No prefácio de um de seus livros, o escritor modernista Mário de Andrade escreveu: “Mas todo este prefácio, com todo o disparate das teorias que contém, não vale coisíssima nenhuma”.Sobre o curioso vocábulo “coisíssima”, é correto afirmar que:
Ao sufixo -íssima aparece ligado a um substantivo e não a um adjetivo, como de hábito;
Ba formação do vocábulo indica intensidade;
Co vocábulo formado indica a noção de quantidade incontável;
Do sufixo utilizado no vocábulo corresponde, por tratar-se de um substantivo, ao sufixo aumentativo -ão;
Ea palavra formada é comumente empregada na linguagem erudita pelo fato de o sufixo empregado ser culto.
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GabaritoA — o sufixo -íssima aparece ligado a um substantivo e não a um adjetivo, como de hábito;
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O sufixo -íssima em substantivo: uma exceção curiosa
Gabarito: letra A. O vocábulo “coisíssima” é formado pelo substantivo “coisa” + sufixo “-íssima”. Tradicionalmente, o sufixo -íssimo é usado em adjetivos para formar o superlativo absoluto sintético (ex.: belíssimo, altíssimo). A originalidade está justamente em ele aparecer ligado a um substantivo, o que foge ao padrão. A afirmação da alternativa A capta exatamente essa peculiaridade.
Sufixo -íssimo
1Uso típico
Adjetivos
Superlativo absoluto sintético
Ex.: belíssimo, altíssimo
2Uso atípico (exceção)
Substantivos
Efeito expressivo (atenuação/ironia)
Ex.: coisíssima
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O texto da questão fornece a frase de Mário de Andrade com o vocábulo “coisíssima”. O sufixo -íssima está de fato preso ao substantivo “coisa”. Enquanto o uso comum do superlativo se dá sobre adjetivos (“belíssimo”, “inteligentíssima”), aqui ele incide sobre um substantivo, criando um efeito expressivo. A alternativa A descreve corretamente essa anomalia morfológica: “o sufixo -íssima aparece ligado a um substantivo e não a um adjetivo, como de hábito”. Não há qualquer informação no texto que contradiga essa afirmação; ao contrário, o próprio enunciado realça o caráter “curioso” do vocábulo, confirmando a excepcionalidade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que “a formação do vocábulo indica intensidade”. Embora o sufixo -íssimo, em sua origem, exprima grau superlativo (intensidade), quando aplicado a um substantivo o efeito semântico não é de intensificação, mas de atenuação ou ironia. Na frase “não vale coisíssima nenhuma”, “coisíssima” equivale a “coisa nenhuma”, ou seja, minimiza o valor, não o intensifica. O texto não sustenta que haja intensidade; pelo contexto, há negação enfática, não gradação positiva. Além disso, a banca considera A a resposta correta, indicando que B é inadequada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que “o vocábulo formado indica a noção de quantidade incontável”. “Coisa” é um substantivo contável (uma coisa, duas coisas). “Coisíssima” não altera essa propriedade; continua sendo contável, embora usado de forma genérica na expressão. O texto não traz qualquer elemento que sugira incontabilidade. Erro por contradizer a natureza do substantivo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que “o sufixo utilizado no vocábulo corresponde, por tratar-se de um substantivo, ao sufixo aumentativo -ão”. O sufixo -íssimo não é aumentativo; é superlativo. O aumentativo típico é -ão (ex.: coisão). Não há correspondência entre os dois sufixos. A assertiva confunde categoria morfológica. O texto não autoriza essa equiparação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que “a palavra formada é comumente empregada na linguagem erudita pelo fato de o sufixo empregado ser culto”. “Coisíssima” é uma criação ocasional, não um vocábulo de uso corrente na linguagem erudita. O sufixo -íssimo é de origem erudita, mas a palavra em si é coloquial ou literária, não erudita. O texto não fornece base para afirmar que o emprego é comum em contextos eruditos. Extrapolação.
Conclusão: A alternativa A é a única inteiramente amparada pelo texto e pela análise morfológica. As demais incorrem em erros de conceito ou extrapolam o que se pode afirmar com base no enunciado.