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Questão de Medicina — Dermatologia — FGV 2023

MedicinaDermatologia
Código
fg066747
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Dermatologista
Assinale a neoplasia interna que, ao compartilhar determinado gene, tem maior correlação com o melanoma.
  1. AFígado.
  2. BFibrossarcoma.
  3. CLinfoma de Hodking.
  4. DAngiossarcoma.
  5. EPâncreas.
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GabaritoE — Pâncreas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Melanoma e neoplasias internas: correlação genética

Gabarito: letra E. O pâncreas é a neoplasia interna com maior correlação genética com o melanoma, compartilhando o gene CDKN2A (p16), cuja mutação germinativa está associada à síndrome do melanoma familiar e ao melanoma múltiplo primário, com risco aumentado de câncer de pâncreas. Essa associação é reconhecida na literatura oncológica e dermatológica, sendo critério para avaliação genética quando há melanoma e câncer de pâncreas no mesmo paciente ou em parentes próximos.

O melanoma é uma neoplasia maligna de melanócitos, células produtoras de pigmento localizadas na camada basal da epiderme. Embora represente cerca de 1% de todos os cânceres de pele, é responsável pela maioria das mortes por câncer de pele devido ao seu alto potencial metastático. A radiação ultravioleta é o principal fator de risco ambiental, mas há um componente genético significativo: cerca de 10% dos casos ocorrem em contexto familiar, e o gene mais frequentemente implicado é o CDKN2A, que codifica a proteína p16, um inibidor de quinase dependente de ciclina que atua como supressor tumoral.

A síndrome do melanoma familiar (FAMMM – Familial Atypical Multiple Mole Melanoma syndrome) é caracterizada pela presença de múltiplos nevos atípicos e melanoma em vários membros da família, com herança autossômica dominante e penetrância variável. Além do melanoma cutâneo, os portadores de mutação no CDKN2A apresentam risco aumentado de desenvolver câncer de pâncreas, com risco cumulativo que pode chegar a 17% aos 75 anos. Essa associação é tão forte que a presença de melanoma e câncer de pâncreas no mesmo paciente ou em parentes de primeiro grau é critério para testagem genética, conforme diretrizes de acompanhamento oncológico.

Na prática clínica, a identificação dessa correlação tem implicações diretas no rastreamento: pacientes com melanoma e história familiar de câncer de pâncreas devem ser considerados para vigilância pancreática, e familiares de portadores de mutação no CDKN2A devem ser orientados sobre o risco aumentado de ambas as neoplasias. A tabela de acompanhamento pós-tratamento de neoplasias frequentemente lista, entre os critérios para avaliação genética, a ocorrência de "melanoma e câncer de pâncreas no mesmo paciente" ou "≥ 3 casos de melanoma e/ou câncer de pâncreas em parentes próximos", evidenciando o reconhecimento formal dessa associação.

As demais neoplasias listadas nas alternativas não apresentam correlação genética significativa com o melanoma. O fibrossarcoma e o angiossarcoma são sarcomas de tecidos moles, que possuem rearranjos gênicos próprios (como translocações cromossômicas), mas não compartilham genes de predisposição com o melanoma. O linfoma de Hodgkin tem associação com o vírus Epstein-Barr e com imunossupressão, mas não há sobreposição genética relevante com o melanoma. O fígado, embora seja sítio frequente de metástases do melanoma, não é uma neoplasia primária com correlação genética compartilhada.

A pegadinha desta questão está em confundir o sítio de metástase com a correlação genética: o fígado é um dos locais mais comuns de disseminação metastática do melanoma, mas isso não significa que haja compartilhamento de genes entre as neoplasias primárias. A banca explora exatamente essa confusão entre padrão de recorrência e associação genética. O critério decisivo é a existência de uma síndrome de predisposição hereditária que envolva ambos os tumores, o que ocorre especificamente com o pâncreas.

1Pâncreas (CDKN2A/p16)
Síndrome do melanoma familiar (FAMMM)
Risco aumentado de câncer de pâncreas
Critério para avaliação genética
2Fígado
Só sítio de metástase
Sem correlação genética
3Fibrossarcoma
Rearranjos gênicos próprios
Sem sobreposição com melanoma
4Linfoma de Hodgkin
Associação com EBV/imunossupressão
Sem relação com CDKN2A
5Angiossarcoma
Associado a radiação/linfedema
Sem predisposição compartilhada
Correlação genética com melanoma
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Correlação genética com melanoma: Pâncreas (CDKN2A/p16) (Síndrome do melanoma familiar (FAMMM), Risco aumentado de câncer de pâncreas, Critério para avaliação genética); Fígado (Só sítio de metástase, Sem correlação genética); Fibrossarcoma (Rearranjos gênicos próprios, Sem sobreposição com melanoma); Linfoma de Hodgkin (Associação com EBV/imunossupressão, Sem relação com CDKN2A); Angiossarcoma (Associado a radiação/linfedema, Sem predisposição compartilhada)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O fígado é um sítio frequente de metástases do melanoma, mas não há correlação genética entre melanoma e neoplasia hepática primária. A confusão aqui é entre padrão de disseminação metastática e associação genética hereditária. O fígado aparece como local de recorrência do melanoma, não como neoplasia primária que compartilha genes de predisposição.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O fibrossarcoma é um sarcoma de tecidos moles que possui rearranjos gênicos próprios, como translocações cromossômicas, mas não compartilha genes de predisposição com o melanoma. Não há síndrome hereditária que associe fibrossarcoma e melanoma de forma significativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O linfoma de Hodgkin tem associação com o vírus Epstein-Barr e com estados de imunossupressão, mas não há sobreposição genética relevante com o melanoma. A patogênese do linfoma de Hodgkin é distinta, envolvendo células de Reed-Sternberg e vias de sinalização específicas, sem relação com o CDKN2A.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O angiossarcoma é um sarcoma vascular agressivo, frequentemente associado a exposição à radiação ou a linfedema crônico, mas não compartilha genes de predisposição com o melanoma. Não há evidência de síndrome hereditária que associe angiossarcoma e melanoma.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O pâncreas é a neoplasia interna com maior correlação genética com o melanoma, compartilhando o gene CDKN2A (p16). A síndrome do melanoma familiar (FAMMM) confere risco aumentado tanto para melanoma quanto para câncer de pâncreas, e a presença de ambas as neoplasias no mesmo paciente ou em parentes próximos é critério formal para avaliação genética, conforme diretrizes de acompanhamento oncológico.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de correlação genética entre neoplasias, foque em síndromes hereditárias bem estabelecidas. A associação melanoma-pâncreas via CDKN2A é um clássico; outras associações importantes incluem Li-Fraumeni (TP53) com sarcomas e leucemias, e Lynch (genes MMR) com câncer colorretal e endometrial. Memorize as principais síndromes e seus genes associados.

Gabarito: letra E

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