Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — FGV 2023
- Código
- fg064866
- Banca
- FGV
- Órgão
- FHEMIG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Toxicologia Médica
- AII, apenas.
- BI e II, apenas.
- CI e III, apenas.
- DII e III, apenas.
- EI, II e III.
GabaritoC — I e III, apenas.
Gabarito: letra C — corretos os itens I e III. O tratamento do acidente escorpiônico é escalonado pela gravidade: casos leves recebem apenas analgesia e observação; casos moderados e graves recebem soro antiescorpiônico, cuja dose é fixa por classificação de gravidade, não variando com idade ou peso — exatamente o que os itens I e III afirmam. O item II erra ao dizer que casos moderados usam apenas duas ampolas e por via intramuscular, quando a recomendação é de três ampolas por via intravenosa.
O escorpionismo é o envenenamento causado pela picada de escorpiões do gênero Tityus, cujo veneno atua nos canais de sódio dependentes de voltagem, promovendo despolarização das terminações nervosas e liberação maciça de neurotransmissores adrenérgicos e colinérgicos. A dor local é a manifestação mais comum e, nos casos leves — que representam cerca de 88% dos acidentes —, o tratamento se limita a analgésicos e observação clínica, sem necessidade de soroterapia. A indicação do soro antiescorpiônico ocorre apenas nos casos moderados e graves, independentemente da idade do paciente, e a dose é determinada pela classificação de gravidade do quadro, e não pelo peso ou idade.
A via de administração do soro é intravenosa, nunca intramuscular, pois a neutralização do veneno circulante precisa ser rápida e eficaz. A dose padrão é de 3 ampolas para casos moderados e 6 ampolas para casos graves, tanto em adultos quanto em crianças. Após a administração, o paciente deve permanecer em observação por no mínimo 24 horas, podendo o quadro ser reclassificado se as manifestações persistirem. A confusão entre as doses e a via de administração é a armadilha central desta questão: a banca troca a via correta (IV) pela intramuscular e reduz o número de ampolas dos casos moderados, explorando exatamente o que o candidato tende a confundir.
Para fixar o esquema terapêutico, compare as condutas por gravidade:
Gravidade | Conduta | Soro antiescorpiônico |
|---|---|---|
Leve | Analgesia + observação | Não indicado |
Moderada | Soro IV + tratamento sintomático | 3 ampolas |
Grave | Soro IV + suporte intensivo | 6 ampolas |
A banca adora inverter a via de administração e o número de ampolas do soro. Aqui, o item II afirma que casos moderados usam duas ampolas por via intramuscular — mas o correto é três ampolas por via intravenosa. Grave bem: a via é sempre IV, e as doses são 3 (moderado) e 6 (grave). Com esse esquema na cabeça, você elimina o item II na hora.
Casos leves de escorpionismo são os mais comuns e se caracterizam predominantemente por dor local. A conduta inicial é manter o paciente em observação e tratar a dor com analgésicos, sem necessidade de soro antiescorpiônico. O item está correto ao descrever essa abordagem conservadora.
O erro está em dois pontos: a dose e a via. Casos moderados requerem três ampolas de soro antiescorpiônico, não duas, e a administração deve ser intravenosa, não intramuscular. A via intramuscular não é utilizada para o soro antiescorpiônico, pois a neutralização do veneno precisa ser rápida e a via IV garante maior biodisponibilidade imediata.
A dose do soro antiescorpiônico é definida pela classificação de gravidade do envenenamento (moderado ou grave), e não varia com idade ou peso do paciente. Casos graves recebem seis ampolas, independentemente de serem crianças ou adultos. O item está correto ao afirmar que a dose é fixa para a gravidade, sem ajuste por características individuais.
Conclusão: Corretos os itens I e III → portanto, a alternativa é a letra C.
Gabarito: letra C
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