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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2023

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg066642
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cardiologista Adulto
Em pacientes com suspeita de síndrome coronariana aguda, o eletrocardiograma é essencial para definir o espectro de apresentação da doença.Na ausência de sobrecarga ventricular esquerda, estimulação artificial ou bloqueio de ramo esquerdo, um critério eletrocardiográfico compatível com um caso de síndrome coronariana aguda com supradesnível do segmento ST, em um paciente com dor torácica é:
  1. ASupradesnível do segmento ST de 0,5mm em DI e aVR.
  2. BSupradesnível do segmento ST de 0,5mm em V2 e V3.
  3. CInfradesnível isolado do segmento ST de 2mm em aVR.
  4. DSupradesnível do segmento ST de 1,5mm em DII, DIII e aVF.
  5. ESupradesnível difuso do segmento ST de 1mm, exceto em aVR e V1.
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GabaritoD — Supradesnível do segmento ST de 1,5mm em DII, DIII e aVF.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome coronariana aguda com supradesnível do segmento ST: critérios eletrocardiográficos

Gabarito: letra D. O critério eletrocardiográfico compatível com SCA com supradesnível do ST, na ausência de sobrecarga ventricular esquerda, estimulação artificial ou bloqueio de ramo esquerdo, é o supradesnível do segmento ST de 1,5 mm em DII, DIII e aVF — derivações contíguas que correspondem à parede inferior. As demais alternativas apresentam valores ou derivações que não preenchem os critérios diagnósticos estabelecidos pelas diretrizes.

A síndrome coronariana aguda (SCA) é um espectro que engloba desde a angina instável até o infarto agudo do miocárdio (IAM), sendo dividida didaticamente em SCA com supradesnível do segmento ST (IAMCST) e SCA sem supradesnível do ST (SCASST). Essa divisão é crucial porque define a conduta terapêutica: no IAMCST, a reperfusão emergencial é mandatória, enquanto na SCASST, a estratégia inicial é geralmente clínica, com estratificação de risco. O eletrocardiograma (ECG) é a ferramenta central para essa classificação, devendo ser realizado nos primeiros 10 minutos de atendimento do paciente com dor torácica.

O critério diagnóstico para IAM com supradesnível do ST, conforme as diretrizes, é a presença de supradesnível novo do segmento ST em duas ou mais derivações contíguas, com pontos de corte específicos que variam conforme a derivação e o sexo do paciente. Para as derivações V2 e V3, o ponto de corte é maior: 2,5 mm em homens com menos de 40 anos, 2 mm em homens com 40 anos ou mais, e 1,5 mm em mulheres. Nas demais derivações (incluindo as de membros, como DII, DIII e aVF), o critério é supradesnível maior que 1 mm. A contiguidade das derivações é essencial: elas devem representar a mesma parede miocárdica, como as derivações inferiores (DII, DIII e aVF), que correspondem à parede inferior do coração, geralmente irrigada pela artéria coronária direita.

A alternativa D está correta porque apresenta supradesnível de 1,5 mm em DII, DIII e aVF, que são derivações contíguas da parede inferior, e o valor de 1,5 mm é superior ao ponto de corte de 1 mm exigido para derivações de membros. As demais alternativas falham por diferentes motivos: a alternativa A apresenta supradesnível de 0,5 mm em DI e aVR, mas aVR é uma derivação que normalmente apresenta o segmento ST com aspecto espelhado, e o valor de 0,5 mm é insuficiente; a alternativa B apresenta 0,5 mm em V2 e V3, mas o ponto de corte para essas derivações é de pelo menos 1,5 mm em mulheres e 2 mm em homens; a alternativa C descreve infradesnível isolado em aVR, que é um achado de isquemia subendocárdica, não de supradesnível; e a alternativa E descreve supradesnível difuso de 1 mm, exceto em aVR e V1, que é um padrão sugestivo de pericardite, não de IAMCST.

A pegadinha desta questão está na memorização dos pontos de corte e na identificação das derivações contíguas. A banca explora a confusão entre os critérios para derivações precordiais (V2 e V3) e derivações de membros, além de tentar induzir o candidato a aceitar valores abaixo do limiar diagnóstico ou padrões que não são típicos de IAMCST. É fundamental que o aluno decore os valores exatos e entenda a lógica da contiguidade das derivações para não cair nessas armadilhas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O supradesnível de 0,5 mm em DI e aVR não preenche o critério diagnóstico. Além do valor ser insuficiente (o ponto de corte para derivações de membros é > 1 mm), a derivação aVR é uma derivação "espelho" que normalmente apresenta o segmento ST com polaridade invertida em relação às demais, e o supradesnível em aVR isoladamente não é um critério de IAMCST. Na verdade, o supradesnível em aVR pode ser um marcador de oclusão do tronco da coronária esquerda, mas não com esse valor e não em associação com DI dessa forma.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O supradesnível de 0,5 mm em V2 e V3 está muito abaixo do ponto de corte para essas derivações. Para V2 e V3, o critério é supradesnível > 2,5 mm em homens com menos de 40 anos, > 2 mm em homens com 40 anos ou mais, e > 1,5 mm em mulheres. O valor de 0,5 mm é insuficiente para o diagnóstico de IAMCST, mesmo que as derivações sejam contíguas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O infradesnível isolado do segmento ST de 2 mm em aVR não é um critério de SCA com supradesnível do ST. Pelo contrário, o infradesnível em aVR pode ser um marcador de isquemia subendocárdica difusa ou de oclusão do tronco da coronária esquerda, mas não se enquadra no espectro de IAMCST. A questão pede especificamente um critério de supradesnível, e esta alternativa descreve um infradesnível, o que a torna claramente incorreta.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O supradesnível do segmento ST de 1,5 mm em DII, DIII e aVF é o critério diagnóstico correto. Essas três derivações são contíguas e correspondem à parede inferior do coração. O valor de 1,5 mm é superior ao ponto de corte de 1 mm exigido para derivações de membros, preenchendo assim o critério para IAMCST de parede inferior. Este é o padrão clássico de infarto inferior, geralmente associado à oclusão da artéria coronária direita.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O supradesnível difuso do segmento ST de 1 mm, exceto em aVR e V1, é um padrão típico de pericardite aguda, não de IAMCST. Na pericardite, o supradesnível é difuso e côncavo para cima, acometendo múltiplas derivações, com infradesnível recíproco em aVR e V1. No IAMCST, o supradesnível é localizado, em derivações contíguas que correspondem a uma parede específica, e geralmente é convexo para cima. Portanto, esta alternativa descreve um diagnóstico diferencial, não o critério de IAMCST.

Gabarito: letra D — supradesnível do segmento ST de 1,5 mm em DII, DIII e aVF, derivações contíguas da parede inferior, com valor acima do ponto de corte de 1 mm para derivações de membros.

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