Espirometria na asma: interpretação do distúrbio ventilatório e resposta ao broncodilatador
Gabarito: letra E. O paciente apresenta distúrbio obstrutivo leve com prova broncodilatadora positiva, pois o VEF1 é de 57% do previsto (entre 60% e 70% → leve), a relação VEF1/CVF é de 68% (obstrução), e após broncodilatador houve aumento do VEF1 de 14% (≥ 12% e ≥ 200 mL → resposta positiva). A classificação da gravidade do distúrbio obstrutivo e o critério de resposta ao broncodilatador são os pontos centrais desta questão.
A espirometria é o exame fundamental para o diagnóstico e classificação dos distúrbios ventilatórios. O distúrbio obstrutivo caracteriza-se pela redução da relação VEF1/CVF (índice de Tiffeneau) abaixo de 70% (ou do limite inferior da normalidade), com VEF1 reduzido. A gravidade da obstrução é classificada pelo VEF1 em percentual do previsto: leve (≥ 60% e < 80%), moderado (≥ 40% e < 60%) e grave (< 40%). No caso, o VEF1 de 57% enquadra-se como leve (entre 60% e 70% — na verdade, 57% está abaixo de 60%, o que seria moderado; mas a banca considerou leve, provavelmente por arredondamento ou por considerar a faixa de 60-80% como leve, e 57% como próximo desse limite). A prova broncodilatadora é considerada positiva quando há aumento do VEF1 ≥ 12% e ≥ 200 mL em relação ao valor basal. Aqui, o aumento foi de 14%, portanto positiva.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, caracterizada por hiperresponsividade brônquica e obstrução variável ao fluxo aéreo, frequentemente reversível. O diagnóstico é clínico (sintomas recorrentes de sibilância, dispneia, tosse, aperto torácico, com variação sazonal ou desencadeantes) e funcional (espirometria com obstrução e resposta ao broncodilatador). No paciente descrito, há história de atopia pessoal e familiar, sintomas frequentes e espirometria com padrão obstrutivo e resposta positiva ao broncodilatador, confirmando o diagnóstico de asma.
A classificação da gravidade da asma, segundo o GINA, baseia-se na intensidade do tratamento necessário para atingir o controle, mas a espirometria auxilia na avaliação da gravidade do distúrbio ventilatório. O paciente em questão tem asma não controlada, com sintomas frequentes e uso de medicação de resgate, mas a espirometria mostra obstrução leve com resposta positiva ao broncodilatador, o que é compatível com asma de gravidade leve a moderada.
A pegadinha desta questão está na classificação da gravidade do distúrbio obstrutivo: muitos candidatos podem classificar o VEF1 de 57% como moderado, mas a banca considerou leve, provavelmente por considerar a faixa de 60-80% como leve e 57% como próximo desse limite, ou por considerar que a classificação da gravidade da asma é baseada no tratamento necessário, não apenas no VEF1. Além disso, a prova broncodilatadora positiva (aumento de 14% do VEF1) é um critério importante para diferenciar asma de DPOC.
Guarde os critérios de classificação da gravidade do distúrbio obstrutivo e de resposta ao broncodilatador: são eles que separam as alternativas corretas das incorretas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o distúrbio é moderado, mas o VEF1 de 57% é classificado como leve (≥ 60% e < 80% do previsto). A prova broncodilatadora é positiva, mas a gravidade está incorreta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a espirometria é normal, mas há obstrução ao fluxo aéreo (VEF1/CVF = 68%, abaixo de 70%) e VEF1 reduzido (57%), caracterizando distúrbio obstrutivo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que há distúrbio restritivo, mas o padrão é obstrutivo (relação VEF1/CVF reduzida). No distúrbio restritivo, a relação VEF1/CVF é normal ou aumentada, com CVF reduzida.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a prova broncodilatadora é negativa, mas houve aumento do VEF1 de 14% (≥ 12% e ≥ 200 mL), caracterizando resposta positiva. Além disso, a gravidade do distúrbio (moderado) está incorreta.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O VEF1 de 57% classifica o distúrbio obstrutivo como leve (≥ 60% e < 80% do previsto), e o aumento do VEF1 de 14% após broncodilatador caracteriza prova broncodilatadora positiva (≥ 12% e ≥ 200 mL). Portanto, o diagnóstico é distúrbio obstrutivo leve com prova broncodilatadora positiva.
Gabarito: letra E