Questão de Medicina — Geriatria — FGV 2023
- Código
- fg066901
- Banca
- FGV
- Órgão
- Prefeitura de São José dos Campos - SP
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Geriatra
- AGermes anaeróbios.
- BFungos.
- CClamidia.
- DLegionella.
- EMycobacterium tuberculosis.
GabaritoA — Germes anaeróbios.
Gabarito: letra A. Em paciente idoso, frágil, com disfagia por demência de Alzheimer e quadro de pneumonia por aspiração de conteúdo orofaríngeo e/ou gástrico, o agente etiológico mais característico é o grupo dos germes anaeróbios, que compõem a flora da cavidade oral e são os principais responsáveis pelas pneumonias aspirativas. A literatura médica (Harrison, Tratado de Medicina Interna) destaca que, na pneumonia aspirativa, a infecção é tipicamente polimicrobiana, com predomínio de anaeróbios, especialmente em pacientes com higiene oral precária, como é o caso descrito.
A pneumonia aspirativa é uma infecção do parênquima pulmonar causada pela aspiração de grande quantidade de conteúdo gástrico e/ou orofaríngeo. Ocorre quando os mecanismos de defesa do pulmão (tosse, reflexo glótico, clearance mucociliar) estão comprometidos, como na disfagia secundária à demência avançada. O conteúdo aspirado carrega a flora bacteriana da orofaringe, que é rica em anaeróbios (Peptostreptococcus, Fusobacterium, Bacteroides fragilis, Prevotella) e também em aeróbios como Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e enterobactérias. Estudos recentes mostram que os anaeróbios, embora ainda importantes, têm se tornado menos frequentes que os aeróbios, mas continuam sendo o grupo clássico associado à aspiração.
A distinção entre pneumonia aspirativa e pneumonite aspirativa é crucial: a pneumonite é uma lesão química aguda induzida pela aspiração de conteúdo ácido (pH < 2,5), com início súbito de dispneia, hipoxemia e sibilos, e inicialmente estéril; a pneumonia aspirativa, por sua vez, é a infecção bacteriana que se instala após a aspiração, geralmente polimicrobiana, com predomínio de anaeróbios. No caso clínico, o paciente apresenta tosse produtiva, febre e estertores crepitantes, o que caracteriza pneumonia aspirativa, não pneumonite química.
A escolha da antibioticoterapia empírica deve, portanto, cobrir os anaeróbios. Os antibióticos de escolha incluem clindamicina, amoxicilina-clavulanato ou carbapenêmicos (em casos graves). A cobertura para anaeróbios é essencial, pois a falha em tratar esses germes pode levar a complicações como abscesso pulmonar e empiema. A banca explora exatamente essa associação: o candidato que não conhece a etiologia da pneumonia aspirativa pode optar por agentes típicos de pneumonia adquirida na comunidade (pneumococo, atípicos) ou por outros patógenos, mas o contexto de disfagia e aspiração direciona para os anaeróbios.
Guarde o critério decisivo: aspiração de conteúdo orofaríngeo/gástrico → flora anaeróbia oral → cobertura antibiótica para anaeróbios. É essa a lógica que separa a alternativa correta das demais.
A pneumonia aspirativa, especialmente em pacientes com disfagia e higiene oral precária, é causada predominantemente por germes anaeróbios da flora orofaríngea. O conteúdo aspirado carrega bactérias anaeróbias (Peptostreptococcus, Fusobacterium, Bacteroides, Prevotella) que colonizam a cavidade oral e, ao atingirem o parênquima pulmonar, causam infecção necrosante. A antibioticoterapia empírica deve incluir cobertura para anaeróbios, como clindamicina ou amoxicilina-clavulanato. O contexto clínico (idoso, demência, disfagia) é o gatilho clássico para essa etiologia.
Fungos (Aspergillus, Candida, Histoplasma) são agentes de pneumonia em pacientes imunodeprimidos (transplantados, neutropênicos, uso de corticoides), não na pneumonia aspirativa clássica. O paciente do caso não apresenta fatores de risco para infecção fúngica; a aspiração está ligada à flora bacteriana oral, não a fungos.
Clamídia (Chlamydia pneumoniae) é um agente atípico de pneumonia adquirida na comunidade, mais comum em crianças e adultos jovens, com quadro de tosse seca e evolução subaguda. Não está associada à aspiração. A pneumonia aspirativa tem etiologia polimicrobiana bacteriana, com predomínio de anaeróbios, e não de atípicos.
Legionella pneumophila é um bacilo gram-negativo atípico que causa pneumonia adquirida na comunidade, frequentemente associada a surtos por água contaminada (chuveiros, torres de resfriamento). Não é o agente esperado na pneumonia aspirativa. O quadro clínico de Legionella costuma ser grave, com febre alta, confusão mental e diarreia, diferente do caso apresentado.
Mycobacterium tuberculosis é o agente da tuberculose, doença crônica com tosse produtiva, febre vespertina, sudorese noturna e perda de peso. Embora o paciente idoso possa ter tuberculose, o contexto de aspiração por disfagia direciona para pneumonia aspirativa bacteriana, não para tuberculose. Além disso, o quadro agudo (tosse produtiva, febre, estertores) é mais compatível com pneumonia bacteriana.
Gabarito: letra A
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