Paciente de 67 anos, tabagista, apresenta tosse há 3 semanas. Tomografia de tórax com massa pulmonar central à direita. Faz uso de rivaroxabana devido à fibrilação atrial e ácido acetil salicílico (AAS) 100mg/dia devido ao histórico de revascularização miocárdica há 3 anos.Em relação às recomendações para realização de broncoscopia diagnóstica, o mais correto seria
Amanter rivaroxabana e AAS.
Bsuspender rivaroxabana e AAS com 5 dias de antecedência.
Csuspender AAS com 7 dias de antecedência e manter rivaroxabana.
Dsuspender rivaroxabana com 3 dias de antecedência e manter AAS.
Etrocar rivaroxabana por heparina de baixo peso molecular e suspender 12h antes do procedimento, além de suspender o AAS 7 dias antes.
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GabaritoD — suspender rivaroxabana com 3 dias de antecedência e manter AAS.
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Manejo perioperatório de anticoagulantes e antiagregantes em broncoscopia diagnóstica
Gabarito: letra D. Em procedimentos broncoscópicos diagnósticos, o risco hemorrágico é baixo, permitindo manter o AAS (antiagregante) e suspender apenas o anticoagulante (rivaroxabana) por um período curto antes do exame — no caso, 3 dias. A conduta mais correta é suspender a rivaroxabana 3 dias antes e manter o AAS, conforme as diretrizes de manejo perioperatório de antitrombóticos.
A broncoscopia diagnóstica é um procedimento com risco hemorrágico baixo, especialmente quando comparada a procedimentos cirúrgicos maiores. O manejo de anticoagulantes e antiagregantes nesse contexto segue princípios de equilíbrio entre o risco de sangramento do procedimento e o risco trombótico da suspensão da medicação. A rivaroxabana é um anticoagulante oral direto (inibidor do fator Xa) usado na fibrilação atrial para prevenção de AVC; o AAS é um antiagregante plaquetário usado após revascularização miocárdica para prevenção de novos eventos coronarianos.
A regra geral para procedimentos de baixo risco hemorrágico é manter o AAS (a suspensão do AAS é recomendada apenas em procedimentos de alto risco, como neurocirurgia ou cirurgia ocular posterior) e suspender o anticoagulante por um período que depende da meia-vida da droga. Para a rivaroxabana, a recomendação é suspender 3 dias antes do procedimento (para função renal normal), pois sua meia-vida é de aproximadamente 5 a 9 horas em pacientes jovens, podendo se estender em idosos. O AAS, por ser antiagregante com efeito irreversível sobre as plaquetas, teoricamente exigiria 7 dias para recuperação plaquetária completa, mas em procedimentos de baixo risco o sangramento é mínimo e o benefício de manter a proteção cardiovascular supera o risco.
Na prática, o raciocínio é: (1) identificar o risco hemorrágico do procedimento (broncoscopia diagnóstica = baixo); (2) identificar o risco trombótico do paciente (FA com rivaroxabana = alto risco de AVC se suspender por muito tempo; AAS pós-RM = alto risco de trombose de stent se suspender); (3) aplicar a regra: procedimento de baixo risco → manter antiagregante, suspender anticoagulante pelo menor tempo possível. A alternativa D espelha exatamente essa lógica: suspende a rivaroxabana (anticoagulante) por 3 dias e mantém o AAS (antiagregante).
A pegadinha da banca está em inverter o manejo: muitos candidatos suspendem o AAS (por ser "mais fácil" ou por confundir com procedimentos de alto risco) e mantêm a rivaroxabana, ou suspendem ambos por períodos longos, ignorando o risco trombótico. A chave é lembrar que procedimento de baixo risco hemorrágico + antiagregante = manter; anticoagulante = suspender com antecedência adequada.
Manejo antitrombótico em broncoscopia diagnóstica
1Risco hemorrágico do procedimento
Baixo (broncoscopia diagnóstica)
Alto (neurocirurgia, ocular posterior)
2Antiagregante (AAS)
Baixo risco: manter
Alto risco: suspender 7 dias
3Anticoagulante (rivaroxabana)
Suspender antes do procedimento
Prazo: 3 dias (função renal normal)
Ponte com HBPM só em alto risco
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Manter rivaroxabana e AAS é incorreto porque a rivaroxabana, como anticoagulante, aumenta o risco de sangramento durante a broncoscopia, mesmo sendo procedimento de baixo risco. A suspensão do anticoagulante é sempre necessária, ainda que por curto período, para minimizar o risco hemorrágico. O AAS poderia ser mantido, mas a rivaroxabana não.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Suspender rivaroxabana e AAS com 5 dias de antecedência é incorreto por dois motivos: (1) suspender o AAS em procedimento de baixo risco hemorrágico é desnecessário e aumenta o risco trombótico (especialmente em paciente com stent coronariano); (2) o prazo de 5 dias para a rivaroxabana é maior que o necessário (3 dias é o recomendado para função renal normal), expondo o paciente a risco trombótico desnecessário.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Suspender AAS com 7 dias de antecedência e manter rivaroxabana inverte completamente a conduta correta. O AAS não deve ser suspenso em procedimento de baixo risco hemorrágico (7 dias é prazo para procedimentos de alto risco), e a rivaroxabana deve ser suspensa, não mantida, pois é o principal fator de risco hemorrágico.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Suspender rivaroxabana com 3 dias de antecedência e manter AAS é a conduta correta. A rivaroxabana, por ser anticoagulante, deve ser suspensa antes de qualquer procedimento invasivo; o prazo de 3 dias é adequado para sua meia-vida (5-9h, estendida em idosos). O AAS, por ser antiagregante e o procedimento ter baixo risco hemorrágico, deve ser mantido para proteger o paciente do risco trombótico (stent coronariano).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Trocar rivaroxabana por heparina de baixo peso molecular (HBPM) e suspender 12h antes, além de suspender o AAS 7 dias antes, é conduta excessiva e incorreta para um procedimento de baixo risco hemorrágico. A ponte com HBPM é indicada apenas em procedimentos de alto risco hemorrágico ou quando o anticoagulante precisa ser suspenso por período prolongado. Suspender o AAS por 7 dias é desnecessário e aumenta o risco trombótico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre risco hemorrágico do procedimento e risco trombótico do paciente. O candidato tende a suspender tudo (AAS + anticoagulante) por medo de sangramento, mas em broncoscopia diagnóstica (baixo risco) o AAS deve ser mantido. A pegadinha está em inverter: quem suspende o AAS e mantém a rivaroxabana (alternativa C) ou suspende ambos por período longo (alternativa B) erra por não considerar o risco trombótico do stent coronariano.
PEGA ESSA DICA!
Para procedimentos de baixo risco hemorrágico (broncoscopia diagnóstica, endoscopia digestiva alta, biópsias superficiais), a regra é: manter antiagregante (AAS) e suspender anticoagulante (rivaroxabana, varfarina, DOACs) pelo menor tempo possível. Para procedimentos de alto risco (neurocirurgia, prostatectomia, cirurgia ocular posterior), suspender ambos com antecedência maior e considerar ponte com HBPM. Memorize: baixo risco = mantém AAS; alto risco = suspende AAS 7 dias antes.