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Questão de Direito Civil — Responsabilidade civil — FGV 2023

Direito CivilResponsabilidade civil
Código
fg065413
Banca
FGV
Órgão
PGM - Niterói
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Procurador do Município
O estudo da responsabilidade civil leva à evolução de institutos clássicos e à releitura de seus próprios pressupostos.Duas teorias sempre interessaram ao debate na doutrina civilística: a da responsabilidade sem dano e a da causalidade alternativa.Para a parte da doutrina que as admite, delas pode decorrer, respectivamente, a responsabilização:
  1. Apor danos in re ipsa; pela teoria da perda de uma chance;
  2. Bpela teoria da perda de uma chance; de todos os fornecedores que compõem a cadeia de consumo;
  3. Cpreventiva pelo risco antijurídico criado; por coisas lançadas de edifícios;
  4. Dpor danos morais sofridos pela pessoa jurídica; dos pais pelos atos praticados por filhos menores;
  5. Epor lucros cessantes em razão da violação de propriedade industrial; por culpa contra a legalidade.
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GabaritoC — preventiva pelo risco antijurídico criado; por coisas lançadas de edifícios;

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Responsabilidade civil: teorias da responsabilidade sem dano e da causalidade alternativa

Gabarito: letra C. A "responsabilidade sem dano" é admitida pela doutrina como hipótese de responsabilização preventiva pela criação de risco antijurídico (mesmo sem dano concreto). Já a "causalidade alternativa" encontra exemplo clássico no art. 938 do Código Civil, que responsabiliza o habitante do prédio por coisas lançadas ou caídas em lugar indevido.

A questão exige conhecimento de duas teorias avançadas da responsabilidade civil:

  • Responsabilidade sem dano: corrente que admite a obrigação de indenizar independentemente da ocorrência de prejuízo, baseada no risco criado. A função preventiva ganha relevo, e o mero descumprimento de um dever jurídico ou a criação de um risco antijurídico já enseja responsabilização.

  • Causalidade alternativa: aplica-se quando há múltiplos possíveis causadores e não se pode identificar qual deles efetivamente produziu o dano. O exemplo mais difundido é o de objetos lançados de um edifício: se não se sabe de qual janela partiu o objeto, todos os moradores do prédio podem ser responsabilizados solidariamente.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Danos in re ipsa" pressupõem a ocorrência de dano (apenas dispensam sua prova específica). Não se confunde com responsabilidade sem dano. "Perda de uma chance" é modalidade de dano, não hipótese de causalidade alternativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Perda de uma chance" novamente é espécie de dano, não responsabilidade sem dano. A responsabilização de todos os fornecedores da cadeia de consumo decorre do CDC (solidariedade), não especificamente da teoria da causalidade alternativa.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A primeira parte corresponde à responsabilidade preventiva pelo risco antijurídico criado (expressão que traduz a responsabilidade sem dano). A segunda parte refere-se ao art. 938 do Código Civil, que tipifica a causalidade alternativa:

Art. 938CC

Art. 938 — "Aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano proveniente das coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar indevido."

É a hipótese clássica em que, não sendo possível identificar o autor, todos os habitantes respondem.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Danos morais de pessoa jurídica são admitidos (Súmula 227 STJ), mas dependem de dano. Responsabilidade dos pais por filhos menores é hipótese de responsabilidade objetiva (art. 932, I, CC) por fato de terceiro, não de causalidade alternativa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Lucros cessantes por violação de propriedade industrial são danos materiais. "Culpa contra a legalidade" não é expressão técnica ligada à causalidade alternativa.


Conclusão: A única alternativa que correlaciona corretamente as duas teorias com seus respectivos exemplos é a letra C.

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