Questão de Medicina — Gastroenterologia — FGV 2023
Medicina›Gastroenterologia
Código
fg065063
Banca
FGV
Órgão
MPE-SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista de Promotoria - Médico Clínico
Masculino, 60 anos, cirrótico, portador do vírus da hepatite C foi submetido ao tratamento antiviral específico. Evoluiu satisfatoriamente e atingiu a resposta virológica sustentada.O rastreamento do carcinoma hepatocelular, em pacientes cirróticos, deve ser realizado
Aa cada seis meses.
Buma vez por ano.
Ca cada dois anos.
Da cada três anos.
Ea cada cinco anos.
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GabaritoA — a cada seis meses.
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Rastreamento do carcinoma hepatocelular (CHC) em cirróticos
Gabarito: letra A. O rastreamento do carcinoma hepatocelular em pacientes cirróticos deve ser realizado a cada seis meses, conforme preconizado pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Hepatite C e Coinfecções do Ministério da Saúde, que indica ultrassonografia de abdome superior e alfafetoproteína semestralmente para pacientes com fibrose avançada (F3) ou cirrose (F4). Essa periodicidade se mantém mesmo após a resposta virológica sustentada (RVS), pois o risco de CHC persiste no fígado cirrótico.
O carcinoma hepatocelular é a neoplasia primária mais comum do fígado e surge, na grande maioria dos casos, em um fígado cirrótico, independentemente da etiologia da cirrose — hepatite C, hepatite B, álcool, hemocromatose, entre outras. A cirrose, por si só, é o principal fator de risco para o desenvolvimento do CHC, e o processo de carcinogênese está ligado à inflamação crônica, à regeneração hepatocitária e à fibrose avançada. Por isso, mesmo após a cura da hepatite C com os antivirais de ação direta (AADs) — que eliminam o vírus e interrompem a progressão da fibrose —, o risco de CHC não desaparece naqueles que já atingiram o estágio de cirrose (F4) ou fibrose avançada (F3). A resposta virológica sustentada reduz o risco, mas não o elimina, e o rastreamento deve ser mantido indefinidamente.
A lógica do rastreamento semestral é detectar o tumor em fase precoce, quando ainda é passível de tratamento curativo (ressecção cirúrgica, ablação por radiofrequência ou transplante hepático). O CHC tem tempo de duplicação tumoral que varia, em média, de 4 a 6 meses, e a ultrassonografia a cada 6 meses permite identificar lesões pequenas, aumentando as chances de cura. Intervalos maiores — como 1, 2, 3 ou 5 anos — permitiriam que o tumor crescesse além do estágio curável, comprometendo o prognóstico. O rastreamento semestral é a recomendação uniforme das principais diretrizes internacionais (AASLD, EASL) e do PCDT brasileiro.
Na prática, o rastreamento consiste em ultrassonografia de abdome total a cada 6 meses, podendo ser associada à dosagem de alfafetoproteína (AFP) no mesmo intervalo, embora a AFP isolada não seja recomendada como método único de rastreamento. O PCDT do Ministério da Saúde especifica que o rastreamento de CHC com USG está indicado para homens ≥40 anos, mulheres ≥50 anos, e pacientes abaixo dessa faixa etária que apresentem fibrose avançada (F3) ou cirrose (F4), história familiar de CHC, coinfecção HIV/HCV/HDV, esteatose hepática não alcoólica ou doença hepática alcoólica, ou escore PAGE-B >9. Para os pacientes cirróticos, a recomendação é clara: ultrassonografia e alfafetoproteína a cada 6 meses.
A distinção que importa aqui é entre o rastreamento do CHC e o acompanhamento ambulatorial da hepatite C crônica. O acompanhamento de rotina do paciente com cirrose inclui exames laboratoriais (hemograma, coagulograma, função renal, enzimas hepáticas) a cada 3-4 meses, e endoscopia digestiva alta para rastreamento de varizes esofágicas em intervalos que variam de 1 a 3 anos conforme o risco. Já o rastreamento do CHC tem periodicidade própria e fixa: semestral. Confundir esses dois acompanhamentos é a pegadinha clássica da banca — o aluno pode lembrar que "algo" é feito a cada 6 meses, mas não saber exatamente o quê.
A pegadinha desta questão está em associar a periodicidade do rastreamento do CHC a outros intervalos de acompanhamento do paciente cirrótico. O candidato que sabe que a endoscopia digestiva alta pode ser feita a cada 2 ou 3 anos, ou que o acompanhamento laboratorial é trimestral, pode se confundir e marcar um intervalo maior. Mas o rastreamento do CHC é sempre semestral, independentemente da etiologia da cirrose, do estágio Child-Pugh ou da resposta ao tratamento antiviral. Guarde isso: cirrose + rastreamento de CHC = ultrassonografia a cada 6 meses, para sempre.
1USG abdome total
2Alfafetoproteína (opcional)
3A cada 6 meses
4Manter mesmo após RVS
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta porque o rastreamento do carcinoma hepatocelular em pacientes cirróticos deve ser realizado a cada seis meses, com ultrassonografia de abdome total (e, opcionalmente, alfafetoproteína). Essa é a recomendação do PCDT para Hepatite C do Ministério da Saúde, que indica o rastreamento semestral para pacientes com fibrose avançada (F3) ou cirrose (F4), e deve ser mantido mesmo após a resposta virológica sustentada, pois o risco de CHC persiste no fígado cirrótico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O intervalo de uma vez por ano não é o recomendado para o rastreamento do CHC em cirróticos. Esse intervalo é mais longo do que o necessário para detectar o tumor em fase precoce, considerando o tempo de duplicação tumoral do CHC (em média 4-6 meses). O rastreamento anual poderia permitir que o tumor crescesse além do estágio curável. A periodicidade correta é semestral.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O intervalo de a cada dois anos não corresponde à recomendação para o rastreamento do CHC. Esse intervalo pode se confundir com a periodicidade da endoscopia digestiva alta para rastreamento de varizes esofágicas em pacientes Child A sem varizes e com fatores de evolução da hepatopatia, que é a cada 2 anos. Mas o rastreamento do CHC é sempre semestral.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O intervalo de a cada três anos não é o recomendado para o rastreamento do CHC. Esse intervalo pode se confundir com a periodicidade da endoscopia digestiva alta para rastreamento de varizes em pacientes Child A sem varizes e sem fatores de evolução da hepatopatia, que é a cada 3 anos. Mas o rastreamento do CHC é sempre semestral.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O intervalo de a cada cinco anos não tem qualquer respaldo nas diretrizes para o rastreamento do CHC. Não há recomendação de rastreamento com intervalo tão longo para nenhum grupo de pacientes cirróticos. O rastreamento do CHC é sempre semestral, independentemente do estágio da cirrose ou da resposta ao tratamento antiviral.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o rastreamento do CHC e outros acompanhamentos do paciente cirrótico. A endoscopia digestiva alta para varizes pode ser feita a cada 2 ou 3 anos, e o acompanhamento laboratorial é trimestral — mas o rastreamento do CHC é sempre semestral. Não deixe que a lembrança de outros intervalos o desvie da regra fixa: cirrose + rastreamento de CHC = ultrassonografia a cada 6 meses, para sempre.