Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2023
- Código
- fg065061
- Banca
- FGV
- Órgão
- MPE-SP
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista de Promotoria - Médico Clínico
- AArtralgia.
- BHepatite tóxica.
- CUrticária.
- DAgranulocitose.
- EHipoprotrombinemia.
GabaritoD — Agranulocitose.
Gabarito: letra D. A agranulocitose é o efeito colateral grave mais temido e o mais frequente entre os graves, ocorrendo em cerca de 0,5% dos pacientes em uso de drogas antitireoidianas (DAT), como o metimazol. Embora rara, sua gravidade exige orientação clara à paciente sobre os sinais de alerta, como febre e dor de garganta, para suspensão imediata da medicação e avaliação médica urgente.
As drogas antitireoidianas (DAT) — metimazol e propiltiouracil — são a primeira escolha no tratamento da doença de Graves em diversas situações, como bócios pequenos, crianças, adolescentes e gestação. Elas atuam inibindo a síntese de hormônios tireoidianos, mas seu uso não é isento de riscos. Os efeitos colaterais podem ser divididos em menores (mais comuns, mas sem gravidade) e maiores (raros, porém potencialmente fatais).
Entre os efeitos menores, destacam-se: artralgia, urticária, prurido, náuseas e alterações do paladar. Esses efeitos são relativamente frequentes, mas geralmente não levam à suspensão do tratamento. Já os efeitos maiores incluem: agranulocitose, hepatite tóxica, anemia aplásica, vasculite e síndrome semelhante ao lúpus. A agranulocitose é o mais temido, pois pode evoluir para infecções graves e sepse, com risco de morte.
A agranulocitose é definida como a redução acentuada dos neutrófilos no sangue periférico, geralmente abaixo de 500 células/mm³. Ela ocorre por um mecanismo imunológico ou tóxico, levando à destruição dos granulócitos na medula óssea. O risco é maior nos primeiros meses de tratamento e em doses mais elevadas da medicação. Por isso, a orientação ao paciente é fundamental: qualquer episódio de febre, dor de garganta ou infecção deve levar à suspensão imediata da DAT e à realização de um hemograma.
A hepatite tóxica, embora também seja um efeito grave, é menos frequente que a agranulocitose. A artralgia e a urticária são efeitos colaterais comuns, mas não são considerados graves. A hipoprotrombinemia não é um efeito colateral típico das DAT; na verdade, o propiltiouracil pode causar hipoprotrombinemia, mas é um efeito raro e não é o mais frequente entre os graves.
A banca explora a confusão entre efeitos colaterais comuns (artralgia, urticária) e o efeito grave mais frequente (agranulocitose). O candidato pode ser tentado a marcar a artralgia por ser mais comum, mas a questão pede especificamente o efeito grave que ocorre em 0,5% dos pacientes — e esse é a agranulocitose.
A artralgia é um efeito colateral comum das DAT, mas não é considerado grave e não ocorre em apenas 0,5% dos pacientes. Ela é mais frequente e geralmente não requer a suspensão do tratamento. A banca a coloca como distrator para confundir com os efeitos menores.
A hepatite tóxica é um efeito colateral grave das DAT, mas é menos frequente que a agranulocitose. Embora possa ser fatal, sua incidência é menor que 0,5%. A banca a inclui como distrator por ser um efeito grave conhecido, mas não é o mais frequente entre os graves.
A urticária é um efeito colateral comum das DAT, mas não é grave e não ocorre em 0,5% dos pacientes. Ela é mais frequente e geralmente é manejada com anti-histamínicos, sem necessidade de suspensão do tratamento. A banca a coloca como distrator para confundir com os efeitos menores.
A agranulocitose é o efeito colateral grave mais frequente das DAT, ocorrendo em cerca de 0,5% dos pacientes. Ela é caracterizada pela redução acentuada dos neutrófilos, aumentando o risco de infecções graves. A paciente deve ser orientada a suspender a medicação imediatamente se apresentar febre, dor de garganta ou outros sinais de infecção, e procurar atendimento médico para realização de hemograma.
A hipoprotrombinemia não é um efeito colateral típico das DAT. Embora o propiltiouracil possa causar hipoprotrombinemia, é um efeito raro e não é o mais frequente entre os graves. A banca a inclui como distrator por ser um efeito hematológico, mas não é o correto.
Gabarito: letra D — a agranulocitose é o efeito colateral grave mais frequente das drogas antitireoidianas, ocorrendo em cerca de 0,5% dos pacientes.
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