Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — FGV 2023
- Código
- fg064720
- Banca
- FGV
- Órgão
- FHEMIG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Ortopedia e traumatologia
- AOccipto / C1.
- BC1 / C2.
- CC2 / C3.
- DC3 / C4.
- EC4 / C5.
GabaritoB — C1 / C2.
Gabarito: letra B. Na artrite reumatoide (AR), a instabilidade cervical mais característica e temida é a subluxação atlantoaxial, ou seja, entre C1 (atlas) e C2 (áxis), decorrente da sinovite que afrouxa o ligamento transverso e as estruturas de suporte do dente do áxis. É o nível mais acometido, e a alternativa correta é a que aponta C1/C2.
A artrite reumatoide é uma doença inflamatória crônica e sistêmica, autoimune, que ataca principalmente as articulações sinoviais. Na coluna cervical, o processo inflamatório (sinovite) atinge as articulações e os ligamentos, especialmente na transição craniocervical. O ponto crítico é a articulação atlantoaxial (C1-C2), onde o ligamento transverso mantém o processo odontoide de C2 contra o arco anterior de C1. A sinovite crônica nessa região pode enfraquecer e até romper esse ligamento, permitindo que C1 deslize para frente sobre C2 — a chamada subluxação atlantoaxial. Essa condição é potencialmente grave, pois pode comprimir a medula espinhal e levar a déficits neurológicos ou até morte súbita.
O acometimento da coluna cervical na AR é clássico e bem documentado. Embora a doença possa afetar outros níveis, a subluxação atlantoaxial (C1-C2) é a mais frequente e a mais estudada. Outros padrões incluem a subluxação subaxial (abaixo de C2) e a invaginação basilar (protrusão do dente do áxis para o forame magno), mas a pergunta é específica sobre o nível mais comum, que é C1/C2.
A banca explora o conhecimento da localização anatômica preferencial da AR na coluna. O candidato que sabe que a AR "adora" a região cervical alta, especialmente a articulação atlantoaxial, acerta a questão. A confusão pode surgir com a articulação atlanto-occipital (C0-C1), que também pode ser afetada, mas é menos comum que a atlantoaxial. A alternativa A (Occipto/C1) é um distrator plausível, pois a AR também pode causar dor e rigidez nessa articulação, mas a subluxação típica e mais prevalente é em C1-C2.
Para fixar: na AR, o pescoço é um ponto de atenção. A instabilidade mais temida é a atlantoaxial (C1-C2), que pode ser assintomática ou causar dor cervical alta, mielopatia e até morte súbita por compressão bulbar. O rastreio com radiografias dinâmicas (flexão e extensão) é fundamental antes de procedimentos que exijam manipulação cervical, como intubação orotraqueal.
A subluxação na articulação atlanto-occipital (C0-C1) é rara na AR. A AR acomete preferencialmente a articulação atlantoaxial (C1-C2), onde a sinovite afeta o ligamento transverso e permite o deslizamento anterior de C1 sobre C2. A articulação C0-C1 é mais estável e menos suscetível a esse tipo de instabilidade.
A subluxação atlantoaxial (C1-C2) é a manifestação mais comum e característica da AR na coluna cervical. A sinovite crônica enfraquece o ligamento transverso, que normalmente mantém o odontoide de C2 contra C1, permitindo a subluxação. Essa condição pode ser assintomática ou causar dor cervical alta, mielopatia e, em casos graves, compressão medular fatal.
A subluxação em C2-C3 é incomum na AR. O acometimento subaxial (abaixo de C2) pode ocorrer, mas é menos frequente que a subluxação atlantoaxial. Quando há envolvimento subaxial, os níveis mais comuns são C3-C4 e C4-C5, mas ainda assim em menor proporção que C1-C2.
A subluxação em C3-C4 é rara na AR. O padrão subaxial de acometimento é menos comum que o atlantoaxial, e quando ocorre, os níveis mais afetados são C3-C4 e C4-C5, mas a frequência é significativamente menor que a de C1-C2.
A subluxação em C4-C5 é rara na AR. Embora o acometimento subaxial possa ocorrer, a localização mais comum e característica da subluxação na AR é a atlantoaxial (C1-C2). Os níveis subaxiais são menos frequentemente afetados.
A banca tenta confundir o candidato com a articulação atlanto-occipital (C0-C1), que também pode ser afetada pela AR, mas a subluxação típica e mais prevalente é a atlantoaxial (C1-C2). A AR "adora" a região cervical alta, mas o nível mais acometido é C1-C2, não C0-C1. Lembre-se: a instabilidade mais temida é a atlantoaxial, que pode comprimir a medula.
Para decorar, associe a AR à "subluxação atlantoaxial" (C1-C2). A sinovite enfraquece o ligamento transverso, que segura o dente do áxis. Se a questão perguntar sobre o nível mais comum de subluxação na AR, a resposta é sempre C1-C2. Outros níveis (C0-C1, C2-C3, etc.) são distratores.
Gabarito: letra B
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