Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — FGV 2023
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
fg064714
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ortopedia e traumatologia
Na afecção conhecida como tálus vertical congênita,
Ao calcâneo encontra-se plantígrado e o tálus verticalizado.
Bexiste um equinismo do calcâneo que se encontra em varo acentuado e rodado lateralmente.
Cexiste um equinismo do calcâneo que se encontra em varo acentuado e rodado medialmente.
Dexiste um equinismo do calcâneo que se encontra em valgo acentuado e rodado lateralmente.
Eo tálus encontra-se verticalizado e o calcâneo plantígrado em valgo acentuado.
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GabaritoD — existe um equinismo do calcâneo que se encontra em valgo acentuado e rodado lateralmente.
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Tálus vertical congênita: deformidade do pé
Gabarito: letra D. Na tálus vertical congênita, o calcâneo encontra-se em equino (flexão plantar), valgo acentuado e rodado lateralmente, enquanto o tálus está verticalizado — essa é a descrição clássica da deformidade, que a alternativa D reproduz corretamente.
A tálus vertical congênita é uma deformidade rara do pé, presente ao nascimento, caracterizada por uma luxação dorsal da articulação talonavicular, com o tálus posicionado verticalmente (daí o nome) e o restante do pé deslocado para trás e para fora em relação a ele. Para entender a deformidade, é essencial dominar os termos descritivos usados em ortopedia: equino refere-se à flexão plantar do pé (como na ponta dos pés), calcâneo valgo significa que o calcâneo está desviado para fora (lateralmente) em relação ao eixo da perna, e rotação lateral indica que a porção anterior do calcâneo está voltada para fora.
Na prática, o pé apresenta uma aparência de "fundo de cadeira de balanço" (rocking-bottom), com a planta do pé convexa e o antepé em abdução e dorsiflexão. O diagnóstico é clínico e confirmado por radiografias, que mostram o tálus verticalizado em relação ao calcâneo, que está em equino. O tratamento geralmente é cirúrgico, com a redução da articulação talonavicular e a correção das deformidades ósseas e de partes moles.
A confusão mais comum é com o pé torto congênito (talipes equinovarus), no qual o calcâneo está em equino, mas em varo (desviado para dentro) e rodado medialmente — exatamente o oposto do que ocorre na tálus vertical. Enquanto na tálus vertical o calcâneo é valgo e rodado lateralmente, no pé torto ele é varo e rodado medialmente. Essa distinção é o ponto central da questão e o que separa as alternativas corretas das incorretas.
A banca explora justamente essa inversão: o candidato que confunde as duas deformidades tende a marcar a alternativa que descreve o pé torto (varo e rotação medial) como se fosse a tálus vertical. Guarde o par: tálus vertical = calcâneo equino, valgo e rotação lateral; pé torto = calcâneo equino, varo e rotação medial.
Deformidade
Posição do calcâneo
Rotação do calcâneo
Tálus
Tálus vertical congênita
Equino (flexão plantar)
Valgo acentuado e rodado lateralmente
Verticalizado
Pé torto congênito (talipes equinovarus)
Equino (flexão plantar)
Varo acentuado e rodado medialmente
Não verticalizado (posição normal)
Tálus vertical congênita
1Calcâneo
Equino (flexão plantar)
Valgo acentuado
Rodado lateralmente
2Tálus
Verticalizado
3Pé em "cadeira de balanço"
4Pé torto congênito (diagnóstico diferencial)
Calcâneo
Equino
Varo acentuado
Rodado medialmente
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o calcâneo está plantígrado (apoiado no chão) e o tálus verticalizado. O erro está no calcâneo: na tálus vertical, o calcâneo não está plantígrado, mas sim em equino (flexão plantar). O tálus verticalizado está correto, mas a posição do calcâneo invalida a alternativa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Descreve o calcâneo em equino, mas em varo acentuado e rodado medialmente. Essa é a descrição do pé torto congênito (talipes equinovarus), não da tálus vertical. Na tálus vertical, o calcâneo é valgo e rodado lateralmente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Também descreve o calcâneo em equino, varo e rodado medialmente — novamente a descrição do pé torto congênito. O erro é o mesmo da alternativa B: a inversão de valgo para varo e de rotação lateral para medial.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve corretamente a deformidade: calcâneo em equino, valgo acentuado e rodado lateralmente. Essa é a posição clássica do calcâneo na tálus vertical congênita, acompanhada da verticalização do tálus.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o tálus está verticalizado e o calcâneo plantígrado em valgo acentuado. O erro está no calcâneo: ele não está plantígrado, mas em equino. A verticalização do tálus está correta, mas a posição do calcâneo invalida a alternativa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a descrição da tálus vertical pela do pé torto congênito. Na tálus vertical, o calcâneo é valgo e rodado lateralmente; no pé torto, é varo e rodado medialmente. Se você memorizar essa diferença, elimina as alternativas B e C na hora.
NÃO CAIA NESSA!
Para fixar, associe: tálus vertical = pé em "cadeira de balanço" (planta convexa) com calcâneo valgo; pé torto = pé em "clava" (varo e supinado) com calcâneo varo. Nas provas, a banca costuma inverter esses dois quadros — leia sempre com atenção se o calcâneo está em valgo ou varo.
Gabarito: letra D — a única que descreve corretamente o calcâneo em equino, valgo acentuado e rodado lateralmente na tálus vertical congênita.