Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2023
- Código
- fg064872
- Banca
- FGV
- Órgão
- FHEMIG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Urologia
- APróstata.
- BIntestino.
- CLinfoma.
- DFígado.
- EPele.
GabaritoE — Pele.
Gabarito: letra E. O câncer mais comum associado à imunossupressão em transplantados de órgãos sólidos é o câncer de pele (carcinoma espinocelular e basocelular), conforme diretrizes de transplante renal que apontam que, até 20 anos após o transplante, quase 50% dos receptores desenvolvem um ou mais cânceres de pele. A imunossupressão crônica compromete a vigilância imunológica contra células neoplásicas e contra oncovírus, favorecendo especialmente as neoplasias cutâneas.
O transplante de órgãos sólidos exige imunossupressão permanente para evitar a rejeição do enxerto. Essa supressão do sistema imunológico, embora necessária, tem um preço: aumenta o risco de infecções e de neoplasias. O mecanismo é multifatorial: redução da vigilância imunológica contra células tumorais, maior suscetibilidade a vírus oncogênicos (como HPV, EBV, HHV-8) e efeito oncogênico direto de alguns imunossupressores. O resultado é uma incidência global de neoplasias de novo 2 a 4 vezes maior que na população geral.
Entre os tipos de câncer, o de pele é disparado o mais frequente. Dados de diretrizes nacionais de transplante renal mostram que, até 20 anos após o transplante, quase 50% dos receptores têm um ou mais cânceres de pele, enquanto 10% a 27% desenvolvem câncer não-cutâneo. Isso reflete a exposição cumulativa à radiação ultravioleta somada à imunossupressão, que compromete a eliminação de células epiteliais danificadas e de lesões pré-malignas.
Os demais tumores também são mais comuns que na população geral, mas em menor frequência que o de pele. O linfoma pós-transplante (PTLD) é uma complicação clássica, associada ao EBV, mas não supera o câncer de pele em incidência. Câncer de próstata, intestino e fígado seguem as taxas populacionais, com algumas particularidades (como o carcinoma hepatocelular em pacientes com cirrose prévia), mas nenhum deles é o mais comum nesse cenário.
A pegadinha da questão está em associar "imunossupressão" diretamente a "linfoma", que é um tumor imunológico clássico, mas a epidemiologia mostra que o câncer de pele é o mais prevalente. Guarde essa hierarquia: em transplantados, o câncer mais comum é o de pele; o linfoma é o mais característico, mas não o mais frequente.
O câncer de próstata é a neoplasia maligna mais comum em homens no Brasil (excluindo pele não melanoma), mas essa estatística é da população geral. Em transplantados, a imunossupressão não altera de forma tão marcante a incidência de próstata, que permanece atrás do câncer de pele. A banca usa um tumor de alta prevalência populacional para confundir, mas o contexto específico do transplante muda a resposta.
O câncer de intestino (colorretal) é um dos tumores mais comuns na população geral e faz parte da triagem recomendada em transplantados (homens e mulheres), mas não é o mais frequente nesse grupo. A imunossupressão aumenta o risco global, mas o câncer colorretal não supera o de pele em incidência pós-transplante.
O linfoma pós-transplante (PTLD) é uma complicação bem conhecida e associada ao EBV, sendo um dos tumores mais característicos da imunossupressão. No entanto, não é o mais comum: o câncer de pele tem incidência muito maior. A banca explora a associação intuitiva entre imunossupressão e linfoma, mas a epidemiologia aponta o câncer de pele como líder.
O câncer de fígado (carcinoma hepatocelular) é relevante em transplantados com cirrose prévia, e a diretriz recomenda ultrassonografia hepática e alfafetoproteína a cada 12 meses nesses pacientes. Mas, na população geral de transplantados, não é o tumor mais comum — o câncer de pele supera amplamente.
O câncer de pele (carcinoma espinocelular e basocelular) é o mais comum em pacientes imunossuprimidos por transplante de órgãos sólidos. A diretriz de transplante renal citada no contexto afirma que, até 20 anos após o transplante, quase 50% dos receptores desenvolvem um ou mais cânceres de pele, enquanto apenas 10% a 27% desenvolvem câncer não-cutâneo. A imunossupressão crônica, somada à exposição solar, explica essa predominância.
Em questões sobre complicações de transplante, lembre-se da hierarquia: infecções são a complicação mais comum; câncer de pele é a neoplasia mais comum; linfoma é a neoplasia mais característica (mas não a mais frequente). Essa distinção cai com frequência em provas de oncologia e transplante.
Gabarito: letra E
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