Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2023
- Código
- fg064882
- Banca
- FGV
- Órgão
- FHEMIG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Urologia
- Aacima de 0,5ng/mL.
- Bacima de 0,1ng/mL.
- Cacima de 1ng/mL.
- Dacima de 5ng/mL.
- Eem qualquer elevação do PSA.
GabaritoA — acima de 0,5ng/mL.
Gabarito: letra A. Após prostatectomia radical, a radioterapia de resgate deve ser oferecida quando o PSA ultrapassa 0,5 ng/mL, conforme as diretrizes de consenso (ASTRO/AUA). O racional é intervir precocemente na recorrência local, antes que a doença se torne sistêmica, mas sem tratar elevações mínimas que podem não representar doença clinicamente relevante.
A falha bioquímica após prostatectomia radical é definida classicamente como PSA ≥ 0,2 ng/mL confirmado em duas dosagens consecutivas. A partir desse ponto, o paciente tem recorrência bioquímica, mas a decisão de tratar com radioterapia de resgate não é imediata — existe uma janela terapêutica. O limiar de 0,5 ng/mL foi estabelecido por consenso porque, abaixo dele, a probabilidade de doença residual local significativa é menor e o benefício da radioterapia é incerto; acima dele, a chance de controlar a recorrência local com radioterapia diminui progressivamente, pois a doença pode já ter se disseminado.
O PSA é uma glicoproteína produzida pelas células epiteliais que revestem os ácinos e ductos da próstata. Após prostatectomia radical, espera-se que o PSA fique indetectável. Quando ele se torna detectável e sobe de forma consistente, indica recorrência — que pode ser local (no leito prostático) ou sistêmica (metástases). A radioterapia de resgate atua apenas na doença local, por isso o timing é crucial: quanto mais baixo o PSA no momento do tratamento, maior a chance de a doença ainda estar confinada ao leito cirúrgico.
Na prática, o acompanhamento pós-prostatectomia radical envolve dosagens seriadas de PSA. Quando o valor atinge 0,2 ng/mL e se confirma em segunda dosagem, configura-se falha bioquímica. A partir daí, o urologista avalia a probabilidade de recorrência local versus sistêmica — fatores como Gleason, margens cirúrgicas, invasão de vesículas seminais e tempo de duplicação do PSA ajudam nessa distinção. A radioterapia de resgate é então indicada quando o PSA está entre 0,2 e 0,5 ng/mL, idealmente o mais próximo possível de 0,2 ng/mL, mas o limiar de 0,5 ng/mL é o ponto de corte clássico a partir do qual a indicação se torna mandatória na maioria dos protocolos.
A pegadinha desta questão está em confundir o limiar de falha bioquímica (0,2 ng/mL) com o limiar de indicação de radioterapia de resgate (0,5 ng/mL). São conceitos distintos: a falha bioquímica é o diagnóstico de recorrência; a radioterapia de resgate é o tratamento dessa recorrência, que tem um limiar próprio de indicação. Guarde essa fronteira: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
A radioterapia de resgate deve ser utilizada a partir do PSA acima de 0,5 ng/mL. Este é o limiar consagrado pelas diretrizes de consenso (ASTRO/AUA) para indicar o tratamento da recorrência local após prostatectomia radical. O racional é que, abaixo desse valor, a doença pode ainda não ser clinicamente significativa, e acima dele, a chance de controle local diminui. A alternativa espelha exatamente o ponto de corte recomendado.
O valor de 0,1 ng/mL é inferior ao limiar de falha bioquímica (0,2 ng/mL). Nesse nível, o PSA pode representar apenas ruído laboratorial ou doença residual mínima sem significado clínico comprovado. Tratar nesse ponto exporia o paciente à toxicidade da radioterapia sem benefício demonstrado. A banca troca o limiar de resgate (0,5) por um valor abaixo até do diagnóstico de recorrência.
O valor de 1 ng/mL é superior ao limiar recomendado. Embora a radioterapia de resgate ainda possa ser oferecida nesse nível, a chance de controle local é menor, pois a doença pode já ter se disseminado. As diretrizes recomendam tratar o mais precocemente possível, idealmente entre 0,2 e 0,5 ng/mL. Esperar até 1 ng/mL compromete a eficácia do tratamento. A banca troca o limiar de 0,5 por um valor mais alto, que representa atraso terapêutico.
O valor de 5 ng/mL é claramente excessivo. Nesse nível, a probabilidade de doença metastática é alta, e a radioterapia de resgate isolada (sem terapia sistêmica) tem papel limitado. O tratamento de escolha nesse cenário seria a terapia de privação androgênica, não a radioterapia de resgate. A banca usa um valor extremo, que não corresponde a nenhum limiar de indicação de resgate.
A afirmação de que a radioterapia de resgate deve ser usada em qualquer elevação do PSA é incorreta. Pequenas elevações podem ser transitórias ou não representar doença clinicamente relevante. O tratamento é indicado a partir de um limiar específico (0,5 ng/mL), não em qualquer elevação. A banca explora a generalização indevida: "qualquer elevação" ignora o ponto de corte estabelecido pelas diretrizes.
A banca adora confundir o limiar de falha bioquímica (PSA ≥ 0,2 ng/mL) com o limiar de indicação de radioterapia de resgate (PSA > 0,5 ng/mL). São conceitos diferentes: o primeiro é o diagnóstico de recorrência; o segundo é o gatilho para tratar. Na prova, sublinhe mentalmente: falha = 0,2; resgate = 0,5. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪
Gabarito: letra A
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