Questão de Medicina — Pneumologia — FGV 2023
- Código
- fg066723
- Banca
- FGV
- Órgão
- Prefeitura de São José dos Campos - SP
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Clínico Geral
- APneumonia.
- BBronquite.
- CAtelectasia.
- DDerrame pleural.
- EPneumotórax.
GabaritoE — Pneumotórax.
Gabarito: letra E. O paciente apresenta dor torácica aguda, dispneia, hipotensão (PA 85x60 mmHg), taquicardia (FC 112 bpm), taquipneia (FR 25 irpm) e diminuição do murmúrio vesicular à esquerda — um conjunto que, em um adulto jovem com fibrose cística (doença pulmonar estrutural que predispõe à ruptura de blebs), aponta fortemente para pneumotórax espontâneo. O achado semiológico decisivo é a diminuição do MV unilateral, que, somado ao quadro agudo e ao comprometimento hemodinâmico, diferencia o pneumotórax das demais alternativas.
O pneumotórax é o acúmulo de ar no espaço pleural, que torna a pressão pleural positiva e comprime o pulmão subjacente. No paciente jovem com fibrose cística, a ruptura de blebs subpleurais (bolhas) é um mecanismo clássico de pneumotórax espontâneo secundário. O quadro clínico típico é de dispneia de início súbito, dor torácica pleurítica e, ao exame, diminuição ou abolição do murmúrio vesicular, hiper-ressonância à percussão, frêmito tátil diminuído e, nos casos mais graves, desvio da traqueia para o lado oposto e comprometimento hemodinâmico (hipotensão, taquicardia). A hipotensão neste paciente (PA 85x60 mmHg) sugere um pneumotórax de maior volume ou até hipertensivo, que é uma emergência que exige descompressão imediata.
A fibrose cística é uma doença genética que causa doença pulmonar crônica com formação de bronquiectasias e blebs, aumentando significativamente o risco de pneumotórax espontâneo. Este é um dos diagnósticos diferenciais mais importantes em pacientes com fibrose cística que apresentam dor torácica e dispneia agudas. O diagnóstico é clínico e confirmado por radiografia de tórax (ortostática), que mostra a separação da pleura visceral da parietal com ar entre elas; a ultrassonografia point-of-care também é útil na emergência.
A banca explora aqui a sobreposição de achados clínicos entre as doenças respiratórias: a diminuição do MV pode ocorrer em pneumonia, atelectasia, derrame pleural e pneumotórax. O que diferencia é o contexto agudo + hipotensão + doença pulmonar estrutural prévia. Na pneumonia, espera-se febre, estertores e consolidação; na atelectasia, o quadro costuma ser mais arrastado e associado a obstrução brônquica; no derrame pleural, a percussão é maciça (não hiper-ressonante) e o quadro é mais subagudo. A combinação de início súbito, dor torácica, dispneia e hipotensão em um paciente com fibrose cística é o cenário clássico de pneumotórax.
A banca coloca a pneumonia como distrator, pois o paciente tem história de várias internações por pneumonia e tosse crônica. O candidato pode ser levado a pensar em pneumonia, mas o quadro é agudo, com hipotensão e diminuição do MV unilateral — sem febre, sem estertores e sem consolidação. Na pneumonia, a ausculta costuma mostrar crepitações e o paciente geralmente tem febre; aqui, o dado de hipotensão com dor torácica súbita em um paciente com fibrose cística é o gatilho para pensar em pneumotórax. Fique atento: a história de pneumonias de repetição é um fator de risco para doença pulmonar estrutural, que predispõe ao pneumotórax, não ao diagnóstico atual de pneumonia.
A pneumonia é uma infecção do parênquima pulmonar que cursa com febre, tosse produtiva, estertores crepitantes e, na radiografia, infiltrado ou consolidação. Embora o paciente tenha história de pneumonias de repetição, o quadro atual é de início súbito com hipotensão e diminuição do MV, sem febre ou sinais de consolidação (macicez, frêmito aumentado). A pneumonia poderia causar taquipneia e taquicardia, mas a hipotensão com dor torácica súbita em um paciente com fibrose cística é mais sugestiva de pneumotórax. Além disso, a diminuição do MV na pneumonia é geralmente focal e acompanhada de crepitações, não uma abolição unilateral.
A bronquite é uma inflamação dos brônquios, geralmente de causa viral, que cursa com tosse produtiva, sibilos e desconforto torácico, mas não causa dor torácica aguda com hipotensão nem diminuição do MV unilateral. O quadro de bronquite é mais arrastado, com tosse e expectoração, e a ausculta costuma mostrar roncos e sibilos difusos, não abolição do murmúrio vesicular em um hemitórax. A gravidade hemodinâmica (PA 85x60 mmHg) e o início súbito afastam bronquite como diagnóstico principal.
A atelectasia é a perda de volume pulmonar, que pode causar diminuição do MV e macicez à percussão, mas geralmente tem início insidioso e está associada a obstrução brônquica (por tumor, corpo estranho ou rolha de muco). No paciente com fibrose cística, a atelectasia por rolha de muco é possível, mas o quadro agudo com hipotensão e dor torácica súbita é mais compatível com pneumotórax. Na atelectasia, a percussão é maciça (não hiper-ressonante) e não há o comprometimento hemodinâmico agudo típico do pneumotórax de maior volume.
O derrame pleural é o acúmulo de líquido no espaço pleural, que causa diminuição do MV e macicez à percussão. No entanto, o quadro costuma ser subagudo ou crônico, com dispneia progressiva, e raramente causa dor torácica súbita com hipotensão. No paciente com fibrose cística, o derrame pleural pode ocorrer, mas o início agudo com comprometimento hemodinâmico é mais sugestivo de pneumotórax. Além disso, na ausculta, o derrame pleural causa diminuição do MV, mas a percussão é maciça, enquanto no pneumotórax é hiper-ressonante.
O pneumotórax é o acúmulo de ar no espaço pleural, que comprime o pulmão e causa dispneia de início súbito, dor torácica e, ao exame, diminuição ou abolição do murmúrio vesicular no lado afetado. No paciente jovem com fibrose cística, a ruptura de blebs subpleurais é um mecanismo clássico. A hipotensão (PA 85x60 mmHg) e a taquicardia (FC 112 bpm) indicam um pneumotórax de maior volume, possivelmente hipertensivo, que é uma emergência. O diagnóstico é clínico e confirmado por radiografia de tórax, que mostra a linha da pleura visceral separada da parietal. O tratamento de um pneumotórax significativo envolve toracostomia com drenagem em selo d'água; no hipertensivo, a descompressão imediata com agulha é necessária.
Gabarito: letra E.
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