Questão de Medicina — Neurologia — FGV 2023
- Código
- fg065049
- Banca
- FGV
- Órgão
- MPE-SP
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista de Promotoria - Médico Clínico
- AV, V e V.
- BF, F e F.
- CV, F e F.
- DV, F e V.
- EF, F e V.
GabaritoC — V, F e F.
Gabarito: letra C (V, F e F). A primeira afirmativa é verdadeira, pois medidas de suporte como repouso, antiemético e hidratação são sempre indicadas no manejo da migrânea na urgência; a segunda é falsa porque os opioides não são opção de primeira linha para dor leve, sendo reservados a situações específicas; e a terceira é falsa porque o sumatriptano não é exclusivo para dor forte (EVA > 7/10), sendo também opção para crises moderadas a intensas. A base é o protocolo brasileiro de cefaleias em unidades de urgência (2018).
A migrânea (enxaqueca) é uma cefaleia primária, ou seja, a dor não decorre de lesão tecidual, mas de disfunção no sistema de modulação sensitiva. No pronto atendimento, é fundamental distinguir as cefaleias primárias das secundárias, que podem indicar doenças graves como hemorragia subaracnóidea ou trombose venosa cerebral. O manejo agudo da migrânea envolve, além do tratamento farmacológico, medidas de suporte que visam conforto e estabilização do paciente.
O tratamento farmacológico da crise migranosa é escalonado conforme a intensidade da dor. Para crises leves a moderadas, a primeira linha são os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e analgésicos simples, como dipirona e paracetamol. Os triptanos, como o sumatriptano, são indicados para crises moderadas a intensas, especialmente quando há falha ou contraindicação aos AINEs. Os opioides, por sua vez, não são recomendados como primeira linha, pois têm eficácia limitada e risco de dependência; são reservados para casos refratários ou contraindicação aos demais.
A intensidade da dor, medida pela Escala Visual Analógica (EVA), orienta a escolha do tratamento. Dor leve (EVA 1–3) pode ser manejada com analgésicos simples e medidas de suporte; dor moderada (EVA 4–6) frequentemente requer AINEs ou triptanos; dor forte (EVA 7–10) pode necessitar de triptanos ou associações. O sumatriptano, especificamente, é eficaz em crises moderadas a intensas, não sendo restrito apenas a EVA > 7/10.
A pegadinha da banca está em generalizar o uso de opioides como primeira linha e restringir o sumatriptano a casos extremos. O candidato que decora apenas a literalidade do protocolo pode errar ao não considerar que o sumatriptano é indicado para crises moderadas a intensas, não apenas as de forte intensidade. Além disso, a afirmativa sobre medidas de suporte é amplamente aceita, mas a banca pode tentar confundir ao sugerir que são opcionais.
Guarde a fronteira entre as opções farmacológicas e a intensidade da dor: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
A afirmativa está correta. Medidas de suporte como repouso em ambiente tranquilo, prescrição de antiemético e hidratação conforme achados clínicos são sempre indicadas no manejo da migrânea na urgência. Essas medidas visam reduzir estímulos sensoriais, controlar náuseas e manter hidratação, contribuindo para o alívio sintomático e o conforto do paciente. O protocolo brasileiro de cefaleias em unidades de urgência (2018) preconiza essas medidas como parte do manejo inicial, independentemente da intensidade da dor.
A afirmativa está incorreta. Anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) são sim opções de primeira linha para crises leves a moderadas, mas derivados opioides não são recomendados como primeira linha. Os opioides têm eficácia limitada na migrânea, risco de dependência e podem causar efeitos adversos; são reservados para casos refratários ou contraindicação aos demais. A banca troca a indicação correta dos AINEs pela inclusão indevida dos opioides como primeira linha.
A afirmativa está incorreta. O sumatriptano não é reservado exclusivamente para dor de forte intensidade (EVA > 7/10). Ele é indicado para crises moderadas a intensas, podendo ser utilizado em EVA a partir de 4/10, especialmente quando há falha ou contraindicação aos AINEs. A banca restringe indevidamente o uso do sumatriptano a casos extremos, ignorando sua indicação mais ampla.
Conclusão: Corretas: apenas a afirmativa 1 → portanto a alternativa é a letra C.
A banca adora inverter as indicações farmacológicas: coloca opioides como primeira linha (quando são reservados) e restringe o sumatriptano a dor forte (quando é para moderada a intensa). Fique atento à intensidade da dor e à classe de medicamento — com treino você enxerga essas trocas de longe 💪
Para questões de manejo de migrânea, monte uma tabela mental: dor leve → analgésicos simples; moderada → AINEs ou triptanos; forte → triptanos ou associações. Opioides nunca são primeira linha. Isso resolve a maioria das questões de urgência.
Gabarito: letra C
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