Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FGV 2023
Medicina›Medicina Intensiva
Código
fg064761
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Pneumologia
Paciente de 43 anos, sexo feminino, história de obesidade, realizou cirurgia plástica abdominal há 4 dias.Retorna ao hospital com quadro clínico de dor torácica tipo pleurítica, início súbito após levantar da cama, dispneia e taquicardia.Na emergência, o exame complementar mais indicado inicialmente é
Aa angiotomografia de tórax.
Bo d-dímero.
Co Doppler de membros inferiores.
Do Rx de tórax PA e perfil.
Ea cintilografia de ventilação e perfusão.
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GabaritoA — a angiotomografia de tórax.
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Tromboembolismo pulmonar: diagnóstico na emergência
Gabarito: letra A. A paciente apresenta quadro clássico de tromboembolismo pulmonar (TEP) — dor torácica pleurítica de início súbito, dispneia e taquicardia após cirurgia abdominal recente (fator de risco) — e, nesse cenário de alta suspeita clínica, o exame mais indicado inicialmente é a angiotomografia de tórax, que confirma o diagnóstico com alta acurácia. O d-dímero (letra B) seria útil apenas para excluir TEP em pacientes de baixa probabilidade pré-teste, não para confirmar em caso de alta suspeita.
O tromboembolismo pulmonar é uma obstrução aguda da circulação arterial pulmonar, geralmente causada por trombos originados nas veias profundas dos membros inferiores (trombose venosa profunda). O quadro clínico é inespecífico, mas a tríade descrita — dor pleurítica súbita, dispneia e taquicardia — em um paciente com fator de risco (cirurgia recente, obesidade) é altamente sugestiva. A fisiopatologia explica os sintomas: o trombo oclui um ramo da artéria pulmonar, causando infarto pulmonar (dor pleurítica) e aumento do espaço morto ventilatório (dispneia), além de sobrecarga do ventrículo direito (taquicardia).
A abordagem diagnóstica do TEP segue uma lógica de probabilidade clínica. Em pacientes com alta probabilidade pré-teste (como o caso descrito), o exame de escolha é a angiotomografia computadorizada de tórax, que tem alta sensibilidade e especificidade para detectar trombos nos vasos pulmonares. O d-dímero, por sua vez, é um exame de exclusão: tem alta sensibilidade, mas baixa especificidade, sendo útil apenas para afastar o diagnóstico em pacientes de baixa probabilidade. Solicitar d-dímero em um paciente de alta suspeita é um erro de raciocínio clínico, pois um resultado positivo não confirma o diagnóstico e um resultado negativo não o exclui com segurança nesse contexto.
Na prática, o fluxo seria: suspeita clínica → estratificação de probabilidade (escores como Wells ou Geneva) → se alta probabilidade, angiotomografia direta; se baixa probabilidade, d-dímero para excluir. O caso descrito tem alta probabilidade (cirurgia recente, obesidade, quadro típico), portanto a angiotomografia é o exame inicial mais indicado. Os demais exames listados têm papéis específicos: o Doppler de membros inferiores pesquisa trombose venosa profunda (útil quando a angiotomografia é contraindicada ou inconclusiva), o Rx de tórax é inespecífico (pode ser normal ou mostrar sinais indiretos) e a cintilografia V/Q é alternativa para pacientes com contraindicação ao contraste iodado.
A pegadinha desta questão está em confundir o papel do d-dímero: ele é um exame de exclusão para baixa probabilidade, não de confirmação para alta suspeita. A banca explora exatamente essa inversão de raciocínio — o candidato que decora "d-dímero para TEP" sem entender o contexto de probabilidade clínica erra. Guarde a fronteira: alta probabilidade → exame de imagem confirmatório (angiotomografia); baixa probabilidade → d-dímero para excluir.
1Suspeita clínica
2Estratificar probabilidade (Wells/Geneva)
3Alta probabilidade → angiotomografia
4Baixa probabilidade → d-dímero
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A angiotomografia de tórax é o exame de imagem de primeira linha para confirmar TEP em pacientes com alta probabilidade clínica. Ela permite visualizar diretamente os trombos nas artérias pulmonares, com alta sensibilidade e especificidade. No caso descrito, a paciente tem fatores de risco (cirurgia recente, obesidade) e quadro clínico típico, configurando alta suspeita — portanto, o exame mais indicado inicialmente é a angiotomografia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O d-dímero é um exame de exclusão, indicado apenas para pacientes com baixa probabilidade pré-teste de TEP. Em pacientes de alta suspeita (como o caso), solicitar d-dímero é inadequado, pois um resultado positivo não confirma o diagnóstico e um negativo não o exclui com segurança. A banca explora a confusão entre o papel do d-dímero (excluir em baixa probabilidade) e o da angiotomografia (confirmar em alta probabilidade).
Alternativa C — ❌ Incorreta
O Doppler de membros inferiores pesquisa trombose venosa profunda (TVP), que é a principal fonte de êmbolos para o TEP. No entanto, ele não é o exame inicial mais indicado para confirmar o diagnóstico de TEP em um paciente com alta suspeita — a angiotomografia é superior e mais direta. O Doppler pode ser útil em situações específicas, como quando a angiotomografia é contraindicada (ex.: insuficiência renal, alergia ao contraste) ou quando há dúvida diagnóstica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O Rx de tórax PA e perfil é um exame inespecífico no TEP: pode ser normal em até 20-30% dos casos ou mostrar sinais indiretos (como atelectasia, derrame pleural ou oligemia focal). Ele não confirma nem exclui o diagnóstico, sendo útil apenas para afastar outras causas de dor torácica (como pneumotórax ou pneumonia). Em um paciente com alta suspeita de TEP, o Rx de tórax não é o exame inicial mais indicado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A cintilografia de ventilação e perfusão (V/Q) é uma alternativa diagnóstica ao TEP, mas é reservada para pacientes com contraindicação à angiotomografia (ex.: alergia ao contraste iodado, insuficiência renal). Ela tem menor acurácia que a angiotomografia e é menos disponível na emergência. No caso descrito, sem contraindicação aparente, a angiotomografia é o exame de escolha.