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Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2023

MedicinaEndocrinologia
Código
fg065062
Banca
FGV
Órgão
MPE-SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista de Promotoria - Médico Clínico
Em relação ao hipertireoidismo, analise as assertivas a seguir.I. Tireotoxicose refere-se ao aumento da síntese e liberação dos hormônios tireoidianos pela glândula tireoide.II. O termo hipertireoidismo refere-se à síndrome clínica decorrente do excesso de hormônios tireoidianos circulantes, secundário à hiperfunção da glândula tireoide ou não.III. Redução do peso corporal é um achado frequente, no entanto determinados indivíduos, notadamente os mais jovens, podem relatar ganho ponderal devido ao aumento do apetite.Está correto o que se afirma em
  1. AI, apenas.
  2. BII, apenas.
  3. CIII, apenas.
  4. DI e III, apenas.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — III, apenas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipertireoidismo e tireotoxicose: conceitos e manifestações clínicas

Gabarito: letra C. Apenas a assertiva III está correta: a redução do peso corporal é frequente no hipertireoidismo, mas pacientes jovens podem ganhar peso porque o aumento do apetite supera o aumento do gasto energético. As assertivas I e II estão incorretas porque invertem os conceitos: tireotoxicose é a síndrome clínica por excesso de hormônios circulantes (com ou sem hiperfunção da glândula), enquanto hipertireoidismo é especificamente o excesso hormonal decorrente da hiperfunção tireoidiana.

Para entender a questão, é preciso dominar a distinção entre dois termos que frequentemente são usados como sinônimos, mas têm significados técnicos distintos na endocrinologia. Tireotoxicose é o estado clínico e laboratorial resultante da exposição dos tecidos a níveis excessivos de hormônios tireoidianos circulantes (T3 e T4). Esse excesso pode ter duas origens: (1) a própria glândula tireoide produzindo e liberando hormônios em quantidade aumentada — o que caracteriza o hipertireoidismo — ou (2) outras causas, como ingestão excessiva de hormônios (tireotoxicose factícia), inflamação da tireoide com liberação de hormônios pré-formados (tireoidites), ou produção ectópica (struma ovarii). Portanto, todo hipertireoidismo é uma tireotoxicose, mas nem toda tireotoxicose é hipertireoidismo.

A assertiva I afirma que tireotoxicose é o aumento da síntese e liberação hormonal pela glândula — isso é a definição de hipertireoidismo, não de tireotoxicose. A assertiva II, por sua vez, define hipertireoidismo como a síndrome por excesso hormonal "secundário à hiperfunção da glândula ou não" — essa abrangência é justamente o conceito de tireotoxicose. Ou seja, as duas primeiras assertivas trocam os termos entre si, um erro clássico de prova.

A assertiva III aborda uma manifestação clínica que contraria a intuição: embora a perda de peso seja o achado mais comum (presente em cerca de 61% dos pacientes com doença de Graves), alguns pacientes — notadamente os mais jovens — podem ganhar peso. Isso ocorre porque o hipertireoidismo aumenta o apetite e a ingestão alimentar; quando esse aumento da ingestão supera o aumento do gasto energético, o balanço calórico torna-se positivo e há ganho ponderal. O texto de apoio confirma: "alguns pacientes jovens apresentam aumento da ingestão de alimentos, que é maior do que o aumento do consumo energético, resultando, ao contrário, em ganho de peso".

A pegadinha da banca está exatamente na inversão dos conceitos nas assertivas I e II. O candidato que memoriza as definições de forma superficial tende a aceitar a assertiva I como correta, pois ela parece descrever o mecanismo do excesso hormonal. No entanto, a definição precisa de tireotoxicose não exige que a glândula esteja hiperfuncionante — ela pode estar normal ou até hipofuncionante, como nas tireoidites destrutivas. Guarde a fronteira: hipertireoidismo = hiperfunção glandular; tireotoxicose = excesso hormonal circulante (qualquer causa). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Conceito

Hipertireoidismo

Tireotoxicose

Definição

Síndrome por excesso hormonal decorrente de hiperfunção da glândula tireoide

Síndrome clínica por excesso de hormônios circulantes, com ou sem hiperfunção glandular

Mecanismo

Aumento da síntese e liberação hormonal pela tireoide

Exposição tecidual a níveis excessivos de T3/T4 (qualquer causa)

Exemplos

Doença de Graves, bócio multinodular tóxico, adenoma tóxico

Tireotoxicose factícia, tireoidites, struma ovarii (além dos hipertireoidismos)

Relação

Todo hipertireoidismo é uma tireotoxicose

Nem toda tireotoxicose é hipertireoidismo

Item I — ❌ Incorreto

A assertiva define tireotoxicose como "aumento da síntese e liberação dos hormônios tireoidianos pela glândula tireoide". Isso é a definição de hipertireoidismo, não de tireotoxicose. A tireotoxicose é a síndrome clínica por excesso de hormônios circulantes, que pode ocorrer mesmo sem hiperfunção glandular — como na tireotoxicose factícia (ingestão de hormônios), nas tireoidites (liberação de hormônios pré-formados por destruição folicular) e no struma ovarii (produção ectópica). O erro é a troca do conceito mais amplo (tireotoxicose) pelo mecanismo específico (hiperfunção).

Item II — ❌ Incorreto

A assertiva define hipertireoidismo como a síndrome por excesso hormonal "secundário à hiperfunção da glândula tireoide ou não". Essa abrangência é o conceito de tireotoxicose. O hipertireoidismo, por definição, exige hiperfunção da glândula — é o excesso hormonal decorrente do aumento da síntese e liberação pela tireoide (doença de Graves, bócio multinodular tóxico, adenoma tóxico). A expressão "ou não" torna a assertiva incorreta, pois hipertireoidismo sempre implica hiperfunção glandular.

Item III — ✅ Correto ⟵ GABARITO

A assertiva está correta: a redução do peso corporal é um achado frequente no hipertireoidismo, mas alguns pacientes — notadamente os mais jovens — podem relatar ganho ponderal. Isso ocorre porque o aumento do apetite (hiperfagia) pode superar o aumento do gasto energético, resultando em balanço calórico positivo. O texto de apoio confirma: "alguns pacientes jovens apresentam aumento da ingestão de alimentos, que é maior do que o aumento do consumo energético, resultando, ao contrário, em ganho de peso". Vale notar que, em idosos, o padrão pode ser inverso: anorexia e perda de peso mais acentuada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte os conceitos de tireotoxicose e hipertireoidismo nas assertivas I e II. O candidato que decora as definições sem entender a relação entre elas aceita a I como correta, pois ela parece descrever o mecanismo do excesso hormonal. Lembre-se: hipertireoidismo é sempre hiperfunção glandular; tireotoxicose é o excesso hormonal circulante, com ou sem hiperfunção. Na dúvida, pergunte-se: "a glândula está produzindo demais?" Se sim, é hipertireoidismo; se o excesso vem de outra fonte, é tireotoxicose sem hipertireoidismo.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte um quadro mental: tireotoxicose é o guarda-chuva (síndrome clínica por excesso hormonal); hipertireoidismo é uma das causas (hiperfunção glandular). As tireoidites e a tireotoxicose factícia são exemplos de tireotoxicose sem hipertireoidismo. Na prova, quando a assertiva falar em "síndrome por excesso de hormônios", desconfie: o termo correto é tireotoxicose, não hipertireoidismo.

Gabarito: letra C — apenas o item III está correto.

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