Aeromoça de 40 anos, saudável, com acuidade visual melhor corrigida de 20/20 em ambos os olhos, míope de 5,50, estável há 3 anos, sem miidopsias, sem fotopsia (flashes) e com teste da tela de Amsler negativo para maculopatias, deseja submeter-se à cirurgia refrativa.Nas avaliações oftalmológicas de rotina, foram evidenciadas alterações do padrão periférico das retinas em ambos os olhos, fortemente sugestivas de degeneração periférica em treliça.A respeito desse caso, assinale a afirmativa correta.
AA degeneração periférica em treliça, paliçada ou lattice apresenta uma rede de finas linhas brancas, arborescentes e há aderências do vítreo nas margens da lesão, com tendências à rotura, mas a maioria dos pacientes com degeneração em treliça, não desenvolve o descolamento de retina.
BA degeneração em treliça, pavimentosa ou em paliçada, ocorre nos quadrantes temporais superiores, sendo responsáveis por 70% dos descolamentos de retina em míopes que não receberam um tratamento profilático periférico com fotocoagulação a laser.
CA paciente deve ser submetida à fotocoagulação periférica profilática com laser amarelo, mais indicado nas degenerações pavimentosas e, posteriormente, poderá ser submetida à cirurgia refrativa, desde que pela técnica de laser in situ keratomileusis, a mais indicada para evitar o descolamento de retina.
DA paciente não necessita submeter-se à fotocoagulação periférica profilática do descolamento de retina, pois não apresenta fotopsia ou miidopsias, com miopia estável nos últimos anos e a degeneração pavimentosa raramente causa o descolamento de retina.
EA paciente deve ser submetida à fotocoagulação periférica profilática com laser verde, mais indicado nas degenerações pavimentosas e, posteriormente, poderá ser submetida à cirurgia refrativa, desde que pela técnica de photorefractive keratectomy, a mais indicada para evitar o descolamento de retina.
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GabaritoA — A degeneração periférica em treliça, paliçada ou lattice apresenta uma rede de finas linhas brancas, arborescentes e há aderências do vítreo nas margens da lesão, com tendências à rotura, mas a maioria dos pacientes com degeneração em treliça, não desenvolve o descolamento de retina.
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Degeneração periférica em treliça (lattice) e cirurgia refrativa
Gabarito: letra A. A degeneração periférica em treliça (lattice) é a lesão degenerativa periférica mais comum e a que mais se associa ao descolamento de retina, mas a maioria dos pacientes com essa condição nunca desenvolverá o descolamento — a alternativa A descreve corretamente a morfologia (rede de finas linhas brancas arborescentes, com aderências vítreas nas margens) e o prognóstico (tendência à rotura, porém baixa incidência de descolamento). As demais alternativas erram ao indicar fotocoagulação profilática indiscriminada, ao localizar a lesão em quadrantes incorretos ou ao atribuir percentuais e técnicas sem respaldo.
A degeneração em treliça (lattice degeneration) é uma alteração degenerativa da retina periférica caracterizada por áreas de afinamento retiniano, com perda do tecido neural e esclerose dos vasos, formando um aspecto de "treliça" ou "paliçada". Histologicamente, observa-se uma rede de finas linhas brancas, que correspondem a vasos escleróticos e adelgaçados, e há aderências vítreas anormais nas margens da lesão — exatamente o que a alternativa A descreve. Essas aderências exercem tração sobre a retina, criando uma tendência à formação de roturas (buracos ou rasgaduras), que são o mecanismo fisiopatológico do descolamento regmatogênico de retina.
Apesar dessa associação, o risco real de descolamento em pacientes com degeneração em treliça é relativamente baixo. Estudos clássicos mostram que a prevalência da degeneração em treliça na população geral é de cerca de 7-10%, mas a incidência de descolamento de retina nesses pacientes ao longo da vida é de aproximadamente 1-2%. Ou seja, a grande maioria dos portadores de lattice nunca desenvolverá descolamento. Por isso, a conduta padrão é o acompanhamento periódico, e não a fotocoagulação profilática de rotina. A fotocoagulação profilática é reservada para casos selecionados, como: olho contralateral de paciente com descolamento por rotura em lattice, presença de roturas sintomáticas, alta miopia com lesões múltiplas, ou história familiar forte — mas não é indicada apenas pela presença da degeneração em si.
No caso da paciente, temos uma mulher de 40 anos, míope de 5,50 D (miopia moderada), com degeneração em treliça bilateral, porém assintomática (sem miodesopsias, sem fotopsias, tela de Amsler negativa). A miopia é um fator de risco para degeneração em treliça e para descolamento de retina, mas a ausência de sintomas e a estabilidade da miopia indicam baixo risco imediato. A conduta correta é o acompanhamento regular com mapeamento de retina, sem necessidade de fotocoagulação profilática. Quanto à cirurgia refrativa, a presença de degeneração em treliça não é contraindicação absoluta, mas exige avaliação cuidadosa e acompanhamento pós-operatório, pois a cirurgia refrativa (especialmente LASIK) pode aumentar o risco de descolamento em olhos com predisposição, devido à manipulação do globo ocular e à alteração biomecânica.
A pegadinha central desta questão é a confusão entre as diferentes degenerações periféricas e suas indicações de tratamento. A degeneração pavimentosa (paving stone) é uma lesão benigna, sem associação significativa com descolamento de retina, e não requer tratamento. Já a degeneração em treliça tem maior potencial de rotura, mas mesmo assim a maioria não descola. As alternativas C e E erram ao indicar fotocoagulação profilática de rotina, e ainda confundem os tipos de laser (amarelo vs. verde) e as técnicas cirúrgicas (LASIK vs. PRK), sem base científica para essas escolhas específicas. A alternativa B erra a localização (a degeneração em treliça é mais comum nos quadrantes temporais, mas não exclusivamente superiores) e o percentual de 70% é exagerado. A alternativa D erra ao afirmar que a degeneração pavimentosa raramente causa descolamento — isso é verdade, mas a paciente tem degeneração em treliça, não pavimentosa, e a ausência de sintomas não elimina a necessidade de acompanhamento.
Guarde a distinção entre as degenerações periféricas e suas condutas: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Degenerações periféricas da retina: Em treliça (lattice) (Rede de finas linhas brancas, Aderências vítreas nas margens, Tendência à rotura, Maioria não descola, Conduta: acompanhamento); Pavimentosa (paving stone) (Benigna, Sem associação com descolamento, Sem tratamento); Fotocoagulação profilática (Seletiva, não rotineira, Casos: olho contralateral com descolamento, Casos: roturas sintomáticas, Casos: alta miopia com lesões múltiplas)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão a degeneração em treliça: "rede de finas linhas brancas, arborescentes" (vasos escleróticos), "aderências do vítreo nas margens da lesão" (tração vítrea), "tendências à rotura" (risco de buracos/rasgaduras) e, crucialmente, "a maioria dos pacientes com degeneração em treliça não desenvolve o descolamento de retina" — o que é verdadeiro e fundamenta a conduta conservadora. É a única alternativa que acerta a morfologia, a fisiopatologia e o prognóstico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que a degeneração em treliça ocorre "nos quadrantes temporais superiores" — na verdade, a localização mais comum é nos quadrantes temporais (superior e inferior), mas não exclusivamente superiores. Além disso, o percentual de "70% dos descolamentos de retina em míopes" é um exagero sem respaldo na literatura; a degeneração em treliça está associada a uma parcela dos descolamentos, mas não nessa proporção. A alternativa também sugere que a ausência de tratamento profilático seria a causa, o que é uma simplificação incorreta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Indica fotocoagulação periférica profilática com "laser amarelo" como conduta de rotina, o que não é recomendado para degeneração em treliça assintomática. A fotocoagulação profilática é seletiva, não rotineira. Além disso, a técnica de LASIK não é "a mais indicada para evitar o descolamento de retina" — na verdade, o LASIK pode aumentar o risco de descolamento em olhos com degeneração periférica, e a escolha entre LASIK e PRK deve considerar múltiplos fatores, não apenas o risco de descolamento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa confunde degeneração em treliça com degeneração pavimentosa. A paciente tem degeneração em treliça, não pavimentosa. Embora a degeneração pavimentosa raramente cause descolamento, a treliça tem maior potencial. Além disso, a ausência de fotopsia ou miodesopsias não elimina a necessidade de acompanhamento — a degeneração em treliça pode ser assintomática e ainda assim evoluir para rotura. A conduta correta é acompanhamento, não a simples dispensa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Assim como a C, indica fotocoagulação profilática de rotina com "laser verde", o que não é recomendado. A escolha do tipo de laser (verde vs. amarelo) não é determinante para a profilaxia de descolamento. A técnica de PRK (photorefractive keratectomy) não é "a mais indicada para evitar o descolamento" — embora a PRK possa ter menor risco biomecânico que o LASIK, a decisão deve ser individualizada, e a degeneração em treliça não contraindica a cirurgia refrativa, mas exige acompanhamento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as degenerações periféricas (treliça vs. pavimentosa) e a indicação de fotocoagulação profilática. O candidato pode achar que toda degeneração em treliça exige laser, mas a regra é: a maioria não descola, e a fotocoagulação é seletiva. Além disso, as alternativas C e E trocam os tipos de laser e técnicas cirúrgicas sem fundamento — fique atento a esses detalhes.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de degeneração periférica, memorize a tríade: (1) treliça = risco de rotura, mas maioria não descola; (2) pavimentosa = benigna, sem tratamento; (3) fotocoagulação profilática = apenas em casos selecionados (olho contralateral com descolamento, roturas sintomáticas, alta miopia com lesões múltiplas). Na dúvida, a conduta conservadora com acompanhamento é a mais segura.