a marcha escarvante ou talonante. A escarvante é causada por fraqueza distal (pé caído), enquanto a anserina é causada por fraqueza proximal. A talonante decorre de alteração da propriocepção, não de fraqueza muscular. A marcha parkinsoniana (em bloco) apresenta rigidez e bradicinesia, sem báscula de bacia. A espástica (ceifante ou em tesoura) é marcada por hipertonia e postura anormal do membro, não por fraqueza proximal. O termo-chave do enunciado é "fraqueza proximal dos membros inferiores e da cintura pélvica", que aponta diretamente para a marcha miopática.
A banca descreve a marcha anserina com todos os seus detalhes (hiperlordose, base alargada, báscula da bacia) e o candidato pode confundir com a marcha escarvante, que também tem elevação do joelho. A diferença crucial é a topografia da fraqueza: proximal (anserina) versus distal (escarvante). A escarvante tem "pé caído" e o paciente eleva o joelho para o pé não arrastar; na anserina, o problema é a instabilidade da pelve. Fique atento a essa distinção — é o que separa a letra A da letra B.
A marcha miopática ou anserina é exatamente a descrita: hiperlordose lombar, base alargada e báscula da bacia, decorrentes de fraqueza proximal dos membros inferiores e da cintura pélvica. O paciente, ao caminhar, inclina o tronco para cada lado para compensar a fraqueza dos músculos que estabilizam a pelve, lembrando o andar de um pato. A hiperlordose é compensatória para manter o equilíbrio, e a base alargada aumenta a estabilidade. Este é o padrão clássico das miopatias proximais.
A marcha escarvante é causada por fraqueza distal, especificamente a incapacidade de flexão dorsal do pé (pé caído), secundária a lesões do nervo fibular, ciático ou raiz L5. O paciente eleva exageradamente a coxa para evitar que os artelhos esbarrem no chão. Não há báscula de bacia nem hiperlordose. O enunciado descreve fraqueza proximal, o que exclui esta alternativa.
A marcha espástica (ceifante ou em tesoura) é causada por hipertonia espástica, geralmente por lesão do trato piramidal. Na forma ceifante, o membro inferior parético descreve um semicírculo ao caminhar; na forma em tesoura, os membros cruzam a linha média. Não há fraqueza proximal com báscula de bacia. O padrão descrito no enunciado é de fraqueza, não de espasticidade.
A marcha parkinsoniana (em bloco) é caracterizada por rigidez, bradicinesia, passos curtos e perda do balanço automático dos braços. O paciente anda como um bloco, com a cabeça inclinada para frente. Não há báscula de bacia nem hiperlordose. A fraqueza proximal não faz parte do quadro parkinsoniano, que é um distúrbio extrapiramidal.
A marcha talonante é causada por alteração da propriocepção, como na tabes dorsalis (neurossífilis). O paciente não percebe a posição dos pés e os bate fortemente contra o chão, com a base alargada e olhar fixo para o solo. Embora haja base alargada, não há báscula de bacia nem hiperlordose por fraqueza proximal. A causa é sensitiva, não muscular.
Gabarito: letra A
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