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Questão de Medicina — Pneumologia — FGV 2023

MedicinaPneumologia
Código
fg064758
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Pneumologia
Paciente de 67 anos, tabagista, apresenta tosse há 3 semanas. Tomografia de tórax com massa pulmonar central à direita. Faz uso de rivaroxabana devido à fibrilação atrial e ácido acetil salicílico (AAS) 100mg/dia devido ao histórico de revascularização miocárdica há 3 anos.Em relação às recomendações para realização de broncoscopia diagnóstica, o mais correto seria
  1. Amanter rivaroxabana e AAS.
  2. Bsuspender rivaroxabana e AAS com 5 dias de antecedência.
  3. Csuspender AAS com 7 dias de antecedência e manter rivaroxabana.
  4. Dsuspender rivaroxabana com 3 dias de antecedência e manter AAS.
  5. Etrocar rivaroxabana por heparina de baixo peso molecular e suspender 12h antes do procedimento, além de suspender o AAS 7 dias antes.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — suspender rivaroxabana com 3 dias de antecedência e manter AAS.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Manejo perioperatório de anticoagulantes e antiagregantes em broncoscopia diagnóstica

Gabarito: letra D. Em procedimentos broncoscópicos diagnósticos, o risco hemorrágico é baixo, permitindo manter o AAS (antiagregante) e suspender apenas o anticoagulante (rivaroxabana) por um período curto antes do exame — no caso, 3 dias. A conduta mais correta é suspender a rivaroxabana 3 dias antes e manter o AAS, conforme as diretrizes de manejo perioperatório de antitrombóticos.

A broncoscopia diagnóstica é um procedimento com risco hemorrágico baixo, especialmente quando comparada a procedimentos cirúrgicos maiores. O manejo de anticoagulantes e antiagregantes nesse contexto segue princípios de equilíbrio entre o risco de sangramento do procedimento e o risco trombótico da suspensão da medicação. A rivaroxabana é um anticoagulante oral direto (inibidor do fator Xa) usado na fibrilação atrial para prevenção de AVC; o AAS é um antiagregante plaquetário usado após revascularização miocárdica para prevenção de novos eventos coronarianos.

A regra geral para procedimentos de baixo risco hemorrágico é manter o AAS (a suspensão do AAS é recomendada apenas em procedimentos de alto risco, como neurocirurgia ou cirurgia ocular posterior) e suspender o anticoagulante por um período que depende da meia-vida da droga. Para a rivaroxabana, a recomendação é suspender 3 dias antes do procedimento (para função renal normal), pois sua meia-vida é de aproximadamente 5 a 9 horas em pacientes jovens, podendo se estender em idosos. O AAS, por ser antiagregante com efeito irreversível sobre as plaquetas, teoricamente exigiria 7 dias para recuperação plaquetária completa, mas em procedimentos de baixo risco o sangramento é mínimo e o benefício de manter a proteção cardiovascular supera o risco.

Na prática, o raciocínio é: (1) identificar o risco hemorrágico do procedimento (broncoscopia diagnóstica = baixo); (2) identificar o risco trombótico do paciente (FA com rivaroxabana = alto risco de AVC se suspender por muito tempo; AAS pós-RM = alto risco de trombose de stent se suspender); (3) aplicar a regra: procedimento de baixo risco → manter antiagregante, suspender anticoagulante pelo menor tempo possível. A alternativa D espelha exatamente essa lógica: suspende a rivaroxabana (anticoagulante) por 3 dias e mantém o AAS (antiagregante).

A pegadinha da banca está em inverter o manejo: muitos candidatos suspendem o AAS (por ser "mais fácil" ou por confundir com procedimentos de alto risco) e mantêm a rivaroxabana, ou suspendem ambos por períodos longos, ignorando o risco trombótico. A chave é lembrar que procedimento de baixo risco hemorrágico + antiagregante = manter; anticoagulante = suspender com antecedência adequada.

Manejo antitrombótico em broncoscopia diagnóstica
  • 1Risco hemorrágico do procedimento
    • Baixo (broncoscopia diagnóstica)
    • Alto (neurocirurgia, ocular posterior)
  • 2Antiagregante (AAS)
    • Baixo risco: manter
    • Alto risco: suspender 7 dias
  • 3Anticoagulante (rivaroxabana)
    • Suspender antes do procedimento
    • Prazo: 3 dias (função renal normal)
    • Ponte com HBPM só em alto risco
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Manter rivaroxabana e AAS é incorreto porque a rivaroxabana, como anticoagulante, aumenta o risco de sangramento durante a broncoscopia, mesmo sendo procedimento de baixo risco. A suspensão do anticoagulante é sempre necessária, ainda que por curto período, para minimizar o risco hemorrágico. O AAS poderia ser mantido, mas a rivaroxabana não.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Suspender rivaroxabana e AAS com 5 dias de antecedência é incorreto por dois motivos: (1) suspender o AAS em procedimento de baixo risco hemorrágico é desnecessário e aumenta o risco trombótico (especialmente em paciente com stent coronariano); (2) o prazo de 5 dias para a rivaroxabana é maior que o necessário (3 dias é o recomendado para função renal normal), expondo o paciente a risco trombótico desnecessário.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Suspender AAS com 7 dias de antecedência e manter rivaroxabana inverte completamente a conduta correta. O AAS não deve ser suspenso em procedimento de baixo risco hemorrágico (7 dias é prazo para procedimentos de alto risco), e a rivaroxabana deve ser suspensa, não mantida, pois é o principal fator de risco hemorrágico.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Suspender rivaroxabana com 3 dias de antecedência e manter AAS é a conduta correta. A rivaroxabana, por ser anticoagulante, deve ser suspensa antes de qualquer procedimento invasivo; o prazo de 3 dias é adequado para sua meia-vida (5-9h, estendida em idosos). O AAS, por ser antiagregante e o procedimento ter baixo risco hemorrágico, deve ser mantido para proteger o paciente do risco trombótico (stent coronariano).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Trocar rivaroxabana por heparina de baixo peso molecular (HBPM) e suspender 12h antes, além de suspender o AAS 7 dias antes, é conduta excessiva e incorreta para um procedimento de baixo risco hemorrágico. A ponte com HBPM é indicada apenas em procedimentos de alto risco hemorrágico ou quando o anticoagulante precisa ser suspenso por período prolongado. Suspender o AAS por 7 dias é desnecessário e aumenta o risco trombótico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre risco hemorrágico do procedimento e risco trombótico do paciente. O candidato tende a suspender tudo (AAS + anticoagulante) por medo de sangramento, mas em broncoscopia diagnóstica (baixo risco) o AAS deve ser mantido. A pegadinha está em inverter: quem suspende o AAS e mantém a rivaroxabana (alternativa C) ou suspende ambos por período longo (alternativa B) erra por não considerar o risco trombótico do stent coronariano.

PEGA ESSA DICA!

Para procedimentos de baixo risco hemorrágico (broncoscopia diagnóstica, endoscopia digestiva alta, biópsias superficiais), a regra é: manter antiagregante (AAS) e suspender anticoagulante (rivaroxabana, varfarina, DOACs) pelo menor tempo possível. Para procedimentos de alto risco (neurocirurgia, prostatectomia, cirurgia ocular posterior), suspender ambos com antecedência maior e considerar ponte com HBPM. Memorize: baixo risco = mantém AAS; alto risco = suspende AAS 7 dias antes.

Gabarito: letra D

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