Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FGV 2023
Medicina›Medicina Intensiva
Código
fg064779
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Pneumologia Pediátrica
As pneumonias associadas à Ventilação Mecânica (VM) são responsáveis pelo aumento do tempo de internação em unidades de terapia intensiva.Assinale a opção que indica uma medida de prevenção das pneumonias associadas à VM.
AIndicar entubação precoce.
BTrocar circuitos de ventilação a cada 48 horas.
CManter cabeceira a zero grau.
DAspirar a secreção subglótica rotineiramente.
EUsar bloqueadores neuromusculares para facilitar a VM.
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GabaritoD — Aspirar a secreção subglótica rotineiramente.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Pneumonia associada à ventilação mecânica: prevenção
Gabarito: letra D. A aspiração da secreção subglótica é uma medida comprovadamente eficaz na prevenção da pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV), pois remove o acúmulo de secreções acima do balonete do tubo orotraqueal, que é uma das principais vias de entrada de patógenos para o trato respiratório inferior. As demais alternativas apresentam condutas que não são recomendadas ou são até prejudiciais para a prevenção da PAV, conforme as diretrizes de prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde.
A pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) é uma infecção nosocomial que ocorre em pacientes submetidos à ventilação mecânica invasiva por mais de 48 horas. É a segunda infecção hospitalar mais frequente em unidades de terapia intensiva (UTI) e a mais comum entre pacientes ventilados, acometendo cerca de 10% deles. A PAV está associada a aumento do tempo de ventilação mecânica, do tempo de internação na UTI, dos custos hospitalares e da mortalidade. Por ser considerada uma doença prevenível, sua ocorrência é um marcador de qualidade da assistência à saúde.
A patogênese da PAV envolve, principalmente, a microaspiração de secreções contaminadas da orofaringe e do trato gastrointestinal para o trato respiratório inferior. O tubo orotraqueal favorece esse processo ao manter as vias aéreas abertas, permitindo a passagem de secreções acumuladas acima do balonete. Por isso, as medidas de prevenção visam reduzir a carga microbiana da orofaringe, evitar a aspiração de secreções e minimizar o tempo de ventilação mecânica.
Entre as principais medidas de prevenção da PAV, destacam-se: elevação da cabeceira do leito a 30-45°, higiene oral com clorexidina, aspiração da secreção subglótica, evitar a troca frequente do circuito ventilatório, preferir a ventilação não invasiva quando possível, e realizar a sedação mínima com avaliação diária da possibilidade de extubação. A aspiração da secreção subglótica é uma medida específica que utiliza um tubo orotraqueal com um canal adicional para aspirar as secreções que se acumulam acima do balonete, reduzindo a incidência de PAV.
A banca explora a confusão entre medidas que parecem lógicas, mas que não são recomendadas, como a troca frequente do circuito ventilatório (que não reduz a incidência de PAV) e a manutenção da cabeceira a zero grau (que aumenta o risco de aspiração). A alternativa correta é a que apresenta uma medida comprovadamente eficaz e recomendada pelas diretrizes.
Prevenção da PAV (bundle): Cabeceira elevada 30–45°; Higiene oral com clorexidina; Aspiração subglótica; Pausa diária de sedação; Avaliação diária de extubação; Troca frequente do circuito; Cabeceira a zero grau
Alternativa A — ❌ Incorreta
A intubação precoce não é uma medida de prevenção da PAV. Pelo contrário, a intubação orotraqueal é o principal fator de risco para o desenvolvimento da PAV, pois favorece a microaspiração de secreções. A recomendação é evitar a intubação sempre que possível, preferindo a ventilação não invasiva, e realizar a extubação precoce quando o paciente estiver clinicamente estável.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A troca de circuitos de ventilação a cada 48 horas não é recomendada e não reduz a incidência de PAV. As diretrizes atuais recomendam a troca do circuito apenas quando houver sujidade visível ou mau funcionamento, e não em intervalos fixos. A troca frequente pode até aumentar o risco de contaminação e não traz benefício na prevenção da PAV.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Manter a cabeceira a zero grau é uma conduta que aumenta o risco de aspiração de secreções gastroesofágicas e, consequentemente, o risco de PAV. A recomendação é manter a cabeceira elevada a 30-45°, especialmente durante a nutrição enteral, para reduzir o refluxo e a microaspiração.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A aspiração da secreção subglótica rotineiramente é uma medida de prevenção da PAV comprovadamente eficaz. O tubo orotraqueal com aspiração subglótica permite a remoção das secreções que se acumulam acima do balonete, que são uma fonte de contaminação para o trato respiratório inferior. Essa medida reduz a incidência de PAV e é recomendada pelas principais diretrizes de prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O uso de bloqueadores neuromusculares para facilitar a VM não é uma medida de prevenção da PAV. Pelo contrário, o uso desses fármacos pode aumentar o risco de complicações, como fraqueza muscular adquirida na UTI, e não tem papel na prevenção da PAV. A sedação deve ser minimizada e a mobilização precoce é incentivada para reduzir o tempo de ventilação mecânica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato com medidas que parecem lógicas, mas que não são recomendadas. A troca frequente do circuito (alternativa B) e a cabeceira a zero grau (alternativa C) são exemplos clássicos de condutas que, embora possam parecer higiênicas ou seguras, aumentam o risco de PAV. Lembre-se: a prevenção da PAV envolve reduzir a aspiração de secreções, e não aumentar a manipulação do circuito ou manter o paciente em posição plana.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar as medidas de prevenção da PAV, lembre-se do pacote de cuidados (bundle) que inclui: elevação da cabeceira a 30-45°, higiene oral com clorexidina, aspiração subglótica, pausa diária de sedação e avaliação de extubação, e profilaxia de úlcera de estresse e trombose venosa profunda. Essas medidas são amplamente cobradas em provas de medicina intensiva e enfermagem.