Questão de Medicina — Uroanálise — FGV 2023
- Código
- fg064881
- Banca
- FGV
- Órgão
- FHEMIG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Urologia
- AE. coli.
- BProteus.
- CEnterococus.
- DPseudomonas.
- EEstafilococus.
GabaritoB — Proteus.
Gabarito: letra B. A bactéria mais frequentemente associada à alcalinização da urina é o Proteus, pois produz a enzima urease, que hidrolisa a ureia em amônia, elevando o pH urinário. Esse mecanismo está diretamente ligado à formação de cálculos de estruvita (fosfato triplo), conforme descrito na literatura médica sobre infecções urinárias e nefrolitíase.
A alcalinização da urina é um fenômeno que ocorre quando o pH urinário se eleva acima do normal (geralmente > 7). Isso pode ser causado por fatores dietéticos, metabólicos ou, mais comumente, por infecções do trato urinário por bactérias que produzem a enzima urease. A urease quebra a ureia (presente em alta concentração na urina) em amônia (NH₃) e dióxido de carbono. A amônia é uma base forte que se combina com íons hidrogênio, elevando o pH da urina. Esse ambiente alcalino favorece a precipitação de fosfato de amônio e magnésio, formando os chamados cálculos de estruvita (ou fosfato triplo), que podem crescer rapidamente e ocupar toda a pelve renal (cálculos coraliformes).
Entre os uropatógenos, o Proteus mirabilis é o exemplo clássico de bactéria produtora de urease. Outras bactérias também produzem essa enzima, como Klebsiella, Pseudomonas, Staphylococcus (especialmente S. saprophyticus) e Providencia, mas o Proteus é o mais frequentemente associado à alcalinização urinária e à formação de cálculos de estruvita. A Escherichia coli, embora seja o agente mais comum de infecção urinária não complicada (cerca de 90% dos casos), não produz urease e, portanto, não alcaliniza a urina — pelo contrário, a urina ácida é um fator de proteção contra a colonização por E. coli, como mencionado em textos de fisiopatologia.
Na prática clínica, quando um paciente apresenta urina com pH elevado (alcalino) e há suspeita de infecção urinária, deve-se pensar imediatamente em bactérias produtoras de urease, principalmente Proteus. Esse achado é importante não só para o diagnóstico, mas também para o manejo, pois a alcalinização persistente pode levar à formação de cálculos e complicações renais.
A distinção crucial que a banca explora aqui é entre o agente mais comum de ITU (E. coli) e o agente mais associado à alcalinização (Proteus). O candidato que sabe que E. coli é o principal uropatógeno pode marcar a letra A por associação automática, mas a pergunta é específica sobre o mecanismo de alcalinização, que é característico das bactérias produtoras de urease. Guarde essa fronteira: E. coli = ITU comum, urina ácida; Proteus = ITU com urina alcalina e cálculos de estruvita.
A Escherichia coli é o agente mais comum de infecção urinária não complicada, mas não produz urease. Portanto, não está associada à alcalinização da urina. Na verdade, a urina ácida (pH < 5) é um ambiente desfavorável para a sobrevivência da E. coli, como descrito nos mecanismos de defesa do trato urinário.
O Proteus (especialmente Proteus mirabilis) é a bactéria mais frequentemente associada à alcalinização da urina, pois produz a enzima urease, que hidrolisa a ureia em amônia, elevando o pH urinário. Esse mecanismo está diretamente relacionado à formação de cálculos de estruvita (fosfato de amônio e magnésio), como descrito na literatura sobre nefrolitíase.
O Enterococcus (espécies faecalis e faecium) é um uropatógeno comum, especialmente em infecções complicadas e associadas a cateter, mas não é produtor de urease e, portanto, não está associado à alcalinização urinária. Sua presença na urina não altera significativamente o pH.
A Pseudomonas pode produzir urease em algumas cepas, mas não é a bactéria mais frequentemente associada à alcalinização da urina. Ela é mais comum em infecções hospitalares e em pacientes imunocomprometidos, mas o Proteus é o exemplo clássico e mais frequente nesse contexto.
O Staphylococcus (como S. saprophyticus) pode produzir urease, mas não é o mais frequentemente associado à alcalinização urinária. O S. saprophyticus é um agente comum de ITU em mulheres jovens, mas o Proteus é o principal responsável pela alcalinização e pelos cálculos de estruvita.
A banca explora a associação automática com a E. coli, que é o agente mais comum de ITU. Mas a pergunta é sobre alcalinização da urina, um mecanismo específico das bactérias produtoras de urease. Lembre-se: E. coli não produz urease; Proteus é o clássico. Com treino, você identifica essa troca de conceitos de longe 💪.
Para fixar, monte uma tabela mental dos uropatógenos e suas características:
Bactéria | Produz urease? | Associação clínica |
|---|---|---|
E. coli | Não | ITU não complicada (90%) |
Proteus | Sim | ITU com urina alcalina, cálculos de estruvita |
Klebsiella | Sim | ITU, pneumonia |
Pseudomonas | Sim (algumas cepas) | ITU hospitalar |
Staphylococcus saprophyticus | Sim | ITU em mulheres jovens |
Enterococcus | Não | ITU complicada, associada a cateter |
Gabarito: letra B
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