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Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — FGV 2023

MedicinaDoenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
fg064838
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Reumatologia
Menina de 12 anos, com diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico, foi encaminhada ao seu hospital apresentando leucopenia, tempo de tromboplastina parcial prolongado, sedimento urinário sem dismorfismo eritrocitário, livedo reticular.



Assinale a opção que indica o teste de laboratório mais adequado para o diagnóstico desse quadro.
  1. AAnticorpo anti-β 2 glicoproteína I.
  2. BAnticorpo anti-DNA de fita dupla.
  3. CTempo de sangramento.
  4. DAnticorpo anti-histona.
  5. EAnticorpo antinuclear.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Anticorpo antinuclear.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Lúpus eritematoso sistêmico: diagnóstico laboratorial

Gabarito: letra E. O teste mais adequado para o diagnóstico do quadro é o anticorpo antinuclear (FAN/ANA), pois é o exame de triagem inicial com sensibilidade superior a 98% nos pacientes com lúpus eritematoso sistêmico (LES), sendo o primeiro teste a ser realizado na investigação da doença. Embora a paciente apresente manifestações que sugerem síndrome do anticorpo antifosfolipídio (SAF) associada — livedo reticular, tempo de tromboplastina parcial prolongado e leucopenia —, o diagnóstico do LES em si depende da positividade do FAN, que é o marcador mais sensível e o ponto de partida da investigação laboratorial.

O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune multissistêmica crônica, caracterizada pela produção de autoanticorpos e pela deposição de imunocomplexos que levam à inflamação de órgãos. O diagnóstico é essencialmente clínico-laboratorial, baseado em critérios de classificação — os mais utilizados são os do American College of Rheumatology (ACR), atualizados em 1997, que exigem a presença de pelo menos 4 dos 11 critérios, e os critérios SLICC de 2012, que exigem 4 critérios com pelo menos um achado clínico e um imunológico. Entre os critérios, destacam-se manifestações clínicas como rash malar, fotossensibilidade, artrite, serosite, distúrbios renais e hematológicos, e achados imunológicos como positividade para FAN, anti-DNA, anti-Sm e anticorpos antifosfolipídios.

A investigação laboratorial do LES segue uma hierarquia lógica. O FAN (fator antinúcleo) é o teste de triagem inicial: realizado por imunofluorescência indireta em células HEp-2, é positivo em mais de 98% dos pacientes, o que lhe confere altíssima sensibilidade, embora a especificidade seja limitada — pode ser positivo em outras doenças autoimunes, doenças crônicas e até em indivíduos saudáveis. Uma vez confirmada a positividade do FAN, parte-se para a pesquisa de autoanticorpos mais específicos, que ajudam a confirmar o diagnóstico e a caracterizar subtipos da doença: o anti-DNA de fita dupla (anti-dsDNA) é altamente específico e associado à nefrite lúpica; o anti-Sm é o mais específico para LES; o anti-histona é relevante no lúpus induzido por drogas; o anti-Ro/anti-La associa-se ao lúpus neonatal; e o anti-β2-glicoproteína I é um dos anticorpos antifosfolipídios, relacionados à síndrome do anticorpo antifosfolipídio.

No caso apresentado, a paciente tem diagnóstico já estabelecido de LES e apresenta um conjunto de achados que sugere fortemente a presença de SAF associada: livedo reticular (manifestação cutânea típica), tempo de tromboplastina parcial prolongado (que pode refletir a presença de anticoagulante lúpico, um dos anticorpos antifosfolipídios) e leucopenia (critério hematológico do LES). O sedimento urinário sem dismorfismo eritrocitário indica ausência de nefrite lúpica ativa. A questão, porém, pergunta qual é o teste laboratorial mais adequado para o diagnóstico desse quadro — e aqui é preciso interpretar com cuidado: o "quadro" refere-se ao lúpus eritematoso sistêmico como um todo, e não especificamente à síndrome antifosfolipídica. Para o diagnóstico de LES, o teste inicial e mais adequado é o FAN, pois é o exame de triagem com maior sensibilidade e o primeiro a ser solicitado na investigação. Os anticorpos antifosfolipídios (como o anti-β2 glicoproteína I) seriam solicitados para confirmar a SAF associada, mas não são o teste diagnóstico do LES em si.

A pegadinha da questão está em direcionar o raciocínio para a síndrome do anticorpo antifosfolipídio, dado o livedo reticular e o PTT prolongado, levando o candidato a escolher a alternativa A (anti-β2 glicoproteína I). No entanto, a pergunta é sobre o diagnóstico do quadro de LES, e o FAN é o exame de triagem inicial e mais sensível para essa doença. O anti-β2 glicoproteína I seria um exame complementar para investigar a SAF, mas não é o teste mais adequado para o diagnóstico do LES em si. Guarde essa distinção: FAN é o rastreio; autoanticorpos específicos (anti-DNA, anti-Sm, antifosfolipídios) são a confirmação e a caracterização.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O anticorpo anti-β2 glicoproteína I é um dos anticorpos antifosfolipídios, utilizado no diagnóstico da síndrome do anticorpo antifosfolipídio (SAF). Embora a paciente apresente livedo reticular e PTT prolongado, que são manifestações sugestivas de SAF associada ao LES, esse teste não é o mais adequado para o diagnóstico do lúpus em si. Ele seria solicitado como exame complementar para confirmar a SAF, mas não é o exame de triagem inicial para o LES. A alternativa confunde o diagnóstico da complicação (SAF) com o diagnóstico da doença de base (LES).

Alternativa B — ❌ Incorreta

O anticorpo anti-DNA de fita dupla (anti-dsDNA) é altamente específico para LES e está associado à nefrite lúpica. No entanto, não é o teste mais adequado para o diagnóstico inicial do quadro, pois é um autoanticorpo mais específico, porém menos sensível que o FAN, e sua solicitação é feita após a confirmação da positividade do FAN, para caracterizar a doença e avaliar atividade. Além disso, a paciente não apresenta sinais de nefrite ativa (sedimento urinário sem dismorfismo eritrocitário), o que torna esse exame menos prioritário no momento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O tempo de sangramento é um teste que avalia a função plaquetária e a hemostasia primária, sendo utilizado na investigação de distúrbios plaquetários e da doença de von Willebrand. Não tem papel no diagnóstico do lúpus eritematoso sistêmico nem da síndrome do anticorpo antifosfolipídio. A alternativa é um distrator que explora a presença de alterações hematológicas (leucopenia) e de coagulação (PTT prolongado) no quadro, mas o tempo de sangramento não é um exame relevante para o diagnóstico de LES.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O anticorpo anti-histona é um autoanticorpo que tem relevância no diagnóstico do lúpus eritematoso sistêmico induzido por drogas, sendo bastante heterogêneo quanto à especificidade antigênica. Não é o teste mais adequado para o diagnóstico do LES em uma paciente sem história de uso de medicação indutora, e não é o exame de triagem inicial. A alternativa confunde o subtipo de lúpus (induzido por droga) com o LES clássico, desviando o foco do exame mais sensível e apropriado.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O anticorpo antinuclear (FAN/ANA) é o teste de triagem inicial para o diagnóstico do lúpus eritematoso sistêmico, sendo positivo em mais de 98% dos pacientes. É o primeiro exame a ser solicitado na investigação da doença, pois apresenta altíssima sensibilidade, embora a especificidade seja limitada. No caso da paciente, com diagnóstico de LES já estabelecido, o FAN é o teste mais adequado para confirmar o quadro, pois é o marcador laboratorial mais sensível e o ponto de partida da investigação. A alternativa está correta ao indicar o FAN como o exame mais apropriado para o diagnóstico do LES.

Gabarito: letra E

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