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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2023

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
fg064737
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Otorrinolaringologia
Sobre a apneia do sono em crianças, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.


( ) As crianças com apneia do sono, em geral, não têm sonolência diurna, mas podem ter hiperatividade, comportamento rebelde, agressividade, isolamento social e distúrbios no aprendizado e na atenção.


( ) As crianças com apneia não tratada têm hipertrofia ventricular esquerda, cor pulmonale e hipertensão sistêmica.


( ) A enurese noturna está presente em 8% a 25% das crianças com apneia obstrutiva do sono e em 4% das sem apneia obstrutiva do sono.


As afirmativas são, na ordem apresentada, respectivamente,
  1. AV – V – F.
  2. BV – F – V.
  3. CF – V – V.
  4. DV – V – V.
  5. EF – F – F.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — V – F – V.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Apneia obstrutiva do sono em crianças: manifestações clínicas e comorbidades

Gabarito: letra B (V – F – V). A primeira afirmativa é verdadeira: crianças com apneia obstrutiva do sono (AOS) frequentemente não apresentam sonolência diurna, mas sim hiperatividade, comportamento rebelde, agressividade, isolamento social e distúrbios de aprendizado e atenção. A segunda é falsa: a hipertrofia ventricular decorrente da AOS não tratada é predominantemente direita (por hipertensão pulmonar e cor pulmonale), não esquerda. A terceira é verdadeira: a enurese noturna ocorre em 8% a 25% das crianças com AOS, contra 4% das sem AOS.

A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio respiratório do sono caracterizado por episódios repetidos de obstrução parcial ou completa das vias aéreas superiores durante o sono, levando a dessaturação de oxigênio e despertares frequentes. Em crianças, a prevalência estimada é de 1% a 5%, com pico entre 2 e 8 anos, coincidindo com o período de maior crescimento das amígdalas e adenoides — a principal causa de obstrução nessa faixa etária. O diagnóstico é confirmado por polissonografia, e o tratamento de primeira linha é a amigdalectomia, que reverte a apneia em mais de 70% das crianças com peso normal, porém em menos de 50% das obesas.

O quadro clínico da AOS infantil difere marcadamente do adulto. Enquanto o adulto típico apresenta sonolência diurna excessiva, a criança frequentemente manifesta sintomas paradoxais: hiperatividade, déficit de atenção, irritabilidade e dificuldades escolares. Isso ocorre porque a fragmentação do sono e a hipoxemia intermitente afetam o desenvolvimento neurocognitivo e comportamental de forma diferente na infância. A enurese noturna é uma comorbidade clássica, explicada pela dificuldade de despertar durante os episódios de apneia e pela pressão intratorácica negativa que estimula a produção de urina.

As complicações cardiovasculares da AOS não tratada incluem hipertensão pulmonar, cor pulmonale e hipertensão sistêmica. A hipertrofia ventricular, quando presente, é tipicamente do ventrículo direito, secundária à sobrecarga pressórica do circuito pulmonar. A hipertrofia ventricular esquerda pode ocorrer em casos avançados, mas não é a alteração predominante nem a mais precoce — a banca explora exatamente essa inversão.

A pegadinha central desta questão está na segunda afirmativa: a troca de "ventrículo direito" por "ventrículo esquerdo". O candidato que memoriza que a AOS causa hipertrofia ventricular pode marcar V sem perceber o erro. A distinção é fisiopatológica: a obstrução das vias aéreas gera hipoxemia e hipercapnia, que causam vasoconstrição pulmonar e hipertensão pulmonar, sobrecarregando o ventrículo direito. O cor pulmonale é a consequência final desse processo.

Guarde o critério decisivo: na AOS infantil, o coração é afetado pelo lado direito (pulmão → ventrículo direito), não pelo esquerdo. É exatamente nessa inversão que as alternativas se separam.

1Sintomas diurnos
Hiperatividade
Déficit de atenção
Irritabilidade
Sonolência diurna (rara)
2Complicações cardiovasculares
Hipertensão pulmonar
Cor pulmonale
Hipertrofia ventricular direita
Hipertrofia ventricular esquerda (não é a típica)
3Comorbidades
Enurese noturna (8–25%)
Dificuldade escolar
Obesidade
AOS infantil: manifestações
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AOS infantil: manifestações: Sintomas diurnos (Hiperatividade, Déficit de atenção, Irritabilidade, Sonolência diurna (rara)); Complicações cardiovasculares (Hipertensão pulmonar, Cor pulmonale, Hipertrofia ventricular direita, Hipertrofia ventricular esquerda (não é a típica)); Comorbidades (Enurese noturna (8–25%), Dificuldade escolar, Obesidade)

Afirmativa 1 — ✅ Verdadeira

A afirmativa está correta. Crianças com AOS raramente apresentam sonolência diurna como sintoma principal; em vez disso, manifestam hiperatividade, comportamento rebelde, agressividade, isolamento social e prejuízos no aprendizado e na atenção. Esse padrão paradoxal é bem documentado na literatura pediátrica: a fragmentação do sono e a hipoxemia intermitente afetam o córtex pré-frontal, responsável pelo controle executivo e comportamental, resultando em sintomas que mimetizam TDAH. O diagnóstico diferencial entre AOS e TDAH é, inclusive, um desafio clínico frequente.

Afirmativa 2 — ❌ Falsa

A afirmativa está incorreta ao afirmar que a hipertrofia ventricular é esquerda. Na AOS não tratada, a hipertensão pulmonar decorrente da hipoxemia crônica sobrecarrega o ventrículo direito, levando a hipertrofia ventricular direita e, em casos avançados, cor pulmonale. A hipertensão sistêmica pode ocorrer, mas a hipertrofia ventricular esquerda não é a alteração cardíaca característica da AOS infantil. A banca inverteu o lado do coração para testar o conhecimento fisiopatológico.

Afirmativa 3 — ✅ Verdadeira

A afirmativa está correta. A enurese noturna é significativamente mais prevalente em crianças com AOS (8% a 25%) do que naquelas sem a condição (4%). Os mecanismos envolvidos incluem a dificuldade de despertar durante os episódios de apneia, o aumento da pressão intratorácica negativa que estimula a liberação de peptídeo natriurético atrial e a redução do limiar de despertar. A enurese pode ser um sintoma de apresentação da AOS e tende a melhorar após o tratamento cirúrgico.

NÃO CAIA NESSA!

Para questões de AOS infantil, memorize o tripé clínico: (1) sintomas diurnos paradoxais (hiperatividade, déficit de atenção — não sonolência), (2) complicações cardiovasculares do lado direito (hipertensão pulmonar, cor pulmonale, hipertrofia ventricular direita), (3) comorbidades clássicas (enurese, dificuldade escolar, obesidade). A banca adora inverter o lado do coração e trocar sonolência por hiperatividade.

Gabarito: letra B (V – F – V).

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