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Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — FGV 2023

MedicinaEnvenenamentos e Acidentes
Código
fg064866
Banca
FGV
Órgão
FHEMIG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Toxicologia Médica
Muitos artrópodes como escorpiões e aranhas, são predadores que utilizam seu próprio veneno para imobilizar sua presa. A tityustoxina, toxina de interesse médico proveniente de escorpiões do gênero Tityus, possui atividade neurotóxica tecidual devido à sua ação nos canais de sódio pós-ganglionares.ANDRADE FILHO, A.; CAMPOLINA, D.; DIAS, M. B. Toxicologia na prática clínica. Belo Horizonte: Folium, 2001. p. 156-156.Acerca do tratamento de acidentes por picada de escorpião do gênero supracitado, analise os itens a seguir.I. Casos leves devem permanecer em observação, sendo tratados, a princípio, somente com analgésicos para combater a dor.II. Em casos moderados é indicado o uso de duas ampolas de soro antiescorpiônico por via intramuscular e tratamento da dor e distúrbios eletrolíticos.III. Em casos graves é indicado o uso de quatro ampolas de soro antiescorpiônico, sendo que a dose não varia de acordo com a idade ou o peso do paciente.Está correto o que se afirma em
  1. AII, apenas.
  2. BI e II, apenas.
  3. CI e III, apenas.
  4. DII e III, apenas.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — I e III, apenas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Escorpionismo: classificação e tratamento com soro antiescorpiônico

Gabarito: letra C — corretos os itens I e III. O tratamento do acidente escorpiônico é escalonado pela gravidade: casos leves recebem apenas analgesia e observação; casos moderados e graves recebem soro antiescorpiônico, cuja dose é fixa por classificação de gravidade, não variando com idade ou peso — exatamente o que os itens I e III afirmam. O item II erra ao dizer que casos moderados usam apenas duas ampolas e por via intramuscular, quando a recomendação é de três ampolas por via intravenosa.

O escorpionismo é o envenenamento causado pela picada de escorpiões do gênero Tityus, cujo veneno atua nos canais de sódio dependentes de voltagem, promovendo despolarização das terminações nervosas e liberação maciça de neurotransmissores adrenérgicos e colinérgicos. A dor local é a manifestação mais comum e, nos casos leves — que representam cerca de 88% dos acidentes —, o tratamento se limita a analgésicos e observação clínica, sem necessidade de soroterapia. A indicação do soro antiescorpiônico ocorre apenas nos casos moderados e graves, independentemente da idade do paciente, e a dose é determinada pela classificação de gravidade do quadro, e não pelo peso ou idade.

A via de administração do soro é intravenosa, nunca intramuscular, pois a neutralização do veneno circulante precisa ser rápida e eficaz. A dose padrão é de 3 ampolas para casos moderados e 6 ampolas para casos graves, tanto em adultos quanto em crianças. Após a administração, o paciente deve permanecer em observação por no mínimo 24 horas, podendo o quadro ser reclassificado se as manifestações persistirem. A confusão entre as doses e a via de administração é a armadilha central desta questão: a banca troca a via correta (IV) pela intramuscular e reduz o número de ampolas dos casos moderados, explorando exatamente o que o candidato tende a confundir.

Para fixar o esquema terapêutico, compare as condutas por gravidade:

Gravidade

Conduta

Soro antiescorpiônico

Leve

Analgesia + observação

Não indicado

Moderada

Soro IV + tratamento sintomático

3 ampolas

Grave

Soro IV + suporte intensivo

6 ampolas

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter a via de administração e o número de ampolas do soro. Aqui, o item II afirma que casos moderados usam duas ampolas por via intramuscular — mas o correto é três ampolas por via intravenosa. Grave bem: a via é sempre IV, e as doses são 3 (moderado) e 6 (grave). Com esse esquema na cabeça, você elimina o item II na hora.

Escorpionismo (Tityus)
  • 1Classificação
    • Leve
      • dor local
    • Moderado
      • manifestações sistêmicas
    • Grave
      • risco de vida
  • 2Tratamento
    • Leve
      • analgésicos
      • observação
    • Moderado
      • soro IV (3 ampolas)
      • tratamento sintomático
    • Grave
      • soro IV (6 ampolas)
      • suporte intensivo
  • 3Soro antiescorpiônico
    • via intravenosa
    • dose fixa por gravidade
    • não varia com idade/peso
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Item I — ✅ Correto

Casos leves de escorpionismo são os mais comuns e se caracterizam predominantemente por dor local. A conduta inicial é manter o paciente em observação e tratar a dor com analgésicos, sem necessidade de soro antiescorpiônico. O item está correto ao descrever essa abordagem conservadora.

Item II — ❌ Incorreto

O erro está em dois pontos: a dose e a via. Casos moderados requerem três ampolas de soro antiescorpiônico, não duas, e a administração deve ser intravenosa, não intramuscular. A via intramuscular não é utilizada para o soro antiescorpiônico, pois a neutralização do veneno precisa ser rápida e a via IV garante maior biodisponibilidade imediata.

Item III — ✅ Correto

A dose do soro antiescorpiônico é definida pela classificação de gravidade do envenenamento (moderado ou grave), e não varia com idade ou peso do paciente. Casos graves recebem seis ampolas, independentemente de serem crianças ou adultos. O item está correto ao afirmar que a dose é fixa para a gravidade, sem ajuste por características individuais.

Conclusão: Corretos os itens I e III → portanto, a alternativa é a letra C.

Gabarito: letra C

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