Questão de Português — Interpretação de Textos — FGV 2023
Português›Interpretação de Textos
Código
fg065536
Banca
FGV
Órgão
PGM - Niterói
Ano
2023
Nível
Médio
Cargo
Técnico de Procuradoria
Um texto anônimo encontrado em um pequeno jornal de um bairro registrava:“Chamo-me Pedro Álvares Cabral. Quero dizer que acabo de descobrir uma terra que parece muito grande, habitada por gente estranha, que vive em completa inocência, pois não escondem seus corpos, como nós. Não sei o que acontecerá a este lugar no futuro, principalmente me preocupa o fato de virem descobrir muitas riquezas nele, mas espero que Deus o proteja dos homens. Daqui a alguns dias voltarei para Lisboa e darei as boas-novas ao rei. Vou registrar diariamente os acontecimentos mais notáveis dessa descoberta”.Sobre a estrutura desse pequeno texto, é correto afirmar que:
Aneste caso, o narrador e o autor são a mesma pessoa;
Bo foco principal da narrativa está na apresentação das diferenças entre os índios e os europeus;
Co narrador deste pequeno texto mostra uma visão nostálgica de um passado já distante;
Das características da linguagem empregada no texto tentam indicar que se trata de um momento já distante no tempo;
Eo texto projeta uma visão futura positiva para o Brasil.
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GabaritoA — neste caso, o narrador e o autor são a mesma pessoa;
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Estrutura Narrativa em Texto Ficcional
Gabarito: Letra A. A única alternativa correta é que, no contexto ficcional do texto (um diário escrito pelo próprio personagem), o narrador e o autor (daquele registro) são a mesma pessoa: Pedro Álvares Cabral. As demais alternativas ou extrapolam ou contradizem o que está escrito.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O texto inicia-se com "Chamo-me Pedro Álvares Cabral. Quero dizer que acabo de descobrir...". Trata-se de uma narrativa em primeira pessoa, na qual o personagem-narrador é também o escriba do relato. No plano interno da história, quem narra é quem escreve, ou seja, o narrador e o autor do texto ali contido coincidem. A banca explora a distinção entre autor real (anônimo) e autor ficcional (Cabral), mas a afirmação da alternativa A refere-se ao próprio texto – e nele o narrador é o autor do diário.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: generalização indevida. O texto menciona a diferença entre índios e europeus ("gente estranha, que vive em completa inocência, pois não escondem seus corpos"), mas o foco principal recai sobre o ato da descoberta e as preocupações futuras do narrador, não sobre um contraste entre as culturas. O foco não está "na apresentação das diferenças" – isso é apenas um detalhe.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto + extrapolação. O narrador usa o presente do indicativo ("acabo", "não sei", "espero") e relata uma descoberta agora, não um passado distante. Não há nostalgia; há apreensão com o futuro. Visão nostálgica exigiria uma saudade de algo já passado, o que não ocorre.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: troca de conceito (confunde intenção com efeito). A linguagem do texto é simples e direta, sem marcas arcaizantes (como "vossa mercê" ou conjugações antigas). Ela não "tenta indicar um momento distante"; ao contrário, o presente e a naturalidade da escrita simulam uma fala contemporânea. A distância temporal é dada pelo contexto histórico do personagem, não pela linguagem.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. O narrador afirma: "me preocupa o fato de virem descobrir muitas riquezas nele, mas espero que Deus o proteja dos homens". A projeção é de cautela e preocupação, não de uma visão positiva. A esperança é de proteção, não de sucesso ou prosperidade.
PEGA ESSA DICA!
Ao analisar alternativas sobre narrador e autor, distinga o plano ficcional (mundo da história) do plano real (quem escreveu o papel). A questão trata exclusivamente da estrutura do texto dentro da ficção.