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Questão de Direito Penal — Concussão e Excesso de Exação — FGV 2023

Direito PenalConcussão e Excesso de Exação
Código
fg066078
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de Niterói - RJ
Ano
2023
Nível
Médio
Cargo
Fiscal de Obras
Pedro, funcionário público municipal, é competente para apreciar o requerimento de concessão de licença para a realização de obras.Ao analisar a licença requerida por Maria, ele exigiu a importância de dez mil reais para que a licença requerida fosse deferida. Acresça-se que essa importância não era prevista em lei e seria direcionada a Pedro.A conduta de Pedro configura crime de
  1. Aconcussão.
  2. Bprevaricação.
  3. Ccorrupção ativa.
  4. Dcorrupção passiva.
  5. Eexcesso de exação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — concussão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Direito Penal — Concussão

Gabarito: letra A. Pedro, funcionário público, exigiu vantagem indevida (R$ 10.000,00) para praticar ato de ofício (deferir licença). Essa conduta se amolda perfeitamente ao caput do art. 316 do Código Penal, que define o crime de concussão.

A banca testa a capacidade de distinguir a concussão de figuras afins, como corrupção passiva, excesso de exação e prevaricação. A chave está no verbo nuclear: "exigir" (concussão) versus "solicitar/receber" (corrupção passiva).

Art. 316CP

Art. 316 — "Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa."

Crimes contra a Administração
  • 1Exigir vantagem (art. 316)
    • Concussão (caput)
      • Exigir para si/outrem
      • Em razão da função
      • Independe de pagamento
    • Excesso de exação (§1º)
      • Exigir tributo indevido
      • Meio vexatório em cobrança
  • 2Solicitar/receber vantagem (art. 317)
    • Corrupção passiva
      • Solicitar
      • Receber
  • 3Oferecer/prometer vantagem (art. 333)
    • Corrupção ativa
      • Praticado por particular
  • 4Retardar/omitir ato (art. 319)
    • Prevaricação
      • Interesse pessoal
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta de Pedro é exatamente a descrita no caput do art. 316 CP: ele exigiu, em razão da função, vantagem indevida (o dinheiro para deferir a licença). O crime de concussão se consuma com a mera exigência, independentemente de a vantagem ser paga.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Prevaricação (art. 319 CP) consiste em retardar, deixar de praticar ou praticar contra a lei ato de ofício para satisfazer interesse pessoal. Pedro não deixou de praticar o ato; ele exigiu vantagem para praticá-lo. O elemento central da prevaricação é a indevida omissão/retardo, não a exigência de vantagem.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Corrupção ativa (art. 333 CP) é crime praticado por particular contra a administração: "oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público". Pedro é funcionário público, não particular. Portanto, não se enquadra nesse tipo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Corrupção passiva (art. 317 CP) tem como verbos nucleares "solicitar ou receber" vantagem indevida. A concussão exige "exigir". A diferença está no grau de coação: na concussão o funcionário impõe a vantagem; na corrupção passiva há solicitação ou aceitação. Como Pedro exigiu, o crime é concussão, não corrupção passiva.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Excesso de exação (art. 316, §1º CP) ocorre quando o funcionário exige tributo ou contribuição social indevidos, ou emprega meio vexatório na cobrança de tributo devido. A vantagem exigida por Pedro não é tributo, mas sim propina particular. Além disso, a exigência foi para beneficiar o próprio agente, não para recolher aos cofres públicos. Por isso, não há excesso de exação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a diferença entre "exigir" (concussão) e "solicitar/receber" (corrupção passiva). Lembre-se: se o funcionário exige com tom de imposição, é concussão; se apenas solicita ou recebe espontaneamente, é corrupção passiva. No caso, Pedro exigiu o dinheiro para liberar a licença — típica concussão. Com treino, você distingue esses verbos sem hesitação!

Crime

Verbo nuclear

Sujeito ativo

Objeto

Concussão (art. 316 caput)

Exigir

Funcionário público

Vantagem indevida

Corrupção passiva (art. 317)

Solicitar ou receber

Funcionário público

Vantagem indevida

Excesso de exação (art. 316 §1º)

Exigir (tributo)

Funcionário público

Tributo indevido ou cobrança vexatória

Prevaricação (art. 319)

Retardar/deixar de praticar/praticar contra lei

Funcionário público

Ato de ofício

Corrupção ativa (art. 333)

Oferecer ou prometer

Particular

Vantagem indevida

Gabarito: letra A.

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