Questão de Medicina — Pneumologia — FGV 2023
- Código
- fg066722
- Banca
- FGV
- Órgão
- Prefeitura de São José dos Campos - SP
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Clínico Geral
- AAmpicilina.
- BPrednisona.
- CItraconazol.
- DAziitromicina.
- EAnfotericina B.
GabaritoC — Itraconazol.
Gabarito: letra C. O caso descreve uma paciente com asma de difícil controle, eosinofilia, IgE > 1000 UI/mL e bronquiectasias centrais na TC — a tríade clássica da aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA). O tratamento de escolha é o itraconazol, um antifúngico triazólico que atua contra o Aspergillus fumigatus, o fungo responsável pela sensibilização alérgica que perpetua a inflamação das vias aéreas nesses pacientes.
A ABPA é uma doença pulmonar complexa que ocorre quase exclusivamente em pacientes com asma ou fibrose cística. Não se trata de uma infecção invasiva, mas de uma reação de hipersensibilidade ao fungo Aspergillus fumigatus que coloniza as vias aéreas. O fungo não invade tecidos, mas desencadeia uma resposta imune exacerbada, mediada por IgE e eosinófilos, que leva a dano brônquico progressivo. É por isso que os achados laboratoriais mostram eosinofilia e IgE total elevada (frequentemente > 1000 UI/mL), e a TC revela bronquiectasias centrais — dilatações irreversíveis dos brônquios proximais, um achado característico da doença.
O diagnóstico da ABPA se baseia em critérios clínicos, laboratoriais e radiológicos. Os principais critérios incluem: asma ou fibrose cística, IgE total elevada, eosinofilia, IgE e/ou IgG específicas para Aspergillus, precipitinas positivas, infiltrados pulmonares migratórios e bronquiectasias centrais. No caso apresentado, a paciente preenche os critérios essenciais: asma com exacerbações frequentes, eosinofilia, IgE > 1000 UI/mL e bronquiectasias na TC.
O tratamento da ABPA tem dois pilares fundamentais: o controle da inflamação e a redução da carga fúngica. O corticoide sistêmico (prednisona) é a base do tratamento para controlar a resposta inflamatória, mas o itraconazol é adicionado como terapia adjuvante para reduzir a colonização fúngica e diminuir a necessidade de corticosteroides. Estudos mostram que a associação de itraconazol ao corticoide melhora o controle da doença, reduz exacerbações e diminui a dose cumulativa de corticoide necessária. É por isso que, na prática clínica, o itraconazol é considerado o tratamento de escolha quando se identifica a ABPA como causa da asma de difícil controle.
A distinção crucial aqui é entre o tratamento da exacerbação aguda da asma e o tratamento da ABPA como doença de base. Na exacerbação aguda, a prednisona é o pilar do tratamento. No entanto, na ABPA, o itraconazol é a terapia específica que modifica o curso da doença, atuando na causa fúngica subjacente. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode pensar em prednisona por ser um corticoide usado na asma, mas a pergunta é sobre o tratamento de escolha para a condição que está causando a asma de difícil controle — a ABPA.
Guarde este critério: asma de difícil controle + eosinofilia + IgE muito elevada + bronquiectasias centrais = ABPA → itraconazol. É essa associação de achados que aponta para o diagnóstico e, consequentemente, para a terapia antifúngica.
A ampicilina é um antibiótico betalactâmico de amplo espectro, utilizado no tratamento de infecções bacterianas, como pneumonia adquirida na comunidade, meningite e endocardite. Não tem nenhum papel no tratamento da ABPA, que é uma doença de hipersensibilidade fúngica, não uma infecção bacteriana. O uso de antibióticos não trata a inflamação alérgica nem reduz a colonização por Aspergillus.
A prednisona é um corticoide sistêmico e, de fato, é um componente importante do tratamento da ABPA, pois controla a inflamação das vias aéreas. No entanto, a questão pergunta sobre o tratamento de escolha para a condição. Na ABPA, o tratamento de escolha é o itraconazol, que atua na causa fúngica, enquanto a prednisona é usada como terapia adjuvante para controle da inflamação. A banca coloca a prednisona como distrator porque ela é usada na asma, mas não é a terapia específica para a ABPA.
O itraconazol é um antifúngico triazólico que inibe a síntese de ergosterol na membrana celular do fungo. Na ABPA, ele é o tratamento de escolha porque reduz a colonização das vias aéreas por Aspergillus fumigatus, diminuindo a resposta inflamatória alérgica e a necessidade de corticosteroides. Estudos demonstram que o itraconazol melhora o controle da asma, reduz exacerbações e diminui os níveis de IgE e eosinófilos em pacientes com ABPA.
A azitromicina é um antibiótico macrolídeo com propriedades imunomoduladoras, utilizado no tratamento de infecções respiratórias e em algumas doenças inflamatórias crônicas, como a fibrose cística e a panbronquiolite difusa. No entanto, não é o tratamento de escolha para ABPA. Embora os macrolídeos possam ter algum efeito anti-inflamatório, eles não atuam contra o Aspergillus e não são a terapia específica para essa condição.
A anfotericina B é um antifúngico potente utilizado no tratamento de infecções fúngicas invasivas, como aspergilose invasiva, candidíase sistêmica e criptococose. Na ABPA, que é uma doença de hipersensibilidade e não uma infecção invasiva, a anfotericina B não é indicada. Seu uso é reservado para casos graves de aspergilose invasiva, geralmente em pacientes imunocomprometidos, e não para a ABPA.
Gabarito: letra C — o itraconazol é o tratamento de escolha para a aspergilose broncopulmonar alérgica, condição que explica a asma de difícil controle, eosinofilia, IgE elevada e bronquiectasias centrais da paciente.
Link permanente: /questoes/fg066722