Leia a reconstituição elaborada por Tucídides de um discurso de Péricles, um importante líder político de Atenas no século V a.C.:A nossa constituição política não segue as leis de outras cidades, antes lhes serve de exemplo. O nosso governo chama-se democracia, porque a administração serve aos interesses da maioria e não de uma minoria. De acordo com as nossas leis, somos todos iguais no que se refere aos negócios privados. Quanto à participação na sua vida pública, porém, cada qual obtém a consideração de acordo com os seus méritos e mais importante é o valor pessoal do que a classe a que se pertence; isto quer dizer que ninguém sente o obstáculo da sua pobreza ou da condição social inferior, quando o seu valor o capacite a prestar serviços à cidade.Adaptado de Tucídides. História da Guerra do Peloponeso, Livro II, § 36 a 42.Com base no trecho, é correto afirmar que Péricles
Aqualificou numericamente a maioria para indicar que todos os homens adultos votavam, independentemente da nacionalidade.
Benfatizou a igualdade dos cidadãos atenienses perante a lei, independentemente de sua condição socioeconômica.
Cdefendeu a isonomia do regime aristocrático vigente em Atenas e em outras cidades-Estado gregas.
Dsustentou o critério meritocrático e censitário de participação na vida pública, aplicado a todos os habitantes da Ática.
Edefiniu a constituição ateniense de democracia pois todos os cidadãos e cidadãs tinham o direito de participar da vida política.
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GabaritoB — enfatizou a igualdade dos cidadãos atenienses perante a lei, independentemente de sua condição socioeconômica.
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Democracia ateniense no discurso de Péricles
Gabarito: letra B. Péricles enfatiza a igualdade dos cidadãos atenienses perante a lei (isonomia), afirmando que "somos todos iguais no que se refere aos negócios privados" e que a pobreza não é obstáculo para quem tem mérito — ideia central do trecho. A banca testa a capacidade de extrair do texto a defesa da igualdade jurídica combinada com a meritocracia, sem confundir com aristocracia, censo ou inclusão de não cidadãos.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O texto diz que o governo serve à "maioria", mas não especifica critério numérico para o voto. Além disso, a democracia ateniense excluía estrangeiros (metecos) — portanto, não há independência de nacionalidade. A maioria se refere aos cidadãos, não a todos os homens adultos.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Péricles afirma que "somos todos iguais no que se refere aos negócios privados" e que "ninguém sente o obstáculo da sua pobreza ou da condição social inferior, quando o seu valor o capacite". Isso expressa justamente a igualdade perante a lei (isonomia) e a possibilidade de participação baseada no mérito, independentemente da condição socioeconômica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O trecho defende claramente a democracia, e não a aristocracia. A expressão "interesses da maioria" e a crítica à "minoria" são incompatíveis com o regime aristocrático.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Péricles defende o mérito pessoal, mas rejeita o critério censitário (baseado na riqueza). Ele diz que "mais importante é o valor pessoal do que a classe a que se pertence", o que exclui a lógica censitária. Além disso, a participação era restrita a cidadãos, não a todos os habitantes da Ática.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A democracia ateniense excluía as mulheres da vida política. A frase "todos os cidadãos e cidadãs" não corresponde à realidade histórica: apenas cidadãos homens (atenienses adultos, filhos de pai e mãe atenienses) participavam.
PEGA ESSA DICA!
Ao interpretar textos históricos, foque nas palavras-chave que indicam inclusão/exclusão ("maioria", "todos iguais", "pobreza", "mérito") e no contexto do regime político. Compare com o que se sabe sobre a democracia ateniense — sempre lembrando que era uma democracia direta e restrita. Memorize os limites da cidadania: excluíam-se mulheres, estrangeiros e escravos.