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Questão de Medicina — Oftalmologia — FGV 2023

MedicinaOftalmologia
Código
fg064689
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Oftalmologia
Mulher de 68 anos refere pequena alteração visual, alcançando 20/20 e 20/25 com correção óptica e relata leve metamorfopsia, sem fotopsia ou moscas volantes. Na tela de Amsler, percebeu pequenas distorções ao focar com o olho esquerdo.Após um ano, a acuidade visual corrigida do olho direito era de 20/20 e a do olho esquerdo 20/80. No exame biomicroscópico do segmento posterior, nota-se o anel de Weiss e a presença do sinal de Watzke-Allen. A tomografia de coerência óptica revelou um descolamento anelar da retina neurossensorial.Esses sinais e sintomas sugerem
  1. Acoroidopatia central serosa no olho esquerdo, com indicação para fotocoagulação com laser de diodo verde, técnica em grid macular suave e injeções intravítreas de fatores antiangiogênicos.
  2. Bburaco macular no olho esquerdo, com indicação para remoção do vítreo cortical posterior, peeling da membrana limitante interna e emprego de gás, com prognóstico reservado.
  3. Cdegeneração macular relacionada à idade, forma seca, com indicação para aplicação de injeções intravítreas de fatores antiangiogênicos e uso de antioxidantes orais.
  4. Ddegeneração macular relacionada à idade, forma úmida, com indicação para aplicação de injeções intravítreas de fatores angiogênicos e uso de antioxidantes orais.
  5. Edegeneração macular relacionada à idade, com membrana epirretiniana secundária, contração e enrugamento da hialoide anterior, já com indicação para fotocoagulação a laser de diodo verde e injeções de antiangiogênicos, como o aflibercepte.
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GabaritoB — buraco macular no olho esquerdo, com indicação para remoção do vítreo cortical posterior, peeling da membrana limitante interna e emprego de gás, com prognóstico reservado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Buraco macular: diagnóstico e conduta

Gabarito: letra B. O quadro descrito — metamorfopsia, anel de Weiss, sinal de Watzke-Allen positivo e descolamento anelar da retina neurossensorial na OCT — é clássico de buraco macular, cuja conduta é a vitrectomia via pars plana com remoção do vítreo cortical posterior, peeling da membrana limitante interna e tamponamento com gás. As demais alternativas confundem o diagnóstico com coroidopatia central serosa ou degeneração macular relacionada à idade (DMRI), que têm apresentações clínicas e terapêuticas distintas.

O buraco macular é uma solução de continuidade (defeito) que acomete a retina neurossensorial na região foveal, geralmente decorrente de tração vitreomacular. A fisiopatologia clássica envolve o descolamento posterior do vítreo (DPV) incompleto, que mantém aderências vitreofoveais e exerce tração anteroposterior e tangencial sobre a fóvea. Essa tração leva à separação das camadas retinianas, formando o buraco. O anel de Weiss é o achado biomicroscópico que indica a ocorrência de DPV completo — é o anel glial que se desprende da margem do disco óptico. O sinal de Watzke-Allen é um teste subjetivo em que o paciente, ao olhar para uma fina faixa de luz projetada sobre a mácula, percebe uma interrupção (defeito) na linha, confirmando a presença do buraco. Na OCT, o buraco macular se manifesta como uma perda tecidual anelar (em formato de "anel") da retina neurossensorial, com bordas elevadas e edema cistoide adjacente.

O tratamento cirúrgico do buraco macular consiste na vitrectomia via pars plana (VPP), com três tempos principais: (1) remoção do vítreo cortical posterior — para aliviar a tração vitreomacular; (2) peeling da membrana limitante interna (MLI) — para remover a tração tangencial residual e aumentar as taxas de fechamento anatômico; e (3) tamponamento com gás (geralmente perfluoropropano a 15% ou hexafluoreto de enxofre a 20%) — para manter a retina justaposta e permitir a cicatrização. O prognóstico é diretamente relacionado ao tempo de evolução e ao diâmetro do buraco: buracos menores e mais recentes têm melhores resultados anatômicos e funcionais. A acuidade visual final costuma ser limitada, mesmo com fechamento anatômico, justificando o prognóstico reservado mencionado na alternativa correta.

É fundamental distinguir o buraco macular das outras condições listadas. A coroidopatia central serosa (CCS) cursa com descolamento seroso da retina neurossensorial, mas sem solução de continuidade — na OCT, observa-se líquido sub-retiniano sem perda tecidual, e o sinal de Watzke-Allen é negativo. A DMRI seca caracteriza-se por drusas e alterações do epitélio pigmentar da retina (EPR), sem neovascularização; a DMRI úmida (exsudativa) apresenta neovascularização de coroide, com descolamento seroso ou hemorrágico, mas também sem o defeito anelar típico do buraco macular. A membrana epirretiniana (MER) causa metamorfopsia e tração tangencial, mas não forma o buraco anelar; na OCT, observa-se uma membrana hiperrefletiva sobre a superfície retiniana, com apagamento da depressão foveal, mas sem perda tecidual.

A pegadinha central desta questão é a associação dos sinais patognomônicos: o anel de Weiss (DPV) + sinal de Watzke-Allen positivo + descolamento anelar na OCT formam uma tríade que só se encaixa no buraco macular. As alternativas que mencionam DMRI ou CCS ignoram esses achados específicos e propõem tratamentos inadequados (antiangiogênicos, laser, antioxidantes), que não têm papel no fechamento do buraco macular. A conduta correta é cirúrgica, e não clínica.

1Fisiopatologia
DPV incompleto
Tração vitreomacular
Perda tecidual anelar na fóvea
2Sinais patognomônicos
Anel de Weiss (DPV completo)
Watzke-Allen positivo
OCT: descolamento anelar
3Conduta (VPP)
Remoção do vítreo cortical posterior
Peeling da MLI
Tamponamento com gás
4Prognóstico
Reservado (depende do estágio e tempo)
Buraco macular
LEVELsoulevel.com.br
Buraco macular: Fisiopatologia (DPV incompleto, Tração vitreomacular, Perda tecidual anelar na fóvea); Sinais patognomônicos (Anel de Weiss (DPV completo), Watzke-Allen positivo, OCT: descolamento anelar); Conduta (VPP) (Remoção do vítreo cortical posterior, Peeling da MLI, Tamponamento com gás); Prognóstico (Reservado (depende do estágio e tempo))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A coroidopatia central serosa (CCS) é um descolamento seroso da retina neurossensorial na mácula, geralmente em adultos jovens, associado a estresse e uso de corticosteroides. Na CCS, o sinal de Watzke-Allen é negativo e a OCT mostra líquido sub-retiniano sem defeito anelar. O tratamento de primeira linha é observação (a maioria resolve espontaneamente em 3-4 meses); a fotocoagulação a laser ou a terapia fotodinâmica são reservadas para casos persistentes com pontos de vazamento extrafoveais, e os antiangiogênicos não são a primeira escolha. A alternativa erra tanto no diagnóstico quanto na conduta.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve com precisão o diagnóstico e o tratamento do buraco macular. Os sinais clínicos (metamorfopsia, anel de Weiss, Watzke-Allen positivo) e a OCT (descolamento anelar da retina neurossensorial) são patognomônicos. A conduta cirúrgica — vitrectomia via pars plana com remoção do vítreo cortical posterior, peeling da MLI e tamponamento com gás — é o padrão-ouro. O prognóstico é reservado porque o resultado funcional depende do estágio do buraco e do tempo de evolução, com melhora visual limitada mesmo após o fechamento anatômico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A DMRI seca é caracterizada por drusas e atrofia do EPR, sem neovascularização. Não há indicação de antiangiogênicos intravítreos na forma seca — esses fármacos são usados apenas na forma exsudativa (úmida). O uso de antioxidantes orais (fórmula AREDS) é indicado para DMRI intermediária, mas não para buraco macular. A alternativa erra ao diagnosticar DMRI seca em um quadro de buraco macular e ao propor tratamento com antiangiogênicos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A DMRI úmida (exsudativa) apresenta neovascularização de coroide, com descolamento seroso ou hemorrágico da retina, mas não cursa com anel de Weiss nem sinal de Watzke-Allen positivo. O tratamento com antiangiogênicos intravítreos é correto para DMRI úmida, mas o diagnóstico está errado. Além disso, a alternativa menciona "fatores angiogênicos" (que estimulariam a neovascularização) em vez de "antiangiogênicos" — um erro conceitual grave, pois o tratamento visa bloquear o VEGF, não estimulá-lo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A membrana epirretiniana (MER) causa metamorfopsia e tração tangencial, mas não forma buraco anelar na OCT. O anel de Weiss e o sinal de Watzke-Allen positivo não são características da MER. O tratamento da MER sintomática é a vitrectomia com peeling da membrana, mas não há indicação de fotocoagulação a laser nem de antiangiogênicos. A alternativa mistura conceitos de diferentes patologias e propõe uma conduta inadequada.

Gabarito: letra B — buraco macular com indicação de vitrectomia via pars plana, peeling da MLI e tamponamento com gás, com prognóstico reservado.

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