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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2023

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg066657
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Cardiologista Adulto
O escore de Duke é uma ferramenta validada que utiliza variáveis do teste ergométrico para estimar o risco de eventos cardiovasculares futuros. Considerando os componentes do escore e a sua interpretação, assinale a afirmativa correta.
  1. AO tempo de exercício durante o teste de esforço não apresenta valor prognóstico.
  2. BEm pacientes com pontuação intermediária (> –11 e < +5), outros exames de imagem, como a angiotomografia coronariana, não auxiliam na reclassificação de risco cardiovascular.
  3. CA inversão da onda T está incluída no escore de Duke, porque apresenta maior valor prognóstico do que desvios do segmento ST.
  4. DA presença de angina em qualquer intensidade de esforço isoladamente classifica o paciente como alto risco, independente de ser um sintoma limitante ou não.
  5. EPacientes com pontuação no escore de Duke ≤ -11 apresentam uma alta taxa anual de morte cardiovascular.
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GabaritoE — Pacientes com pontuação no escore de Duke ≤ -11 apresentam uma alta taxa anual de morte cardiovascular.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Escore de Duke: componentes e interpretação prognóstica

Gabarito: letra E. O escore de Duke é calculado pela fórmula: duração do exercício − (5 × desvio máximo do segmento ST) − (4 × índice de angina), e pontuações ≤ −11 definem o grupo de alto risco, associado a uma taxa anual de mortalidade cardiovascular superior a 5% — exatamente o que a alternativa E afirma. As demais alternativas distorcem os componentes ou a interpretação do escore, como veremos a seguir.

O escore de Duke (Duke Treadmill Score) é uma ferramenta prognóstica validada que integra três variáveis obtidas no teste ergométrico: o tempo total de exercício (em minutos, conforme o protocolo de Bruce), o desvio máximo do segmento ST (em milímetros, seja ele depressão ou elevação) e o índice de angina (que pontua 0 se não há angina, 1 se há angina não limitante e 2 se a angina limita o exercício). A fórmula é: escore = duração do exercício − (5 × desvio do ST) − (4 × índice de angina).

A interpretação divide os pacientes em três estratos de risco: baixo risco (escore ≥ +5), com taxa anual de mortalidade cardiovascular em torno de 0,5%; risco intermediário (escore entre −11 e +4), com taxa anual de mortalidade de aproximadamente 2%; e alto risco (escore ≤ −11), com taxa anual de mortalidade cardiovascular superior a 5%. Essa estratificação orienta decisões clínicas: pacientes de alto risco são candidatos a investigação invasiva (cineangiocoronariografia), enquanto os de baixo risco podem ser manejados conservadoramente.

Na prática, o escore de Duke é particularmente útil na avaliação de pacientes com suspeita de doença arterial coronariana (DAC) estável, ajudando a definir quem se beneficia de exames complementares ou de revascularização. Por exemplo, um paciente que exercita por 9 minutos, apresenta depressão do ST de 2 mm e angina limitante (índice 2) teria escore = 9 − (5 × 2) − (4 × 2) = 9 − 10 − 8 = −9, classificando-se como risco intermediário. Já um paciente com 5 minutos de exercício, depressão de 3 mm e angina limitante teria escore = 5 − 15 − 8 = −18, enquadrando-se como alto risco.

A principal distinção que a banca explora é entre os componentes do escore e a interpretação dos pontos de corte. Enquanto o desvio do segmento ST e o índice de angina são componentes centrais, a inversão da onda T não faz parte do escore de Duke — ela é um achado eletrocardiográfico que pode sugerir isquemia, mas não integra a fórmula. Além disso, a presença de angina isoladamente não classifica o paciente como alto risco; é a combinação com o tempo de exercício e o desvio do ST que determina o estrato.

Guarde a fronteira entre os três estratos de risco (baixo ≥ +5, intermediário −11 a +4, alto ≤ −11) e os componentes exatos da fórmula: é exatamente nesses dois pontos que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O tempo de exercício é um dos três componentes do escore de Duke e apresenta valor prognóstico significativo: quanto menor o tempo de exercício, maior o risco de eventos cardiovasculares. A alternativa inverte completamente o papel dessa variável, que é justamente um dos pilares da fórmula.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Em pacientes com escore intermediário (entre −11 e +4), a realização de exames de imagem, como a angiotomografia coronariana, auxilia sim na reclassificação de risco. O escore de Duke é uma ferramenta de estratificação inicial, e pacientes intermediários frequentemente se beneficiam de investigação complementar para refinar o prognóstico e decidir a conduta. A alternativa nega um benefício real desses exames nesse grupo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A inversão da onda T não está incluída no escore de Duke. Os componentes são apenas o tempo de exercício, o desvio do segmento ST e o índice de angina. Além disso, o desvio do segmento ST tem maior valor prognóstico do que a inversão da onda T isolada, contrariando a afirmação. A alternativa mistura um achado eletrocardiográfico (inversão de onda T) com os componentes reais do escore.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A presença de angina, por si só, não classifica o paciente como alto risco. No escore de Duke, a angina é ponderada pelo índice (0, 1 ou 2), mas o estrato final depende da combinação com o tempo de exercício e o desvio do ST. Um paciente com angina não limitante, mas com bom tempo de exercício e pequeno desvio do ST, pode ser classificado como baixo ou intermediário risco. A alternativa ignora a natureza multifatorial do escore.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Pontuações ≤ −11 no escore de Duke definem o estrato de alto risco, associado a uma taxa anual de mortalidade cardiovascular superior a 5%. Essa é a interpretação clássica do escore, amplamente validada em estudos prognósticos. A alternativa reproduz corretamente o ponto de corte e a consequência clínica.

Gabarito: letra E

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