Eletrocardiograma: ritmo sinusal e frequência cardíaca
Gabarito: letra A. O traçado eletrocardiográfico do paciente mostra ritmo sinusal — caracterizado pela presença de onda P positiva em D1 e D2, seguida de complexo QRS — e frequência cardíaca dentro da faixa de normalidade (60 a 100 bpm), o que corresponde exatamente à alternativa A. As demais opções descrevem alterações que não estão presentes no ECG: QRS alargado, ausência de onda P, onda P negativa e onda T apiculada.
O eletrocardiograma é o registro gráfico da atividade elétrica do coração, captado por eletrodos posicionados na superfície corporal. Cada onda e intervalo do traçado corresponde a um evento elétrico específico: a onda P representa a despolarização atrial, o complexo QRS a despolarização ventricular e a onda T a repolarização ventricular. O ritmo sinusal é o ritmo normal do coração, originado no nó sinusal, e é identificado no ECG pela presença de onda P positiva nas derivações D1, D2 e aVF, seguida de complexo QRS, com intervalo PR constante e frequência cardíaca entre 60 e 100 bpm.
A frequência cardíaca é calculada dividindo-se 1500 pelo número de pequenos quadrados entre dois complexos QRS consecutivos (ou 300 pelo número de grandes quadrados). No traçado em questão, a frequência está na faixa normal, o que afasta taquicardia (FC > 100 bpm) e bradicardia (FC < 60 bpm). O paciente, apesar de hipertenso e em situação de estresse e calor, apresenta-se consciente, orientado e com pressão arterial 110 x 80 mmHg — dados que corroboram a normalidade do traçado.
A banca explora neste tema a interpretação do ECG e o reconhecimento do ritmo sinusal normal, distinguindo-o de arritmias como fibrilação atrial (ausência de onda P, ritmo irregular), flutter atrial (ondas F em dente de serra), taquicardia ventricular (QRS alargado) e alterações eletrolíticas como hipercalemia (onda T apiculada). O candidato deve saber identificar cada componente do traçado e associá-lo ao diagnóstico correto.
Guarde a fronteira entre ritmo sinusal normal e arritmias: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A presença de onda P positiva em D1 e D2, com QRS estreito e FC normal, é o critério decisivo para a alternativa correta.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O traçado apresenta ritmo sinusal, com onda P positiva em D1 e D2, seguida de complexo QRS estreito, e frequência cardíaca dentro da faixa de normalidade (60 a 100 bpm). Esses são os critérios eletrocardiográficos de ritmo sinusal normal, confirmando a alternativa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o complexo QRS está alargado. No ritmo sinusal normal, o QRS é estreito (< 0,12 s), pois a despolarização ventricular segue o sistema de condução especializado (feixe de His e fibras de Purkinje). QRS alargado indica distúrbio de condução intraventricular, como bloqueio de ramo ou ritmo ventricular, não presente no traçado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma ausência de onda P. No ritmo sinusal, a onda P está presente e é positiva em D1 e D2. A ausência de onda P é característica de fibrilação atrial, flutter atrial ou ritmo junctional, condições não observadas no ECG do paciente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma onda P negativa em D1 e D2, indicando ritmo não sinusal. No ritmo sinusal, a onda P é positiva em D1 e D2, pois a despolarização atrial se propaga do nó sinusal (átrio direito) em direção ao átrio esquerdo e ao nó AV, gerando vetor orientado para baixo e para a esquerda. Onda P negativa em D1 e D2 sugere ritmo atrial ectópico ou ritmo junctional, não presente no traçado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma onda T apiculada compatível com hipercalemia. A onda T apiculada (alta e estreita, em tenda) é um sinal eletrocardiográfico de hipercalemia, mas não está presente no traçado, que mostra ritmo sinusal normal. Além disso, o paciente não apresenta outras manifestações de hipercalemia, como fraqueza muscular ou arritmias.
Gabarito: letra A