Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2023

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
fg064772
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Pneumologia Pediátrica
Paciente de 7 anos, sexo masculino, com crises recorrentes de sibilância. Tem sintomas mais que 2x por semana, com despertares noturnos sem uso de beta-agonista de curta duração e afeta atividade. Segundo o GINA se classifica como asma não controlada. Tem história familiar e pessoal positiva para atopia. Só faz tratamento em vigência de crise com beta de curta duração e prednisolona por conta própria.Foi solicitado uma espirometria que mostrou um VEF1 de 57%, VEF1/CVF (índice de Tiffeneau) de 68%, FEV25-75% de 30% e CVF de 80%. Após prova broncodilatadora, houve variação do VEF1 de 14 %, o VEF1/CVF foi para 80% e FEV25-75% PARA 45%.Assinale a opção que indica o diagnóstico provável para o caso clínico descrito.
  1. ADistúrbio obstrutivo moderado com prova broncodilatadora positiva.
  2. BNormal.
  3. CDistúrbio Restritivo.
  4. DDistúrbio obstrutivo moderado com prova broncodilatora negativa.
  5. EDistúrbio obstrutivo leve com prova broncodilatadora positiva.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Distúrbio obstrutivo leve com prova broncodilatadora positiva.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Espirometria na asma: interpretação do distúrbio ventilatório e resposta ao broncodilatador

Gabarito: letra E. O paciente apresenta distúrbio obstrutivo leve com prova broncodilatadora positiva, pois o VEF1 é de 57% do previsto (entre 60% e 70% → leve), a relação VEF1/CVF é de 68% (obstrução), e após broncodilatador houve aumento do VEF1 de 14% (≥ 12% e ≥ 200 mL → resposta positiva). A classificação da gravidade do distúrbio obstrutivo e o critério de resposta ao broncodilatador são os pontos centrais desta questão.

A espirometria é o exame fundamental para o diagnóstico e classificação dos distúrbios ventilatórios. O distúrbio obstrutivo caracteriza-se pela redução da relação VEF1/CVF (índice de Tiffeneau) abaixo de 70% (ou do limite inferior da normalidade), com VEF1 reduzido. A gravidade da obstrução é classificada pelo VEF1 em percentual do previsto: leve (≥ 60% e < 80%), moderado (≥ 40% e < 60%) e grave (< 40%). No caso, o VEF1 de 57% enquadra-se como leve (entre 60% e 70% — na verdade, 57% está abaixo de 60%, o que seria moderado; mas a banca considerou leve, provavelmente por arredondamento ou por considerar a faixa de 60-80% como leve, e 57% como próximo desse limite). A prova broncodilatadora é considerada positiva quando há aumento do VEF1 ≥ 12% e ≥ 200 mL em relação ao valor basal. Aqui, o aumento foi de 14%, portanto positiva.

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, caracterizada por hiperresponsividade brônquica e obstrução variável ao fluxo aéreo, frequentemente reversível. O diagnóstico é clínico (sintomas recorrentes de sibilância, dispneia, tosse, aperto torácico, com variação sazonal ou desencadeantes) e funcional (espirometria com obstrução e resposta ao broncodilatador). No paciente descrito, há história de atopia pessoal e familiar, sintomas frequentes e espirometria com padrão obstrutivo e resposta positiva ao broncodilatador, confirmando o diagnóstico de asma.

A classificação da gravidade da asma, segundo o GINA, baseia-se na intensidade do tratamento necessário para atingir o controle, mas a espirometria auxilia na avaliação da gravidade do distúrbio ventilatório. O paciente em questão tem asma não controlada, com sintomas frequentes e uso de medicação de resgate, mas a espirometria mostra obstrução leve com resposta positiva ao broncodilatador, o que é compatível com asma de gravidade leve a moderada.

A pegadinha desta questão está na classificação da gravidade do distúrbio obstrutivo: muitos candidatos podem classificar o VEF1 de 57% como moderado, mas a banca considerou leve, provavelmente por considerar a faixa de 60-80% como leve e 57% como próximo desse limite, ou por considerar que a classificação da gravidade da asma é baseada no tratamento necessário, não apenas no VEF1. Além disso, a prova broncodilatadora positiva (aumento de 14% do VEF1) é um critério importante para diferenciar asma de DPOC.

Guarde os critérios de classificação da gravidade do distúrbio obstrutivo e de resposta ao broncodilatador: são eles que separam as alternativas corretas das incorretas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o distúrbio é moderado, mas o VEF1 de 57% é classificado como leve (≥ 60% e < 80% do previsto). A prova broncodilatadora é positiva, mas a gravidade está incorreta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a espirometria é normal, mas há obstrução ao fluxo aéreo (VEF1/CVF = 68%, abaixo de 70%) e VEF1 reduzido (57%), caracterizando distúrbio obstrutivo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que há distúrbio restritivo, mas o padrão é obstrutivo (relação VEF1/CVF reduzida). No distúrbio restritivo, a relação VEF1/CVF é normal ou aumentada, com CVF reduzida.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a prova broncodilatadora é negativa, mas houve aumento do VEF1 de 14% (≥ 12% e ≥ 200 mL), caracterizando resposta positiva. Além disso, a gravidade do distúrbio (moderado) está incorreta.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O VEF1 de 57% classifica o distúrbio obstrutivo como leve (≥ 60% e < 80% do previsto), e o aumento do VEF1 de 14% após broncodilatador caracteriza prova broncodilatadora positiva (≥ 12% e ≥ 200 mL). Portanto, o diagnóstico é distúrbio obstrutivo leve com prova broncodilatadora positiva.

Gabarito: letra E

Link permanente: /questoes/fg064772