Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — FGV 2023
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
fg064727
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Otorrinolaringologia
Assinale a opção que apresenta achados relacionados à otosclerose.
ATimpanometria com curva Ar, efeito de Carhat, duplo contorno coclear e ausência de reflexo estapediano.
BEfeito de Carhat, duplo contorno coclear, hipoacusia geralmente bilateral e hipoacusia flutuante.
CRinne positivo em todas as frequências, hipoacusia geralmente bilateral, hipoacusia flutuante e ausência de reflexo estapediano.
DHipoacusia flutuante, ausência de reflexo estapediano, Rinne positivo em todas as frequências e timpanometria com curva Ar.
EAusência de reflexo estapediano, timpanometria com curva Ar, efeito de Carhat e Rinne positivo em todas as frequências.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — Timpanometria com curva Ar, efeito de Carhat, duplo contorno coclear e ausência de reflexo estapediano.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Otosclerose: achados clínicos e audiológicos
Gabarito: letra A. A otosclerose é uma doença óssea do ouvido médio que cursa com fixação do estribo, gerando hipoacusia condutiva, e os achados clássicos são: timpanometria com curva tipo As (Ar), efeito de Carhart, duplo contorno coclear na tomografia e ausência de reflexo estapediano. A alternativa A reúne exatamente esses quatro achados, sendo a única correta.
A otosclerose é uma doença de etiologia ainda não totalmente esclarecida, com forte componente genético e influência hormonal, caracterizada por remodelação óssea anormal da cápsula ótica. O osso esclerótico se deposita preferencialmente na janela oval, fixando a platina do estribo e impedindo a transmissão normal do som para o ouvido interno. Isso explica por que o quadro clínico típico é de hipoacusia condutiva, geralmente bilateral e de progressão lenta, que começa na idade adulta jovem, mais comum em mulheres, podendo piorar na gestação.
O diagnóstico é essencialmente clínico e audiológico. Na audiometria, observa-se perda auditiva condutiva, com gap aéreo-ósseo, mais acentuada nas frequências graves. Um achado clássico é o efeito de Carhart: uma depressão do limiar ósseo em torno de 2.000 Hz, que não representa perda neurosensorial real, mas sim um artefato da fixação estapediana — após a cirurgia, esse limiar ósseo melhora. Na imitanciometria, a timpanometria mostra curva tipo As (ou Ar, como aparece na questão), ou seja, complacência reduzida, com pico de pressão normal, refletindo o enrijecimento do sistema tímpano-ossicular. O reflexo estapediano está ausente justamente porque o estribo está fixo e não consegue se movimentar em resposta ao estímulo sonoro. Na tomografia computadorizada de ossos temporais, o sinal clássico é o duplo contorno coclear, que corresponde à desmineralização da cápsula ótica ao redor da cóclea.
É importante distinguir a otosclerose de outras causas de hipoacusia condutiva, como a otite média secretora, que cursa com curva tipo B e reflexo ausente, mas sem efeito de Carhart; e a disfunção tubária, que também pode dar curva tipo C. A hipoacusia flutuante, citada em algumas alternativas, é típica da doença de Ménière, que é uma hipoacusia neurosensorial, não condutiva. O Rinne positivo em todas as frequências indica audição normal ou perda neurosensorial, não condutiva — na otosclerose, o Rinne é negativo (ou seja, a via óssea é melhor que a aérea) nas frequências graves, justamente pela fixação do estribo.
A pegadinha da banca está em misturar achados de outras doenças, especialmente a hipoacusia flutuante (Ménière) e o Rinne positivo (que contraria a natureza condutiva da otosclerose). O candidato que decora os achados sem entender o mecanismo fisiopatológico acaba marcando uma alternativa que mistura sinais de doenças diferentes. Guarde o conjunto: curva As + Carhart + duplo contorno + reflexo ausente = otosclerose clássica.
Critério
Otosclerose (gabarito A)
Doença de Ménière (distrator)
Tipo de perda auditiva
Condutiva (fixação do estribo)
Neurosensorial
Timpanometria
Curva As (Ar) — complacência reduzida
Curva tipo A (normal)
Reflexo estapediano
Ausente
Presente (nas fases iniciais)
Rinne
Negativo nas frequências graves
Positivo
Flutuação auditiva
Ausente (progressão lenta)
Presente (hipoacusia flutuante)
Achado de imagem
Duplo contorno coclear (TC)
Sem achado específico na TC
Efeito de Carhart
Presente
Ausente
Otosclerose
1Achados clássicos
Curva As (complacência reduzida)
Efeito de Carhart (2 kHz)
Duplo contorno coclear (TC)
Reflexo estapediano ausente
2Distratores
Hipoacusia flutuante (Ménière)
Rinne positivo em todas as frequências
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Reúne os quatro achados clássicos da otosclerose: timpanometria com curva Ar (tipo As, complacência reduzida), efeito de Carhart (depressão do limiar ósseo em 2 kHz), duplo contorno coclear (TC de ossos temporais) e ausência de reflexo estapediano (fixação do estribo). Todos são compatíveis com o mecanismo de fixação estapediana e remodelação óssea da cápsula ótica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O erro está em incluir hipoacusia flutuante, que é um achado típico da doença de Ménière (hipoacusia neurosensorial com flutuação), não da otosclerose. Na otosclerose, a hipoacusia é condutiva, progressiva e geralmente bilateral, mas não flutuante. Os demais achados (Carhart, duplo contorno, bilateralidade) são corretos, mas a presença de um sinal de outra doença torna a alternativa incorreta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Apresenta Rinne positivo em todas as frequências, o que é incompatível com a otosclerose. Na otosclerose, o Rinne é negativo nas frequências graves, pois a via óssea é melhor que a aérea devido à fixação do estribo. Rinne positivo em todas as frequências sugere audição normal ou perda neurosensorial. Além disso, inclui hipoacusia flutuante, que não faz parte do quadro.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Repete os erros das anteriores: hipoacusia flutuante (Ménière) e Rinne positivo em todas as frequências (incompatível com perda condutiva). Embora traga curva Ar e ausência de reflexo estapediano, que são achados corretos, a mistura com sinais de outras doenças invalida a alternativa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O erro está no Rinne positivo em todas as frequências, que contraria a natureza condutiva da otosclerose. Na otosclerose, o Rinne é negativo nas frequências graves. Os demais achados (reflexo ausente, curva Ar, Carhart) são corretos, mas a presença do Rinne positivo torna a alternativa incorreta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura achados de doenças diferentes para confundir. A hipoacusia flutuante é da doença de Ménière, não da otosclerose. O Rinne positivo em todas as frequências indica audição normal ou perda neurosensorial, não condutiva. Na otosclerose, o Rinne é negativo nas frequências graves. Identifique o mecanismo: fixação do estribo → perda condutiva → Rinne negativo, reflexo ausente, curva As.
PEGA ESSA DICA!
Para otosclerose, memorize o conjunto: curva As + Carhart + duplo contorno + reflexo ausente. Se aparecer hipoacusia flutuante, pense em Ménière; se aparecer Rinne positivo em todas as frequências, descarte perda condutiva. Esses são os dois distratores clássicos da banca.