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Questão de Medicina — Pneumologia — FGV 2023

MedicinaPneumologia
Código
fg066776
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Emergencista Adulto
Dos quadros a seguir, assinale o que mais provavelmente irá se beneficiar da realização de ventilação não invasiva (VNI).
  1. APaciente internado por doença pulmonar obstrutiva crônica exacerbada, evoluindo com acidose hipercápnica.
  2. BPaciente internado por insuficiência cardíaca perfil L.
  3. CPaciente internado por exacerbação asmática, evoluindo com insuficiência respiratória e rebaixamento do nível de consciência.
  4. DPaciente com acidente vascular encefálico recente e internado por pneumonia aspirativa.
  5. EPaciente com COVID19 leve, sem necessidade de oxigenoterapia.
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GabaritoA — Paciente internado por doença pulmonar obstrutiva crônica exacerbada, evoluindo com acidose hipercápnica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ventilação não invasiva (VNI): indicações e contraindicações

Gabarito: letra A. A exacerbação de DPOC com acidose hipercápnica é a indicação clássica e de primeira linha para VNI, com forte evidência de redução de intubação e mortalidade. As demais alternativas apresentam contraindicações relativas ou absolutas ao método, como rebaixamento do nível de consciência, instabilidade ou ausência de necessidade de suporte.

A ventilação não invasiva (VNI) é uma modalidade de suporte ventilatório que aplica pressão positiva nas vias aéreas por meio de uma interface (máscara nasal, facial ou capacete), sem a necessidade de intubação orotraqueal. Seu principal objetivo é reduzir o trabalho respiratório, melhorar a troca gasosa e evitar a falência respiratória que levaria à ventilação mecânica invasiva. A VNI é particularmente eficaz na insuficiência respiratória hipercápnica, ou seja, naquela em que há elevação da PaCO2 (hipercapnia) com acidose respiratória, como ocorre na exacerbação da DPOC.

A indicação de VNI na DPOC exacerbada é considerada terapia de primeira linha, especialmente quando há acidose respiratória (pH < 7,35) e hipercapnia (PaCO2 > 45 mmHg). Os benefícios são robustos: redução da necessidade de intubação orotraqueal, menor tempo de internação hospitalar e em UTI, e menor mortalidade. O mecanismo é a melhora da ventilação alveolar, com redução da PaCO2 e correção do pH, além de alívio da fadiga muscular respiratória. É importante destacar que a VNI não é benéfica em exacerbações leves de DPOC sem acidose, devendo ser reservada para casos moderados a graves.

Por outro lado, a VNI possui contraindicações que devem ser rigorosamente respeitadas. Entre elas, destacam-se o rebaixamento do nível de consciência (exceto em pacientes com DPOC e hipercapnia, onde uma tentativa monitorada pode ser feita), a incapacidade de proteger as vias aéreas, a instabilidade hemodinâmica, o trauma ou deformidade facial, e a obstrução de vias aéreas superiores. Em condições como a exacerbação asmática, a pneumonia e a SDRA, a evidência de benefício é limitada ou controversa, e o uso deve ser cauteloso. Na insuficiência cardíaca, a VNI (CPAP ou BiPAP) é indicada no edema agudo de pulmão cardiogênico, mas não em todos os perfis de pacientes.

A banca explora exatamente a fronteira entre indicação e contraindicação da VNI. O candidato precisa reconhecer que a DPOC exacerbada com acidose hipercápnica é a situação de maior benefício comprovado, enquanto as demais alternativas apresentam características que contraindicam ou não justificam o uso do método. A chave é identificar o cenário clínico que mais se beneficia da VNI, considerando tanto a eficácia comprovada quanto a ausência de contraindicações.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A exacerbação de DPOC com acidose hipercápnica é a indicação clássica e de primeira linha para VNI. A presença de acidose respiratória (pH < 7,35) e hipercapnia (PaCO2 > 45 mmHg) é o cenário de maior benefício comprovado, com redução de intubação, tempo de internação e mortalidade. A VNI atua melhorando a ventilação alveolar, corrigindo o pH e aliviando a fadiga muscular respiratória.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A insuficiência cardíaca perfil L ("L" de low output, ou seja, baixo débito) não é a indicação típica de VNI. A VNI é benéfica no edema agudo de pulmão cardiogênico (perfil C, congesto), onde CPAP ou BiPAP reduzem a necessidade de intubação. No perfil L, o problema é a baixa perfusão periférica, e a VNI não é a terapia de escolha; o manejo é focado em otimização hemodinâmica e suporte inotrópico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A exacerbação asmática com insuficiência respiratória e rebaixamento do nível de consciência é uma contraindicação relativa à VNI. O rebaixamento do nível de consciência (GCS < 10) é uma contraindicação, pois o paciente não consegue cooperar nem proteger as vias aéreas. Além disso, a evidência de benefício da VNI na asma é limitada, e o uso pode piorar a hiperinsuflação dinâmica. A conduta seria considerar intubação orotraqueal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O paciente com AVC recente e pneumonia aspirativa apresenta risco elevado de aspiração e incapacidade de proteger as vias aéreas, o que contraindica a VNI. A pneumonia aspirativa, por si só, tem evidência limitada de benefício com VNI, e a associação com AVC recente aumenta o risco de broncoaspiração e falência do método. A intubação orotraqueal seria mais apropriada para proteger a via aérea.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O paciente com COVID-19 leve, sem necessidade de oxigenoterapia, não tem indicação de VNI. A VNI é reservada para pacientes com insuficiência respiratória que necessitam de suporte ventilatório, como aqueles com hipoxemia progressiva ou desconforto respiratório. Em um paciente leve, sem necessidade de oxigênio, a VNI seria um tratamento desnecessário e potencialmente prejudicial.

Gabarito: letra A

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